6ª Feira De Carnaval

Um Presidente que se gaba de ser um mediador dos afectos, nos dois principais conflitos laborais na esfera do Estado, alinha por completo com as posições governamentais e, ontem, basicamente disse aos professores que ou aceitam o que o seu amigo Costa e o Ronaldo Centeno lhes apraz “bonificar” ou ficarão sem nada, caucionando uma estratégia negocial que é uma chantagem.

O maior partido da oposição, depois de imensas hesitações, meias declarações e inegáveis confusões, atira cá para fora com a ideia de que ser o Parlamento a decidir o assunto, por via de lei, poderá ser “inconstitucional” (claro que o “poderá” faz toda a diferença se o confrontar com a evidência de não ser, embora por estes dias alguns tribunais pareçam uma extensão do velho centrão).

Os façanhudos sindicalistas, mais o partido que os reboca, depois de levarem meses a mesquinhar uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos por ser arriscada, dirigindo pelo caminho diversas suspeitas e calúnias sobre as intenções dos promotores, e por não ser o método certo de resolver as coisas – que para eles era a “mesa das negociações” até serem politicamente sodomizados à vista de todos – acham que agora só o Parlamento pode resolver as coisas por via legislativa.

Nas pontas, destras e canhotas, há partidos que dizem coisas e fazem nada, muito felizes por ainda existirem.

O Carnaval é sempre que esta malta quiser e são anos seguidos disto, connosco a fazer de espectadores e nem sequer ter direito a bailarinas semi-desnudas que o frio do Inverno está escasso e as temperaturas andam pelo tépido.

Não, não farei parte de qualquer outro desfile carnavalesco, muito menos com argumentos do tipo “esta vez é mesmo a última” ou “tem mesmo de ser porque então estás do lado deles”. Não, estou do meu lado, que deveria ser “nosso”, mas foi roubado por gente mascarada de “negociadores”.

(meninas e senhoras, desculpem o anacrónico grafismo sexista hetero, mas não é altura para me levarem a mal)

5 thoughts on “6ª Feira De Carnaval

  1. Os professores estão por sua conta e risco e não podem contar com ninguém para os acompanhar na defesa da sua causa.

    Esta é a verdade dos factos presentes, se dúvidas ainda subsistissem.

    Existem dois cenários possíveis:

    – Ou desistem e se calam para sempre ou levam até às últimas consequências, e sem vacilar, a luta por aquilo que consideram justo.

    A primeira é muito fácil. A segunda é difícil, mas é possível com união, coragem, perseverança e sentido de pertença a uma classe profissional.

    Compete a todos e a cada um decidir a opção a tomar, sendo certo que se optarem pela primeira legitimam TODAS as resoluções provenientes do ME e se optarem pela segunda podem contar com tempos conturbados e difíceis, mas com forte probabilidade de conseguirem alcançar o que pretendem.

    A segunda não é para fraquinh@s…

  2. Concordo plenamente!

    Sem dúvida “politicamente sodomizados à vista de todos”.

    Não pode haver meias palavras. Há que chamar os bois pelos nomes.

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