Dia Internacional da Mulher. Ontem, um desfile de gente muito bem intencionada em discursos sobre a violência doméstica, esperando-se que nos restantes 364 dias façam alguma coisa. Muitas mulheres a falar, poucos homens. Pareceu-me condescendente. Não chega as mulheres denunciarem a situação, pois o problema está numa parte dos homens e deveriam ser esses a pensar na melhor forma de se civilizarem enquanto “género” (porque “sexo” não se usa) para evitarem um flagelo arcaico mas que infelizmente, não é só nosso (há países teoricamente mais civilizados onde a violência doméstica ou mais simplesmente dos homens sobre as mulheres é uma realidade escondida das estatísticas), o que não desculpa nada.
Dito isto, lembrei-me de há quase 30 anos ter estudado, com a minha caríssima metade de então e agora, para a I República, a repercussão mediática do que então tinha uma outra terminologia na imprensa – crimes passionais – e como era tratada uma realidade que então fazia as primeiras páginas da imprensa “séria”, não sendo considerado tema “sensacionalista”. Eram outros tempos, em que estes assuntos, mesmos tratados no âmbito da História, eram observados com sobrolho franzido por muita gente. Alguma dela que, felizmente, parece ter mudado de atitude e agora até apareça a dizer coisas e tal, muito progressistas, em vez de – como na época – se limitarem a desprezarem tais temáticas como “coisas de maricas” [sic], como cheguei a ouvir ou a ser-me transmitido por mensageir@s apressadas em subir na escala de estima e favores da hipocrisia académica. Que andam por aí e em alguns casos com assinalável “sucesso” nas novas roupagens camaleónicas.
E é sempre nostálgico reencontrar actas que apenas policopiavam os textos dos autores, neste caso impresso numa boa e velha seikosha de agulhas que parecia uma máquina de tricotar.