Pelo Educare

E fica aqui a terceira peça para publicação “externa” esta semana. Tal como os textos no Público (2ª feira) e no JL/Educação (4ª feira), foi escrito com alguma antecedência. Confesso que, dos três, este é o que mais me divertiu, quase por certo por ser o que afronta mais o neo-eduquês que se está a instalar de novo no discurso “pedagógico” do Poder..

Da Utopia à Ficção Útil

O discurso sobre a nossa Educação está repleto de referências a “utopias”. De forma recorrente surgem políticos e pedagogos a justificar as suas opções com o caminho em direcção a uma “utopia” que eles consideram ser o “sonho” que a todos deve mover e que por ser inalcançável por definição impossibilita qualquer avaliação da sua validade.

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Pelo JL/Educação

Estava a ver que nunca mais encontrava a edição de 4ª feira. Fica apenas um excerto do texto que fiz a pedido do José Carlos Vasconcelos, porque a reprodução completa, neste caso, só se for mais tarde. Escolhi a parte de que mais ninguém fala nos testemunhos habituais sobre este assunto, mas mantenho a minha posição de que o ponto crítico, com base em dados e não em crendices, é a transição para o 3º ciclo.

Quanto à rede escolar, a solução por estender o 1º ciclo para mais anos, a par da universalização do ensino pré-escolar desde os 5 anos e tendencialmente dos 3, parece-me incomportável em muitas zonas do país. Os chamados “centros escolares”, estão longe de serem suficientes para dar resposta a um 1º ciclo de 5 ou 6 anos, se a lógica é evitar a transição precoce para uma “escola grande”. Depois da forma como foi dizimada a rede escolar do 1º ciclo, com orgulho generalizado de quem passou pela 5 de Outubro nos últimos 15 anos, não se percebe como se poderá estender esse ciclo de escolaridade com as instalações escolares em funcionamento. Em contrapartida, a junção do 2º e 3º ciclo está na matriz da construção das antigas escolas C+S que se vieram a transformas nas EB23.

Para além disso, há que resolver um problema adicional que é o do reajustamento dos grupos de recrutamento para a docência, porque o fim do 2º ciclo acarretaria a extinção dos grupos 200 a 290 (decreto-Lei 27/2006 de 10 de Fevereiro) e a necessidade de redistribuir os respectivos docentes de acordo com critérios a definir, mas que teriam de passar por uma solução que contemplasse a formação inicial e a profissionalização realizada.

Este não é trabalho para governantes preocupados em medidas de curto prazo para consumo eleitoral, porque implica anos de preparação e um leque alargado de participantes, para além das cliques académicas ou político-ideológicas no poder em dado momento. Uma reorganização dos ciclos de escolaridade deve fazer-se no contexto de uma reforma da Lei de Bases do Sistema Educativo que não aconteceu quando foi revisto o modelo de gestão escolar, quando se introduziram substanciais alterações na organização curricular ou sequer no recente processo de maior descentralização de competências na Educação para os municípios.

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6ª Feira

O aparato ideológico e controlador do Estado continua a virar-se para os enfermeiros e nota-se que a artilharia vai começando a pesar. Já começaram a aparecer cálculos de muitos milhões, já começam a aparecer do lado dos médicos e directores de hospitais sinais de perigos de proximidade, a sic já começa a fazer uma interessante selecção de comentadores sobre o tema, só faltam umas primeiras páginas do Expresso e aparecer-lhes alguém parecido com aquele da confap a defender “o interesse maior de…”.

Misseis