16,9% Ainda Dariam O 3ª Partido Numas Eleições E Mais Do Que Os Parceiros Da Geringonça Juntos

Admiro a consistência da linha editorial do nosso semanário nacional de referência em relação ao conflito professores/governo. Mais consistente, talvez, só mesmo o esforço por definir quem deve liderar o Governo e o PSD, conforme as conjunturas.

Hoje é a sondagem que singulariza a questão dos professores (mas não a dos enfermeiros, estivadores, etc) para dizer que mais de dois terços da população está “contra” os professores e contra, globalmente, tudo o que seja “contestação social” e muito em particular da administração pública. E mais adiante, o autor da peça (Vítor Matos) aproveita para ler a parte dos dados (1100 entrevistas a respondentes com telefone fixo) em que se revela que a maioria não se incomodaria com uma maioria absoluta do PS.

 

Mas talvez as coisas nem sempre sejam como nos querem fazer acreditar, mesmo tomando por bons todos os “factos” que nos são apresentados. Já percebi que em alguns casos não adianta colocar em causa a científica credibilidade deste tipo de estudos de opinião, mesmo que mantenham metodologias que já falhavam no final do século XX.

Com um PSD abaixo dos 25% e os restantes partidos do renovado arco da governação entre os 7,1% e os 7,6%, quase 17% ainda é muita gente. Para causa “corporativa”, com mais de uma década de desgaste conflitual, ter o apoio de 17% da população parece-me algo muito interessante e capaz de desequilibrar algumas contas. Daí a preocupação em associar uma análise claramente inclinada contra os “contestatários” a uma pretensa defesa do pacifismo de uma maioria absoluta do PS, como se já nos tivéssemos esquecido quase todos esquecido do período de 2005 a 2009, da outra maioria absoluta de onde saiu grande parte do actual governo.

Eu não me esqueci. Nem me esqueci de muita outra coisa. Ainda não passei pela parte das “aprendizagens essenciais” e dos cortes na História do SE Costa para que a memória colectiva fique moldada aos interesses da dupla Costa A./Balsemão/Costa R., pelo que os tais 17% me parecem mais apelativos do que desencorajantes. Até porque tenho daquelas certezas que António Costa e o seu círculo mais próximo – incluindo os que sorriem muito nas visitas vipe às escolas – podendo, nem um dia de serviço reporiam aos professores.

Sim, ainda existem muitos meses de pré-campanha para conduzir António Costa a um poder monocromático ou apoiado num qualquer novo PSD, depois de defenestrado (ou recentrado) um Rio que já fez o que lhe tinha sido determinado, amenizar as relações com o PS para repartir as verbas europeias (sim, farto-me de repetir isto, porque parece que muita gente continua a fingir que não foi apenas essa a sua função “sebastiânica”).

A governação de um país não é apenas decidir que zonas do país terão novas infraestruturas para, durante uns anos, animarem a construção civil e as finanças municipais. A explosão de anúncios de novas obras públicas – algumas delas de viabilidade mais do que duvidosa – faz-nos recuar uma década, assim como o ódio ao “corporativismo docente”.

Resta saber se 17% ainda não é um número que chegue e sobre para assombrar certas estratégias maioritárias ou tendentes a “recentrar” o arco da governação. Resta saber se, por exemplo, o PCP e o BE já perceberam que podem ter sido durante 3 anos para o PS o que Rio foi um ano para o PSD. Úteis, mas com prazo de validade limitado, em especial se desafinarem do papel que lhe foi atribuído na fotografia do regime.

(já agora, 16,9% de 1010 entrevistas dá 170,69 respondentes, pelo que depreendo que tenham entrevistado algum hobbit)

14 thoughts on “16,9% Ainda Dariam O 3ª Partido Numas Eleições E Mais Do Que Os Parceiros Da Geringonça Juntos

  1. O ódio aos professores é visceral na população portuguesa, respectivos politicos, jornalistas e afins. Razão tinha o professor Agostinho da Siva quando dizia que “pedagogia é levar os meninos para onde eles nao querem ir”. O ódio está explicado, pois remonta aos tempos de meninice dessa gente toda. Acrescento, que apesar de tudo, os professores tinham razão na altura da meninice dessa gente e têm razão agora. Birra perigosa que vamos pagar caro.

  2. Não é o ódio. É mesmo a INVEJA, o sentimento que melhor define os portugueses. Se puderem prejudicar/roubar o próximo já vivem melhor!!!!!! Por isso continuamos e continuaremos na cauda da Europa.

  3. Nunca houve pedagogia dos sindicatos, acho que os cidadãos que estão contra a reivindicação fundamental dos professores acham mesmo que os profs exigem retroativos ou coisa semelhante ..ambiguidade devidamente criada, instigada e divulgada nos media pelos. propagandistas (avençados ou não) que apoiam este governo. Uma maioria absoluta do PS é no mínimo uma perspetiva sinistra. Aliás , já estivémos mais longe do sistema monopartidário.

  4. A técnica é velha e usada, sobretudo nos tempos de valter e mlr: primeiro uns baldes meerda, muita meerda; depois, pretensas negociações!
    Não enganam ninguém que esteja atento…

  5. Se o Marcelo precisa de intervir em directo para salvar audiências, podemos confiar que o Balsas está irremediávelmente falido. Ainda teremos de descontar uns meses para as Finanças o injectarem, mas o destino está traçado. Com ou sem Bildeberg, já não ressuscita.

  6. Por acaso, eu até acho alguma graça aos 170,69. A “meia” cidadã/cidadão que corresponde aos “69” deve ser o português mais feliz do país. 😊

    É um estudo e pêras… Aferiu o quê?
    Porventura abalizou a estratégia manhosa dos interessados/promotores do “estudo”…

  7. Duílio,

    Infelizmente há professores de todos os ciclos/níveis de ensino em sofrimento. Aliás, não são só os professores que sofrem. De certa forma a escola está doente.

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