Domingo

Trocava todas as iluminadas análises do que se passou ou passa em bairros como o da “Jamaica” pela ida de tão luminosas luminárias substituir professores em falta em escolas nas suas vizinhanças. Experimentem um mês e verão como as vossas teses de tertúlia-caviar são arrasadas em poucos dias.

manguito

(não é por acaso que um ilustre sindicalista, aposentado desde que soube o que aí vinha, andou anos a gozar comigo no Umbigo por dar aulas em escola de “pretos e ciganos” como ele gostava de escrever, com nicks inventados, porque isto tem muito mais que se lhe diga do que sociologices da treta)

 

12 thoughts on “Domingo

  1. o politicamente correto ainda domina a politica partidária e as declarações sociais; muitos desses analistas, políticos e burgueses politicamente corretos, não vivem nem trabalham (e jamais viveriam e trabalhariam) em determinados ambientes sociais, bastando ver onde residem e trabalham e que ambiente os envolve. Mas fica bem na sua imagem exigir aos outros que se sujeitem estoicamente às ditas condições…

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  2. Já sugeri várias vezes que a esses reformadores-caviares, acomodadores e inclusivos, devia ser exigido uma certidão de tempo e qualidade de serviço (de 10 a 15 anos) nas “jamaicas) deste país…
    Depois poderiam teorizar, legislar…

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  3. Toda essa gente divinamente iluminada não precisava sequer de um mês a trabalhar num bairro como o que refere. Duas semanas seriam suficientes para que ficassem em estado incapacitado para continuarem a escrever e a propalar teorias/análises da treta e a produzir estudos galácticos.

    Na verdade, e como todos sabemos, mesmo fora dos bairros tidos como problemáticos há bastantes escolas pelo país fora com muitas turmas verdadeiramente difíceis.
    Para início do tratamento, julgo que seria suficiente começarem por uma destas escolas.

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  4. Facto 1: As imagens passadas nas televisões não deixam qualquer sombra de dúvida: a polícia usou de violência gratuita e de força desproporcional face à situação e aos indivíduos do Bairro Jamaica ali presentes naquele momento;

    Facto 2: Naquele Bairro, tal como em todos os outros, mesmo nos conotados com classe média alta/alta, vivem pessoas de bem (honestas), pessoas de mal (desonestas) e pessoas “assim-assim”;

    No caso em concreto, não sei se as pessoas atingidas pela brutalidade policial eram honestas, desonestas ou “assim-assim, mas mesmo que fossem desonestas na sua forma geral de vida, naquele momento não se vislumbraram indícios de qualquer actividade ilícita ou desordeira que justificassem aquela actuação policial.

    Portanto, o que justificou a actuação da polícia naquelas circunstâncias? Resposta: Nada!!!

    A polícia teve uma atitude racista? Pois, honesta e objectivamente, não sei…Mas, lá que parece, parece…

    Se aquilo a que assistimos no Bairro Jamaica se tivesse passado com brancos num Bairro bem conotado socialmente, o que se diria da actuação da polícia? Lembram-se do adepto do Benfica, acompanhado pelo neto, que foi alvo da fúria gratuita de um polícia e do que foi dito nessa altura?

    O mais preocupante para mim em toda esta situação é que, enquanto cidadã, tenho muitas reservas se posso ou não confiar numa força policial que tem, entre outras funções, o dever de me proteger e de não me agredir de forma gratuita e injustificada.

    E digo mais, no dia a seguir a estes acontecimentos, quando aconteceram os distúrbios na Baixa de Lisboa, a primeira coisa que me ocorreu foi: Se eu fosse preta também lá estaria e não sei se resistiria à tentação de atirar uma pedrada ou outra…

    Mas depois pensei melhor e reformulei: enquanto cidadã cumpridora de todos os meus deveres legais, branca e de classe média, eu também devia estar na Baixa em protesto…

    Não estive, mas continuarei a lutar e a protestar, sempre que se justifique, contra aquilo que me parecerem ser atropelos injustificados contra cidadãos, quer sejam brancos, pretos, amarelos ou vermelhos…

    E, sim, conheço muito bem (talvez bem de mais) o ambiente que se vive dentro de Bairros como o Jamaica. E, já agora, não tenho a ilusão que só lá vivem “meninos do coro”, bem comportados e cumpridores dos seus deveres. Mas também sei que nos outros Bairros isso não existe…

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    1. Ora bem… boa argumentação (acho que não percebeu a minha, quase que aposto que pensa que estou a insinuar qualquer outra coisa) que, contudo, parte de um problema: toma como relato fiel de tudo “as imagens passadas na televisão”.

