E Que Tal Preocuparem-se Com As Coisas Mesmo Relevantes?

O pedido da Fenprof para António Costa demitir o ministro da Educação é um disparate para ocupar espaço mediático com uma questão sem nada de substantivo. Tiago Brandão Rodrigues foi o grande amigo de Mário Nogueira durante dois anos e meio, enquanto foi inócuo e nada teve de fazer de relevante, para além de umas coisas sem impacto orçamental. Toda a governação efectiva foi desenvolvida pelos seus secretários, em especial, João Costa, mas também Alexandra Leitão. Quando a coisa apertou, revelou-se com clareza o que se sabia desde o início: o ministro Tiago não manda em nada, não tem qualquer “peso político”, em nenhum momento foi um “agente da Fenprof no Governo” como alguns clamavam. Foi antes um agente do governo para adormecer a Fenprof. Nada que não se percebesse desde cedo pois a sua trajectória política era nula e os seus conhecimentos sobre o sistema educativo equivalentes ao de qualquer licenciado em qualquer coisa.

Tiago Brandão Rodrigues é ministro porque houve quem não o quisesse ser, para ficar mais livre para implementar a sua reforma. Basta ver como João Costa se prepara para instrumentalizar a IGE ao serviço das suas crenças pessoais e políticas, de um modo que não me lembro, tornando-a o “braço armado” da implementação das suas “reformas”. Ou lhe obedecem ou terão uma avaliação fraquinha. Voltámos ao tempo dos “comissários políticos” enviados para intimidar as escolas? Autonomia? A sério? O que vale é que a IGE tem uma estrutura que deve conseguir atenuar esta tentativa de a usar como mero prolongamento do poder político de uma clique.

Quanto a isso, o que têm a Fenprof e a Plataforma Sindical a dizer? Porque não pedem a demissão de toda a equipa ministerial?

Porque isto é extremamente grave. A “inclusão” é um valor essencial e nuclear de um sistema de ensino público, mas depois da forma atabalhoada como se tem vindo a implementar o 54/2018 em andamento e tacteando as paredes, deve ser o critério nuclear para avaliar as escolas?

A “inclusão”, definida por uma facção, e a aplicação de um decreto específico, feito à medida de alguns interesses, passarão a ser o pretexto para condicionar o funcionamento das escolas à medida da vontade do senhor secretário, antes de rumar para qualquer cargo pelas Europas?

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6 thoughts on “E Que Tal Preocuparem-se Com As Coisas Mesmo Relevantes?

  1. É absolutamente vergonhoso! Instrumentalização da IGE tendo por base a crença de um secretário de estado; nivelamento por baixo de todo o Ensino Público; desresponsabilização, por parte das governanças, pela questão determinante que determina o sucesso escolar: origem sócio-económica.
    Todos sabemos quem serão os abençoados por tal desiderato : os comissários socialistas que estão nas direcções dos agrupamentos e já fazem, neste momento, da actividade lectiva uma encenação para consumo de ignorantes e jornais maravilhados com a modernidade parola! Falta algo de importante para que a palhaçada se consume … acabar com os exames e colocar nas universidades um novo tipo de aluno: o aluno que não sabe mas que se emociona; que não lê mas visiona ”coisas” no tube ; que é bué de criativo; que acha que estudar é uma seca e aprende na escola paralela, seja la o que isso seja…
    Está tudo resumido numa reportagem tonta publicada estes dias pelo DN Magazine. No paraíso , cheio de emoções, que aterraram os jornalistas são proclamados as maravilhas das Finlândias que brotam por esta Pátria Lusa… Uma das medidas de grande alcance destes visionários foi acabar com os trabalhos de casa…. Verdadeiramente revolucionário… Na mesma reportagem, uma senhora directora, resumiu tudo de modo magistral dizendo que tinha acabado o tempo dos marrões… Traduziria eu: esqueçam o conhecimento, o trabalho sério, a Academia, que a partir de agora é tudo uma macacada e qualquer medíocre pode pensar que é qualquer coisa…
    E está dito! Tudo isto é absolutamente miserável mas é o que temos!

  2. “As Coisas Mesmo Relevantes” porventura poriam em causa as suas cadeiras. Faz parte do show…

    É melhor ir dando prova mínima de vida com estes “faits divers” que não causam mossa a nenhuma das partes. Já estava escrito nas estrelas.

  3. Os próximos ministros do PS na educação serão sempre no estilo da Alçada/Brandão Rodrigues: “simpáticos” e inócuos, com as políticas a serem definidas pelos secretários de estado. Foi assim com o Trocato da Mata (o secretário da Alçada que iniciou os Mega-agrupamentos) e volta a ser assim com o atual.

    A verdade é que a receita tem funcionado, nunca mais se viram 100 mil professores na rua.

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