Aguarda-se Para Aí A 5ª Reforma Numa Década (Com Uma Proposta Minha Em Adenda)

Matemática revirada do avesso

Grupo de trabalho criado pelo Governo analisa programas, metodologias de ensino, taxas de recuperação, e o insucesso da disciplina. Associação de Professores de Matemática espera que os professores sejam consultados sobre as aprendizagens e o envolvimento dos seus alunos.

Como sabeis, sou pessoa prestável e por isso deixo aqui singela proposta para definir o critério-padrão para uma avaliação de sucesso:

1º ciclo – reconhecer a existência do termo “Matemática” para designar uma área de estudo. Dar duas cambalhotas para desanuviar.

2º ciclo (enquanto existe) – saber a tabuada, com consulta de uma tabela. Desenhar uma flor para atenuar o saber enciclopédico acumulado.

3º ciclo – aplicar as quatro operações básicas com um máximo de dois dígitos e reconhecer o termo “Geometria” como uma área que também se pode estudar mais lá para a frente. Jogar fortnite (ou equivalente) durante uma hora por cada conta feita.

Secundário – distinguir quatro formas geométricas e reconhecer um sólido em situação de crise nacional. Aplicar os conhecimentos no jogo dos quatro cantinhos.

 

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Mas Quem Engana(va) O Ponces?

Só se fosse aquelas pessoas que gostavam de lhe ver os bigodes em programas onde passava por qualquer coisa que, com toda a sinceridade, só alguém muito distraído tomaria pelo valor facial e não por um amplo vazio.

O caso do diretor de escola que vai sempre com as alunas na viagem de finalistas

António Ponces de Carvalho gere os colégios João de Deus com mão de ferro e muitos casos: os gastos, as viagens ao Brasil com as alunas e as depressões e fuga de professores. Reage à SÁBADO com indignação: “Acho ridículo o que me está a perguntar”

bigode

(seria chato explicar que por “director de escola” se entende “escola privada”? não é que nas públicas não existam coisas reprováveis, mas… especificar ajuda a compreender…)

O Triunfo Do Prurido Bacoco (Ou… Estamos A Precisar De Mais Natálias Correias E De Menos Joões Com Medo Do Coito Como Fruição)

Um excelente texto de uma colega de Português que, porventura, chocará o linguista secretário e o ministro vazio, tão imersos que estão no neo-eduquês e no plano para nos salvar das garras do sossego e de uma boa refeição. O título do post é de minha responsabilidade.

“Só sabe o que vai no convento quem está lá dentro.” E o que a maioria não sabe, pelo menos com clareza, é que o ensino português atravessa uma fase pidesca!

Os professores, ao abrigo da lei de protecção de dados, não podem enviar e-mails para grupos de encarregados de educação ou de alunos, tendo toda a comunicação online que ser individualizada, ainda que se trate da veiculação da mesma informação.

Já as reuniões gerais de encarregados de educação deixaram de existir, pelo menos no agrupamento em que lecciono, sendo que os directores de turma tiveram que convocar, no início deste segundo período, todos os encarregados de educação individualmente, para lhes entregarem as avaliações dos seus filhos e lhes prestarem os esclarecimentos solicitados. Ou seja, após o horário laboral, cada docente esteve mais três horas por dia a atender seis pessoas, até perfazer os cerca de trinta alunos que constituem cada turma.Será isto que se considera actualmente uma boa gestão do tempo e dos recursos humanos?

Finalmente, e ainda nesta linha da protecção de dados, quando o professor tiver que fazer alguma advertência ou que dar uma repreensão a um aluno, idealmente fá-lo-á em privado e não no decurso de uma aula, pois trata-se de uma devassa inaceitável da intimidade do discente.

Outra questão espinhosa é a educação sexual, pelo que ninguém aborda qualquer assunto deste cariz em nenhuma circunstância, nem através de nenhum vocábulo. Assim, em Ciências Naturais, por exemplo, informa-se previamente os encarregados de educação que vai ser estudado o aparelho reprodutor ao abrigo do Programa da disciplina. Ao leccionar o conteúdo, enumeram-se os ditos órgãos sem abordar a obscena função para que os mesmos estão talhados e passa-se rapidamente para o conteúdo seguinte.