      Ora, “as imagens passadas na televisão” têm muito que se lhe diga… exemplificaria com o futebol, mas talvez pareça mal.

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  5. Não costumo acreditar em tudo o que vejo, até porque nem sempre o que parece é… Ou como dizia alguém: “As iludências aparudem”… 🙂

    Contudo, e nesta situação em concreto, é indesmentível que a carga policial aconteceu sobre pessoas que, aparentemente, nada fizeram contra a policia antes desta os ter começado a agredir. Aparentemente, a policia não tinha motivos para agredir bárbara e gratuitamente aquelas pessoas… Aparentemente, a policia agrediu e os agredidos retaliaram, aparentemente, porque são humanos, mesmo que também sejam uns bandidos…

    Ou tudo isto não passa de uma cabala contra a polícia assente numa aparência ou ilusão óptica, ou estamos, efectivamente, em presença de um comportamento inaceitável por parte daquela força policial…

    E mesmo que as imagens televisivas não tenham mostrado tudo o que ali se passou, não creio, ainda assim,que o que foi mostrado nas televisões tenha sido manipulado ou truncado, no sentido de alterar o respectivo conteúdo. Portanto, o que vi, independentemente dos eventuais antecedentes ou precedentes ao incidente e que podem não ter passado nas televisões, permite-me criticar em toda a linha a parte da actuação policial que foi possível visionar. Mas cada um pode acreditar no que quiser…

    Futebol, futebol… Bem sei que as imagens passadas na televisão nem sempre correspondem ao “relato fiel de tudo”, mas, mal por mal, não fossem, ainda assim, essas imagens, o meu (nosso) Sporting estaria bem tramado, não é verdade? Pois, é…

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    1. Mantenho o meu argumento acerca dos analistas de cadeirão mediático, que falam a partir de teses, apenas precisando de 1 minuto de imagens para dissertar.
      Questão: quando se fala tanto de igualdade de oportunidades, quando há tanto dinheiro para os desfalques dos salgados, porque se mantêm bairros daquele tipo?
      Não existe nenhuma “fundação” que tenha um acto de filantropia?

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  6. Em nenhum momento do meu argumentário teci qualquer consideração sobre os “analistas de cadeirão mediático”, a que se refere. As minhas alegações foram feitas noutro sentido, como se compreenderá perfeitamente ao lê-las.

    Mas a propósito dos tais analistas mediáticos, aconteceu neste caso o que sempre acontece noutros casos: apareceram, como cogumelos, abundantes teses e teorias sociológicas, procurando explicar o inexplicável.

    E o inexplicável neste caso é: “quando se fala tanto de igualdade de oportunidades, quando há tanto dinheiro para os desfalques dos salgados, porque se mantêm bairros daquele tipo?”

    Bairros daquele tipo funcionam como guetos, com modo de funcionamento e regras próprias. A lei é ditada por aqueles que lá vivem e quem lá vive sabe ao que se deve submeter. São uma espécie de caos com regras, relativamente controlado. E o acordo tácito estabelecido entre bairros deste tipo e as respectivas autarquias/poder político, válido para ambas as partes, parece ser: “Não nos chateiem, que nós também não chateamos ninguém”. Assobiam todos para o lado, desviando o olhar e fazendo de conta que não se conhecem.

    E então, ano após ano, governo após governo, tudo vai decorrendo numa aparente normalidade, em respeitosa convivência, mas sem grandes misturas, que cada um deve saber estar no seu lugar… Não há candidato eleitoral que não deixe de visitar um destes bairros, pois é de bom tom reconhecer minorias raciais/étnicas e até é possível capitalizar aí alguns votos…

    Até que num determinado momento uma das partes, ou ambas, desrespeita o acordo estabelecido: de repente todos “acordam” , fingem que acabaram de se conhecer e que não sabiam da existência uns dos outros. O conforto e a conveniência foram recíprocos até uma das partes ter feito “asneira”. E aí “estala o verniz” e aparece a revolta e a incompreensão de uns e de outros…
    A hipocrisia e o cinismo salvou-os a todos durante algum tempo, mas não o tempo todo…

    Este tipo de bairros acaba quando ambas as partes tiverem EFECTIVA vontade que assim seja…

    E isto não desculpa a actuação miserável da polícia no Bairro Jamaica.

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