Aqui O Financiamento Não É Um Problema (E Ninguém Regateia Ou Faz Rateio…)

Novo Banco vai pedir mais de mil milhões ao Fundo de Resolução este ano

Mais um ano, mais uma injeção do Fundo de Resolução no Novo Banco, ao abrigo dos termos do acordo de venda à Lone Star. Mas este ano o valor será recorde: mais de mil milhões de euros.
black hole
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Um País De Costas Largas

Carlos Costa escapa a exame de idoneidade a ex-gestores da Caixa

Banco de Portugal está a avaliar a responsabilidade de ex-gestores da Caixa nas decisões dos negócios ruinosos do banco público. Carlos Costa é atualmente governador do Banco de Portugal e foi administrador da Caixa entre 2004 e 2006.

Shame

(quantas vezes, certas nomeações para prateleiras douradas resultaram exactamente de negócios cuidadosamente ruinosos…)

A Escalada Enfermeiros/Governo

O conflito entre os enfermeiros e o Governo assumiu uma faceta inédita entre nós nos últimos 40 anos. Com raríssimas excepções, a conflitualidade laboral foi enquadrada numa lógica herdada do marxismo, mais ou menos leninista, mas sempre com uma dose suficiente de boas maneiras e pragmatismo, mesmo quando o tom das declarações públicas parecia muito exaltado. No fundo, o esquema dicotómico com os mesmos actores e o mesmo tipo de acções dominou sempre a acção sindical, com os sindicatos a enquadrarem com punho firme qualquer tentativa de escapar à coreografia habitual, colaborando nesse aspecto com o poder político, independentemente das sucessivas inclinações políticas. Mais ou menos “radical” o nosso sindicalismo tem sido sempre convencional e conservador. Mesmo quando se afirma de linhagem revolucionária, tem horror a tudo o que perturbe a ordem dos autocarros e bandeirinhas.

O que a contestação dos professores não conseguiu levar adiante, para além desta ou aquela iniciativa mais heterodoxa, está a acontecer com os enfermeiros que, goste-se ou não, estão a levar a sua luta a sério, para além das conveniências dos acordos de cavalheiros de bastidores que sempre acabaram por resolver todas as disputas no passado mais ou menos recente. A exploração até aos limites da via jurídica é apenas um exemplo. Assim como a forma de se financiar uma greve entrou de forma decidida nos mecanismos disponíveis no século XXI, pois não me parece “ilegal” que qualquer cidadão se disponha a apoiar uma causa que considere justa.

Contra isso, mobilizou-se a apatia de uns e a militância de outros. A “Direita” perdeu a capacidade de apelar a qualquer tipo de espírito de “maria da fonte”, a menos que estejam em causa subsídios aos privados (na Educação ou Saúde) e a “Esquerda” revelou até que ponto define a sua aprovação política e moral das lutas laborais à conformidade com o seu guião.

É lastimável que o conflito tenha derrapado para uma campanha de maledicência pura e dura, como em outros tempos foi dirigida aos professores, com a conivência da tal “esquerda radical” que aproveitou para mostrar como ainda não desaprendeu das velhas tácticas de agit-prop. É embaraçoso ver representantes do PCP e do Bloco a dirigir críticas sem qualquer prova concreta a apoiá-las (seja a das “mortes” por causa das greves, seja a das tenebrosas fontes de “financiamento”, como se tivesse a mínima moralidade nesse aspecto quem por exemplo, não quer que se conheça quem financia as suas festas), a atacar uma classe a partir de este ou aquele “rosto” seleccionado para a demonizar e a ampliar uma estratégia de instrumentalização do aparelho de Estado por parte do Governo para combater uma classe profissional que não alinha em passeatas e cantorias à porta dos ministérios. Ainda não percebi se acham que os enfermeiros são uma cambada de idiotas instrumentalizados por uma teia de interesse privados tenebrosos, se o acesso à profissão é apenas permitido a quem seja de “extrema-direita”. Não são os enfermeiros que estão a degradar o SNS, como não foram os professores a degradar uma Escola Pública que, de excesso de oferta, passou a não ter professores disponíveis para os alunos que existem, em virtude da campanha desenvolvida para amesquinhar a profissão nos últimos 15 anos.

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No meio disto, o PR meteu a sua pata afectuosa na poça ao dizer algo sem qualquer sentido, ou seja, que as greves só podem ser financiadas por fundos dos sindicatos que as convocam e que não poderão ser apoiadas externamente, o que, de certa forma, significa que a “sociedade civil” não pode manifestar o seu apoio a uma dada causa. Ora… em tantos anos, tirando o aluguer de autocarros e distribuição de panfletos e bandeirinhas, nunca assisti a qualquer greve que, no caso dos professores, tenha tido qualquer apoio financeiro dos respectivos sindicatos. Os “fundos de greve” são dinamizados localmente, com sindicalizados ou não a contribuir por igual para uma repartição equitativa, independentemente de quotas pagas.

Sim, o “sistema” não vai ter quaisquer contemplações com os enfermeiros e a campanha irá tornar-se ainda mais negra/suja porque se percebe que, depois dos professores, é a vez dos enfermeiros serem domesticados. Com aqueles, a colaboração dos sindicatos tem sido preciosa, bastando ver como os façanhudos da Fenprof tiram o apoio a qualquer iniciativa independente para recuperar o tempo de serviço no Parlamento, centro da democracia representativa, com estes, parece-me que as coisas vão entrar mesmo num nível completamente novo, com as máquinas do governo e dos operacionais da geringonça unidas numa mesma luta para que os enfermeiros “percam o apoio da opinião pública”. Entre nós, as fake news são isso, notícias e boatos colocados a circular a partir de fontes oficiais que se escondem no anonimato. Ou são fake opinions como a do inimputável articulista do semanário do regime, que pode dizer todos os disparates e mentiras que ainda lhe dão palmadinhas nas costas.

Para que tudo continue como dantes.

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Expresso, 9 de Fevereiro de 2019

 

O Século XXI Está Aí, Mas Não Deve Ser Para Tudo

De Manuel Carvalho, no Público:

Esboçar uma crítica violenta à requisição civil seria para os partidos um duplo risco: daria força a sindicatos inorgânicos que não controlam e levaria o protesto dos cidadãos a dirigir-se às suas lideranças. Por isso, o Governo pôde decretá-la sem estados de alma, sabendo que não correria qualquer risco de criar tensões políticas com os partidos nem qualquer perigo de suscitar o protesto dos cidadãos.

Chegados aqui, resta saber que novos trunfos terão os enfermeiros para manter a sua greve. Do sucesso ou insucesso das suas iniciativas saberemos se nasceu um novo modelo de conflitos laboral. Ou se o velho sistema de representação política e sindical ainda é o que dita as regras no mundo do trabalho.

Tango