3ª Feira

Quando não há quem substitua quem demorou a chegar para substituir quem já não estava. O grande legado de 15 anos de erosão da imagem da docência pelo poder político e de degradação material da sua condição, para guardar uns milhares de milhões para  tapar buracos e fingir que os grandes negócios privados alguma vez foram mais do que ficção.

Galinhas

 

7 thoughts on “3ª Feira

  1. Como dizia um dos bigodudos da seleção nacional, há uns anos largos atrás: «Não há dinheiro, não há palhaço».
    O país tem que decidir se quer ter uma rede pública de ensino com qualidade, ou não.
    O país tem que decidir se quer ter um SNS de jeito, ou não.
    SE quer, tem que ter dinheiro para isso. Se não quer, então que se medievalize.
    Fingir que se quer ter uma FP competente e motivada, com bons executantes e orgulhosos do seu trabalho e da sua função, quando se não está disposto a investir é que não vale a pena.

  2. Tenho sempre acompanhado os “posts” excelentes (bolas que a palavra provoca-me urticária…mas, neste caso, será justamente aplicada) do Paulo. Por doença não tinha disponibilidade de comentar… já me vou sentindo bem melhor…
    Não pensem que a falta de professores preocupa quem nos tem desgovernado…”se necessário até os vão buscar à América Latina” ( lembram-se, certo?!!).
    As recentes alterações curriculares e as formações de evangelização (para isto há dinheiro) já vão nesse sentido…mais “projectos, festas, “holismos”, integrações e afins) com um crédito ( crescente, iremos ver) de autonomias (criação de novas áreas de servidão de interesses locais no tal mundo global, à custa do conhecimento “tradicional”, à custa da ciência e da sua especialização) e … nesta altura, qualquer um pode estar a orientar ou guardar os alunos. Ao que acresce que o sucesso é na medida de cada um …logo sem stress e sem exames (como convém)…
    Os pais que se cuidem pois é fácil encantar e nisto esta gente têm as graduações todas.
    Quanto a nós, caber-no-ia outro papel …sentindo, convictamente, a destruição que vem sendo feita da ESCOLA PÚBLICA e do PROFESSOR temos o direito e o dever de não alinhar, de resistir, de denunciar (ainda que ninguém nos queira ouvir com o absoluto controlo da comunicação pelo poder)… vão resistindo grandes homens que apesar dos sucessivos ataques, vão dando palavra ao sentir de milhares de Professores.
    Quanto a mim isto já ultrapassou a fronteira do desprezo, da humilhação e da indignidade… À submissão e escravidão a força de um colectivo começa na convicção e coragem de cada um.
    Temos mecanismos que podem ser usados – individualmente: usem-nos sem medos; colectivamente unamo-nos, a começar em cada escola…
    Ao cabo de 30 anos em que, sempre, fiz o meu melhor e dei o que pertencia à família, não me convencem que não presto e muito menos que são melhores que eu!

  3. Lamento a censura ao seu blogue, Paulo. Mas não surpreende, infelizmente.
    Quem achava e defendia que se estava melhor numa geringonça… tem que engolir muitos sapos. Eu acho que estava tudo mau, mas acho que agora está tudo pior.
    Confesso que prefiro as metas de Crato aos 54 e 55 deste Senhor. É tudo absolutamente ofensivo. Dentro e fora de portas. Destituídos no Poder que tratam todos como se seus iguais fossem: alunos e professores.
    Estamos cada vez mais escrivães, só que agora com tecnologia,como se isso nos lavasse a face. Até que o outro começa a ter razão: ” Somos os inúteis melhor pagos deste país.” Ele diz que não disse. Estamos em modo ” indiferenciado”.
    Go to hell, bastards!
    Eu fecho-me na minha sala de aula, tento ultrapassar trocas de palavras que me desgostam, mostrar-lhes a razão desse desgosto e ensinar-lhes o mundo. O que devia ser e não é.
    Não é que às vezes é?

    1. Maria, infelizmente subscrevo o seu comentário.
      Digo “infelizmente”, porque de certa forma esperava mais de uma “coligação” de esquerda.

      (Só um “reparo”: não temos de nos fechar na sala, uma vez que não temos de nos “refugiar” nem de ter vergonha de nada. Os que se deveriam envergonhar andam de rosto levantado e de língua afiada contra quase tudo e todos. As provas estão aí todas as semanas.).

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