Depende… Há Quem Leia Muita Porcaria… Ou Dê A Ler…

E são existir informação e formação para distinguir a semente boa da daninha, o resultado pode ser péssimo.

O problema dos chavões é mesmo esse… pode dar apenas em conversa de chacha que fica bééém no “retrato”, mas pode valer menos que zero na prática. Ou acham que a malta que faz massacres não lê? Que o problema deles é falta de leituras? Ou que o número crescente de gente que volta a acreditar na Terra plana ou que as vacinas são um complot para controlar as mentes e espalhar doenças não lê?

Não… o problema deles é lerem muita m€rd@ e acharem que é coisa boa. É a leitura em circuito fechado de cânones fechados em crenças que se auto-confirmam.

E a tolerância ou promoção do relativismo e a desvalorização do Conhecimento é a estratégia errada para combater isso.

«Quanto mais lemos, mais livres somos»

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O Ministro Que Nada Sabe, Nada Leu, Nada Viu, A Menos Que Lhe Metam Pelos Olhos Dentro!

Irra, pá! Acorda!!!

Tiago Brandão Rodrigues reagia à notícia publicada pelo semanário Expresso, segundo a qual em muitas escolas há este ano menos aulas de História e Geografia, em função da introdução da nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e também da reforma da flexibilidade curricular. “Não quero acreditar que diminuam ou menosprezem estas áreas curriculares uma vez que elas são absolutamente centrais e nós temos trabalhado para que elas possam ser centrais”, declarou.

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A Conversa De Chacha Sobre O Corporativismo

Tal como com o “populismo”, passou a abusar-se do uso do temo “corporativismo” sempre que algum governante sente que deve apresentar algum grupo profissional à opinião pública como uma associação de egoístas que só pensam nos “privilégios” da sua “corporação”. E fica por ali um “cheirinho” a Estado Novo que se definiu desde a sua fundação como um “Estado Corporativo”. Sendo que alguns desses políticos têm uma formação reconhecida em áreas como o Direito e idade para terem juízo, percebe-se que o abuso do termo é voluntário. Claro que depois há outros, malta mais nova e encarneirada, que repete os estribilhos sem nada perceber do que está a falar.

Na boa e velha Polis, Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado (ainda em papel), no seu volume II, colunas 1177-78, faz-se uma resenha da “etimologia e entendimento” do termo (sim o artigo é do Nuno Rogeiro, mas é um bom artigo) como correspondendo a um “regime de organização política que reconhece como base o agrupamento humano, segundo a comunidade dos seus interesses naturais e das suas funções sociais, tendo como consequência necessária a representação pública desses diferentes organismos. (…) O Estado corporativo funda-se, em sede teórica, não tanto num corpo dogmático de princípios como num sistema funcional de orientações práticas. Essencialmente, resume uma reacção à mundividência liberal e individualista, defendendo o primado do político sobre o económico, a subordinação dos interesses individuais e grupais ao interesse geral, a necessidade de solidariedade comunitária, a conciliação das forças do capital e do trabalho no âmbito de órgãos políticos colectivos – as corporações.”

Mas podemos sempre ir em busca do principal implementador do Estado Corporativo, Mussolini e o que o próprio dizia sobre o tema:

“Será necessário repetir ainda uma vez, que as Corporações não são um fim de si mesmas, mas instrumentos destinados a alcançar determinados objetivos? Este é já um postulado comum.

Quais são os objetivos? No interior uma organização que diminua gradual e inflexivelmente as distâncias entre as maiores possibilidades e as menores ou nulas da vida. É o que se chama uma mais alta “justiça social”.

Ou como o Código do Trabalho na Itália Fascista definia as “Corporações”:

As Corporações constituem a organização unitária das forças da produção e representam integralmente seus interesses.

Devido a esta representação integral, sendo os interesses nacionais, interesses da produção, as Corporações são reconhecidas pela lei, como órgãos do Estado. Como representante dos interesses unitários da produção, as Corporações podem ditar normas obrigatórias, sobre a disciplina das relações de trabalho e sobre a coordenação da produção, sempre que tenham sido devidamente autorizadas pelas associações coligadas.

Isto traduziu-se, em Portugal, durante o Estado Novo, na existência de um órgão – a Câmara Corporativa – em que cada corporação surgia com representantes  de patrões e trabalhadores a defenderem os interesses comuns.

Nada disto é o que aparece na retórica dos nossos políticos desmemoriados, ignorantes ou apenas adeptos de factos alternativos. Quando tentam associam os protestos laborais de professores ou enfermeiros, por exemplo, a um egoísmo de grupo que apresentam como “corporação” estão a alterar por completo o conteúdo histórico e substantivo do conceito. No Estado Novo, o “corporativismo” era o sistema encontrado para abafar a contestação social, associando empregadores e empregados numa mesma organização e as “corporações” eram a forma da sua representação comum. Num “estado corporativo” não há lugar para conflito laboral, por via da forma de organização “corporativa” dos interesses que, como se lê acima, deveriam subordinar-se ao “interesse geral”.

