A Parcela Da Verdade A Que Temos Direito?

Chega a ser comovente ler e ouvir tanta gente que agora parece saber tanta coisa sobre os desmandos da nossa banca (e empresas que só serviram para desviar muitos milhões) depois de terem acontecido e quando apenas o armando vai dentro por causa de robalos. O sistema está todo contaminado, não é qualquer teoria da conspiração. E o que vamos sabendo é o que é considerado indispensável para dar uma aparência de “regular funcionamento das instituições”. Talvez não sejamos um país com um sistema político-económico-mediático ao corrupto nível de uma república das bananas, mas é porque as da madeira são das pequeninas e no continente mal crescem. Mas não é por falta de regarem o terreno. Por momentos, dá-se assim uma amnésia geral como se muita desta gente não tivesse sido medalhada e condecorada nos 10 de junhos e em outros eventos do regime ou de associações de prestígio. E ainda surja em prime-time a dizer como se devia fazer. O que querem? Que um tipo fique feliz por ver em letra impressa ou virtual o que se ouvia, mas quem o dizia não tinha a coragem de o publicar sem autorização superior, não fossem os patrocínios e publicidades desaparecerem?

Avestruz

Os “Fazedores de Utopias” Que Nos Lixam A Vida

Um traço dominante na actual facção académico-ideológica no poder na área da Educação, em particular na corte joanina, é o de se acharem portadores da chama da “utopia”. Quem os ouvir e ler são eles os novos ches a caminho da sierra maestra e os devotos discípulos de freire prontos a denunciar todas as injustiças que caem sobre os oprimidos deste sistema cruel no qual sobrevivemos (e em que el@s têm vivido muito bem). Quem se lhes opuser é porque está contra a “utopia”, contra o “sonho”, a favor da injustiça e da iniquidade.

Ao fim de umas décadas, isto cansa, mesmo que a nova geração meta gel na poupa e tenha abandonado os pullovers aos losangos a favor de fatos de bom corte ou tenha substituído os conjuntos de saia/casaco com padrão tweed por outras coisas igualmente menos jeitosas.

(sim, estou numa de ortigão… )

Cansa porque parece que só el@s é que querem o bem dos alunos e os outros são todos uns malfeitores, insensíveis, castradores da criatividade e traumatizadores da imaginação. Parece que têm na barriga toda a sapiência boa, quando por vezes o ego está apenas inchado por desditosa flatulência. Que lhes vai subindo pelos tecidos, como outros fluidos subiam pelo sinhozinhomalta, afectando-lhe o discernimento e alimentando-lhe a irritabilidade e a intolerância contra quem se lhe opunha. Ms a ficção raramente supera a realidade e estes “fazedores de utopias” . daí que a História os aborreça quando não é amestrada – têm uma longa linhagem de edificação de pavorosas distopias e só não fizeram mais, porque lhes faltou o engenho e sobrou coragem a outros.

A “utopia é que nos guia” ouvi uma fez dizer a uma pessoa que reputo de bem intencionada e só foi mesmo por isso que contive aquela convulsão interna que me ia fazendo esboçar trejeitos pouco corteses.

O problema é que, como se vai vendo de acordo com o previsto, a “utopia” precisa de ser garantida, controlando o aparelho de Estado, afastando os mais remotos suspeitos de heresia ou reserva mental e nomeando a esmo os gurus ou, na pior das hipóteses, os crédulos mais dedicados, aquela sorte de cristão-novos que são dos mais rápidos algozes de qualquer heterodoxia. Sorte nossa que o despacho é a arma dos tempos, porque ao menos escapamos à metralhadora ou à baioneta. Não por falta de vontade, que isto de ser “utópico” traz consigo muita intolerância mal resolvida.

Otavio

Nos Últimos Meses Do Mandato Acertam-se Contas E Fazem-se As Colocações Estratégicas

E o SE Costa entrou em claro modo de controlo total do “território”.

Inspectores da educação de novo em colisão com o ministério

(…)
O Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino acusou nesta terça-feira o ministério tutelado por Tiago Brandão Rodrigues de estar a cortar o “cordão umbilical” destes profissionais com as escolas, o que considera ser “muito grave”. Numa nota divulgada na sequência das declarações na semana passada do secretário de Estado da Educação, João Costa, a propósito do novo ciclo de avaliação externa das escolas, o sindicato afirma que estas contradizem a prática recente do ministério no que respeita ao recrutamento de novos inspectores.

(…)

“Enfraquecer a IGEC”

“O SIEE sempre defendeu e continua a defender, que a carreira de inspector da educação tem de ser uma segunda carreira, pois só faz sentido que o inspector de educação seja alguém com experiência docente, seja alguém que conheça a escola”, defende-se na nota. Onde se acrescenta o seguinte: “No fundo, é isso que o secretário de Estado João Costa vem reconhecer. Ou seja, afastam-se os docentes do ingresso na IGEC, mas depois diz-se que eles são necessários para integrar as equipas.”

“Em que ficamos sr. Secretário de Estado?”, questiona o sindicato.

polvo