Pelo Educare

E fica aqui a terceira peça para publicação “externa” esta semana. Tal como os textos no Público (2ª feira) e no JL/Educação (4ª feira), foi escrito com alguma antecedência. Confesso que, dos três, este é o que mais me divertiu, quase por certo por ser o que afronta mais o neo-eduquês que se está a instalar de novo no discurso “pedagógico” do Poder..

Da Utopia à Ficção Útil

O discurso sobre a nossa Educação está repleto de referências a “utopias”. De forma recorrente surgem políticos e pedagogos a justificar as suas opções com o caminho em direcção a uma “utopia” que eles consideram ser o “sonho” que a todos deve mover e que por ser inalcançável por definição impossibilita qualquer avaliação da sua validade.

pg contradit

9 thoughts on “Pelo Educare

  1. Uma lufada de ar fresco!
    De facto, é incompreensível que o mesmo governo que destrói carreiras (arrebanhando comentadores estratégicos que envenenam a opinião pública, alegando que não são todos iguais, que só os melhores deverão chegar ao topo, que não podem chegar todos a generais, que as carreiras horizontais não fazem sentido, que os contratos colectivos são coisa do passado, num mundo fortemente concorrencial e individualista, onde só uma minoria, que tem de ser ultra competente e sujeitar-se a quase tudo, pode aspirar a sair da mediania dos baixos salários generalizados) seja o mesmo governo que apregoa a utopia da cooperação, de que todos podem aprender tudo, de que todos têm direito legal ao sucesso, de que a avaliação quantitativa e formal é violenta e injusta, de que a inclusão plena, em que uns cuidam dos outros, é a panaceia para a concretização da utopia; uma escola desligada do mundo real, mas capaz de formar cidadãos do século XXI, preparando-os para os empregos que ainda não existem. Será já a preparação para o mundo maravilhoso e utópico do rendimento básico incondicional?

    1. Os desonestos nunca justificam os seus comportamentos ou projectos com as verdadeiras razões…
      Apresentam “objectivos fofinhos e humanitários, caridosos e generosos”.
      Mas a “realidade é outra, os objectivos outros, os comportamentos mascarados” como dizia alguém.

  2. « É curioso que raramente tenha lido estes “utopistas” sobre temas que, na sua terrena condição, tornam a vida nas escolas cada vez mais servil. Não os li ou ouvi sobre a forma como a gestão escolar se resumiu a um modelo hierarquizado, baseado na obediência e nomeação, com pulverização dos princípios democráticos, embora falem muito em trabalho colaborativo. Não os li ou ouvi sobre a prevalência dos critérios da “racionalidade financeira” no encerramento de escolas de proximidade e o desenraizamento precoce de crianças das suas comunidades, apesar de os ler defender profusamente medidas em defesa do “interesse dos alunos”, Não os li ou ouvi intervir de forma clara contra as sucessivas narrativas produzidas pelo poder sobre a carreira docente e os seus encargos, mesmo se fazem elogios frequentes, vazios de significado, em prol da dignidade docente. Dignidade docente que parece apenas ser reconhecida a quem adere às suas utopias particulares e se deixa doutrinar sem revolta em “formações” frequentemente com contornos muito pouco utópicos. »

    Muito, muito bom. Orgulhoso por poder dizer que és meu colega.

  3. Cada vez mais, no mundo global, esta e as próximas gerações estão e estarão a competir com os jovens de outros países e continentes. Pergunto: É assim que vão competir com os chineses, indianos, japoneses, etc, onde a educação é levada muito a sério e valorizada? NÃO. Conclusão: Estamos a condenar o futuro do país à mediocridade. Vão se safar meia dúzia. Aquela meia-dúzia que tiver acesso a ensino privado e que tiver pais esclarecidos. Os outros? Estão feitos, mas serão facilmente governáveis. É esse o objetivo dos nossos políticos?Sim.

  4. Ideais, sonho, utopia, ilusão… Por interesse tudo se confunde…
    A Geografia não apresenta o éden no extremo ocidental da península ibérica, mas pronto… “os Adões e as Evas”, à falta de melhor entretenimento, insistem na reprodução telepaticamente doutrinária…

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