Paradoxalmente, são os nossos governantes actuais que, ao estarem sempre com o “interesse geral” na boca, acabam por repetir um dos chavões do regime salazarista. Alguns deles (Santos Silva, Vieira da Silva, o próprio António Costa que parece ter sido bom aluno do actual PR) sabem isso perfeitamente. Os outros, de galambas para o lado e abaixo, talvez seja mesmo só ignorância e muita formação jotista ao fim de semana, com seminários de seis horas em “ataque com argumentos falacciosos até ao enjoo”.

Não admira que considerem que a História só atrapalha e que o conhecimento seja tido como inútil. Pois serve para desmascarar a mentira permanente em que se vai vivendo.

Corporações 1936 Estado Novo

Anexo: uma tese interessante com uma boa bibliografia. Orientada por um dos principais especialistas sobre o tema no activo.

O Medo Da História

Nada como comparar a conversa do SE Costa e os seus actos. Porque ainda há quem vá em romaria a “formações” em que se prometem mundos e fundos (será “populismo”) mas depois de faz outra coisa, sempre a favor dos mesmos. E se o corte atinge a Geografia, se olharmos para o passado imediato,  no caso da História a amputação é bem maior em relação ao tempo previsto em 1991 para cumprir um programa com menos conteúdos do que agora no 9º ano, embora as aprendizagens “essenciais” o tenham deixado esquelético no 7º ano… talvez para que não se perceba nada do que a Antiguidade Clássica tem para nos ensinar sobre a ascensão e declínio dos regimes.

Escolas cortam nas aulas de História e Geografia

(…)

Os resultados do inquérito que provam que as preocupações dos docentes tinham fundamento vão agora ser enviados ao secretário de Estado da Educação, João Costa. “Foi garantido a todas as associações de professores que participaram na definição das aprendizagens essenciais que os tempos de lecionação de cada disciplina não seriam modificados. Que o que se pretendia era libertar tempo para se trabalhar com os alunos de uma forma mais dinâmica e numa lógica interdisciplinar. Ora, a situação não tem correspondido ao que a tutela nos garantiu”, lê-se no texto da petição que a APH lançou no final do ano passado, reivindicando a fixação de um número mínimo de horas.

(…)

Durante o processo de preparação da flexibilidade curricular, o próprio secretário de Estado defendeu a ideia de que havia áreas “descalças”: “História e Geografia têm muito poucas horas”, assinalou numa entrevista ao Expresso em 2017. Mas ao não cortar horas a nenhuma, não sobrecarregar mais os horários dos alunos e ainda acrescentar áreas, como Cidadania, o reforço destas disciplinas nunca foi para a frente. 

(…) 

“Na maioria dos casos, o tempo para Cidadania foi retirado à História, que ficou, no máximo, com 7 a 8 aulas (de 45 ou 50 minutos) para todo o 3º ciclo”, confirma Paulo Guinote, professor de Português e História e autor de um dos blogues mais populares na área da Educação. A APH pede que se fixe um mínimo de nove. “Só desta forma conseguiremos travar a falta de consciência histórica que os jovens revelam”, defende a associação. 

Questionado pelo Expresso, o Ministério diz que irá discutir a questão numa reunião já agendada com a APH. E garante que as ciências sociais e humanas têm um papel central nas orientações aprovadas pelo Governo.

REDUÇÃO VEM DE TRÁS 

A verdade é que a redução de tempos para a História não é de agora. A reforma curricular de 2001, do Governo de António Guterres, acrescentou áreas ao horário dos alunos (Estudo Acompanhado, Área de Projeto e Formação Cívica) e cortou a Português e Matemática, mas também a História e Geografia. Os cortes acabaram por ser revertidos por Nuno Crato, que optou por eliminar as áreas curriculares antes criadas. A última revisão, já deste Governo, voltou a dar e baralhar, dando mais autonomia às escolas para organizarem o currículo e a forma como ensinam, juntando cadeiras e apostando mais em projetos interdisciplinares, por exemplo. 

“No caso da História, a redução (entre 1989 e 2018) foi de um total de 450 para 315 minutos. É substancial”, critica Paulo Guinote. “As perdas são determinantes no trabalho que se pode fazer na aula, na profundidade e na continuidade que se pode dar aos conteúdos”, assinala Elisabete Jesus, professora de História e autora de manuais escolares. A gestão tornou-se mais complicada quando o programa da disciplina se mantém desde 1991 e ainda foi aumentado com dois temas da história recente.

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