Quanto a Português, ninguém se atreve a propor a leitura de nenhuma obra que não esteja contemplada no Plano Nacional de Leitura, pois trata-se de uma salvaguarda imprescindível em caso de reclamação quanto ao enredo ou à linguagem que figurem na mesma.

O que acontece quando algum encarregado de educação não está feliz com algo? Processo disciplinar! Ora os alunos deixaram de ser castigados, pois entretanto constatou-se que é muito mais divertido e profícuo punir os professores, dado que estes aprendem à primeira e até se tornam mais obedientes que focas amestradas.

Aliás, o exemplo vem de cima, portanto há que seguir o discurso de prepotência do Ministro da Educação e implementá-lo com eficácia, sendo isso que se está a verificar transversalmente.

Em suma, e passando à questão em análise, ou seja, a atitude da Porto Editora, não se trata aqui de uma censura moral ou ideológica ao poema de Fernando Pessoa, ao contrário do que a maioria pensou. Trata-se antes de um claro sinal dos tempos, pois todos os dias surgem reclamações por escrito ou de viva voz em relação a leituras, a vocabulário, a temáticas abordadas, a tudo e mais alguma coisa, reclamações essas que rapidamente se transformam, volto a reforçar, em processos disciplinares.

Até a PSP, que tem uma peça de teatro a circular pelo país, vocacionada para os adolescentes, em que alerta para os perigos da Internet, já recebeu inúmeras queixas relativas ao vocabulário e à violência do conteúdo, sendo que os actores, por sua vez, se queixam do pandemónio que fazem os alunos, cujo civismo, no meio de tudo isto, se encontra abaixo de zero, como é óbvio e expectável. Assim andam os progenitores do século XXI, mas deixo para a História a análise competente e os resultados que daí advirão. Presumo que, muito em breve, o “Auto da Barca do Inferno” saia do Programa, por exemplo, pois contém doses letais de vernáculo.

Presumo que, daqui a uns tempos, a nudez não possa figurar em galerias de arte ou em exposições. Presumo que não se estudará, tão cedo, Mário de Sá Carneiro ou Al Berto ou Natália Correia. Presumo, com maior tristeza ainda, que, por este andar, pouco falta para que o erotismo e a sensualidade desapareçam do mapa e se tornem conceitos obsoletos.

Mas tenho a reconfortante certeza que, sempre que ligar a televisão, verei telenovelas em horário nobre com abundância de cenas de sexo explícito, violações, traições, pancadaria, assassinatos. E também poderei ver uns tipos todos nus dentro dumas cápsulas, qual montra de talho, e grandes planos dos seus genitais em escancarada e orgulhosa exibição, que estão ali a esmifrar-se para serem escolhidos por outro tipo, não muito tarde da noite. E posso ver reality shows de vómito com gente de carne e osso a comer-se ao vivo. E posso ver Tudo, Tudo, mas mesmo Tudo o que eu quiser na Net. Basta dizer que tenho 18 anos.

E todos os putos deste país podem fazer exactamente o mesmo. Não podem é ler Álvaro de Campos na íntegra, senão os seus pais ainda se lembram de processar a Porto Editora. A minha opinião sobre isto? Foram censuradas as putas erradas!

Professora Heterónima

mafra

O Total Esvaziamento Da Actualização Científica Na Formação Contínua

Há que reconhecer a coerência do esforço do SE Costa na terraplanagem de qualquer  dimensão exclusivamente científico-disciplinar da formação contínua dos professores, considerando que o que faz falta é doutrinar a malta no 54 e 55.

O despacho n.º 779/2019, que “define as prioridades de formação contínua dos docentes, bem como a formação que se considera abrangida na dimensão científica e pedagógica” é uma peça central no esvaziamento de qualquer pretensa “autonomia” dos docentes na sua formação contínua e o seu afunilamento para a doutrinação ideológica no neo-eduquês.

A cereja no bolo é considerar no âmbito da “dimensão científico-pedagógica”, para elementos das direcções e das chefias intermédias, as áreas de:

a) Formação educacional geral e das organizações educativas;

b) Administração escolar e administração educacional;

c) Liderança, coordenação e supervisão pedagógica.

O horror ao Conhecimento e ao que o vai enriquecendo a par do deleite com a forma das coisas e a sua representação burrocrática ficarão como a marca d’água deste governante, que é, para todos os efeitos, quem decide o que o titular da pasta se demitiu de fazer. Mas o plano sempre foi esse.

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