Mas Afinal Sempre Devem Ser Todos Doutores?

O destaque do Público de hoje despertou reacções que me fazem sorrir, porque são quantas vezes os mesmos que defendem uma coisa e o seu contrário. Por exemplo, o presidente Marcelo é, pela primeira vez que me lembre em décadas de vida pública, contra a existência de propinas, aproximando-se de posições que conheço a Bernie Sanders nos E.U.A. ainda mais do que às do Bloco ou PCP por cá.

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Vamos ser um pouco menos demagógicos e vendedores de ilusões em tudo isto ou será que custa muito? Por mim, podem abandalhar tudo… fazer 12 anos de escolaridade obrigatória sem retenções e exames e entrar na Universidade de forma automática, sem numerus clausus. Mas, por favor, não me venham com conversas de rigor ou qualidade no ensino, porque não conheço nenhum sistema que, tirando o soviético, tenha funcionado dessa forma com alguma qualidade média. Muito menos com as “instituições” a fazerem exames de acesso se a ideia é apenas encher as vagas que ficam ali por ocupar em cursos de 4ª escolha em instituições de categoria que não vou classificar, pois posso ofender gente de bem que não tem culpa de lá ganhar a vida.

Sabemos o que produz um sistema falsamente igualitarista deste tipo. Como no Ensino Básico, a médio prazo (até porque o caminho já está meio feito) teremos um Ensino Superior a duas ou três velocidades, com as instituições que gostam de manter o seu “prestígio” e posição em rankings internacionais a manter práticas restritivas de forma encoberta ou mesmo a recrutar alunos no estrangeiro, enquanto numa base alargada teremos um ensino “superior” de nome a fornecer licenciaturas instantâneas e mestrados por atacado, num delírio qualificador e certificador superior às Novas Oportunidades que a OCDE elogiará.

A “justiça social” no acesso à Universidade não se consegue dessa forma, mas sim apoiando os alunos com maiores dificuldades (em especial socio-económicas) para que sigam estudos de acordo com as suas capacidades académicas, sem serem empurrados para  via “profissionalizantes” que são enganadoras na sua “facilidade”, para não dizer pior. E muito menos se consegue absorver de forma adequada mão-de-obra altamente qualificada com uma economia regulada pela mediocridade e pelo emprego precário em actividades cada vez mais dependentes de uma frágil terciarização para turista consumir. Porque há limites para os condutores de tuc-tuc (a menos que exportemos para Mumbai os excedentes para conduzir riquexós), guias das zonas históricas ou empregados de mesa a servir à esplanada água sem gás ao preço de champanhe do legítimo.

Há momentos em que o país parece ser sorvido por uma vertigem apimbalhante, normalmente em finais de mandato, guiado por políticos em que a tentação pela choldra supera qualquer residual sentido de Estado.

E não digam que a culpa é do Goucha ou da Cristina.

(e nada como uma governante com a descendência no privado a defender a massificação do ensino púbico…)

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Alguma Vez Conseguiremos Funcionar Além do Factor C?

Faça-se um qualquer pedido aos serviços do ME e, implodido ou não, fica-se à espera que chegue a resposta no dia de são nunca. Tenha-se o número directo do senhor director-geral ou de serviços ou do senhor secretário e são 24 horas. Ora… esta não é a forma certa das coisas funcionarem, mas a verdade é que é alimentada por quem tem o poder e gosta de o manter assim, para demonstrar quem é que manda no pedaço. Os “ganhos de produtividade” também passam por não colocar só no alto da pilha o que tem a chancela dos senhores do momento. Já nem falo em questões de ética e serviço público.

BlackAdder