Uma Demissão Na Continuidade?

Manter-se Pedro Santos Guerreiro como colunista significará o que eu penso? Quanto ao resto, é apenas algo mais normal do que parece.

A saída de Pedro Santos Guerreiro da direção do Expresso acontece depois do editor de política, Vítor Matos, ter pedido a demissão do cargo.

Pedro Santos Guerreiro já anunciou esta manhã à redação a sua decisão, disse fonte do jornal à Lusa.

De acordo com outra fonte da redação, a demissão de Vítor Matos “foi a gota de água” numa relação conturbada entre a direção e a redação do Expresso.

Vítor Matos pediu a demissão na segunda-feira à noite na sequência de um conflito com Pedro Santos Guerreiro, depois deste ter publicado um artigo feito por vários membros da redação e assinado em nome do editor de política do Expresso.

Estava prevista para hoje uma reunião do Conselho de Redação do jornal para discutir o assunto, mas Pedro Santos Guerreiro antecipou-se e demitiu-se.

Pelo menos um membro da direção do semanário pôs o lugar à disposição, segundo fonte do jornal.

A Impresa espera encontrar uma solução muito em breve para a sucessão de Pedro Santos Guerreiro. 

De acordo com a dona da SIC, “a nomeação de Ricardo Costa para assumir interina e transitoriamente a direção do Expresso foi feita tendo em conta o conhecimento que tem do jornal [integrou a sua direção entre 2009 e 2016], e pelo facto das redações do Expresso e da SIC partilharem o mesmo espaço”.

Pedro Santos Guerreiro manterá uma ligação com o jornal, como colunista, referiu o grupo, no comunicado.

ondas

O Ódio É Humano (E Ancestral)

Infelizmente ou não. Agora parece querer dar-se a entender que a internet é a promotora de um “discurso do ódio”, quando ele tem origem humana, sempre existiu e, infelizmente, em épocas bem mais arcaicas conduziu a um número de mortes incomparavelmente maior em populações mais reduzidas. A tentativa de sacudir as responsabilidades por um fenómeno que só tem de novo o meio e a rapidez de multiplicação, paralela à própria aceleração do tempo que vivemos e ao aumento da população e das zonas (geográficas, políticas, religiosas, emocionais) de fricção, deixa-me sem perceber se quem assim age o faz por ignorância do passado ou deslumbramento com o presente. Sim, os boatos espalhavam-se de forma mais lenta no passado, com um impacto meramente local ou regional durante dias, semanas, talvez meses. Mas a ignorância era bem maior e o nível de fanatismo dificilmente seria menor no tempo das Cruzadas do que é agora. Ou durante as guerras da religião na Europa. Ou durante o sangrento século XX pré-internet.

O “discurso do ódio” está longe de ser a novidade. Apenas se deslocou para o meio de comunicação mais específico deste tempo. O “ódio” em si é humano, não é tecnológico. Sem a internet, o ódio racial seria menor? No Ruanda dos anos 90 do século XX havia banda larga? O Goebbels usava o whatsapp? A Inquisição espalhava a sua mensagem pelo twitter? Os gulags foram uma criação de que versão do facebook? O racismo e a xenofobia nasceram com os smartphones?

O ódio é humano. Gostemos ou não. Infelizmente. Tomara que se fique por palavras mal escritas em disputas idiotas nas “redes sociais”. O problema é quando a intolerância se torna acção e a violência salta para o mundo real. A baboseira digital é apenas isso e só se torna verdadeiramente perigosa quando quem a promove já era perigoso. Enquanto tecla não dispara, não esfaqueia. Enquanto vomita ofensas à distância estamos bem. O problema é quando nos cruzamos em carne e osso com ele. Quando o ódio é mais do que verbo mal conjugado. O bom e velho ódio que massacrou milhões de pessoas em qualquer época à escolha nos últimos século. Milénios. Ódio ao mais alto nível, quantas vezes de pessoas com esmerada educação e belas maneiras à mesa.

O mundo seria melhor sem as “redes sociais”? Depende. Seria certamente melhor sem gente estúpida e mentirosa. Ao mais alto nível. Mas parece que a sua proporção no total global insiste em não descer. Ao mais alto nível.

A internet não estupidifica. Apenas demonstra a estupidez que já existia.

keepcalm

(ainda há tão pouco tempo se elogiavam as “primaveras” possíveis graças a essas mesmas redes sociais e se acreditava que poderiam trazer uma renovação à democracia...)

Comunicado De Florbela Mascarenhas, Presidente da DIPROF

Comunicado

Caros colegas

Na qualidade de Presidente da Diprof e fundadora do Movimento “ Pelo Respeito e Dignidade da Profissão de Docente”, urge em defesa dos mesmos, esclarecer alguns aspetos.

Como é do vosso conhecimento, fui vítima de uma ignóbil e criminosa apropriação de imagem no FB, por parte de um indivíduo que dá pelo nome de Carlos Marques e em cuja foto de perfil, se vê uma “EB23”, indiciando tratar-se de um docente.

A censurável atuação do sujeito em causa, está a ser objeto das medidas adequadas à reparação do meu bom nome e Dignidade, assim como da associação a que presido e que foi alvo de notícia falseada. Continuarei, como até aqui, a lutar pela Dignificação da Profissão de Docente.

Como é do conhecimento de parte dos colegas, assumi pela 2ª vez o cargo de Presidente da DIPROF, associação da qual sou membro fundador e pela qual nutro profundo respeito e sentido de responsabilidade. A par desta função e no interregno entre as 2 nomeações, mais precisamente, após a minha demissão, e porque urgia continuar a trabalhar as questões fraturantes relativas à carreira Docente e ao Ensino, constituí o Movimento “Pelo Respeito e Dignidade da Profissão de Docente”, do qual muito me orgulho e que tem primado pela insistência da criação de um crowdfunding de forma a possibilitar uma greve prolongada e sem precedentes, mas que se pretende não ser penalizadora para os colegas que a ela aderirem.

Após contacto com vários sindicatos, apenas o STOP se mostrou recetivo ao mesmo, demonstrando sempre total apoio aos Professores nas suas preocupações e expectativas. Acresce ainda o meu desejo de que o Douto jurista, Dr. Garcia Pereira, nos possa representar nas reivindicações que pretendemos ver justamente solucionadas. Estas duas atividades( DIPROF/ Movimento) constituem atividades e processos completamente estanques quer na sua génese, quer na atividade desenvolvida.

Se por um lado a DIPROF constitui uma associação com o objetivo único de promover todo o trabalho inerente à criação da Ordem, o Movimento procura a resolução das questões atuais e prementes no que concerne à carreira Docente. As 2 realidades são completamente estanques e distintas. Após a minha segunda nomeação para o cargo de Presidente da Diprof, em momento algum me foi solicitado a demarcação do Movimento que criei, reitero, após a minha demissão da DIPROF.

Em relação ao Movimento e apesar de o número de membros não ser significativo do que pretendemos, foi criado a 8 de janeiro deste ano e conta já com 946 membros. Digo que não é significativo porque desde o início que tenho insistido e solicitado que apenas entrem os colegas que pretendam trabalhar no projeto, logo não faz sentido a entrada de quem não pretende colaborar, no entanto a aderência tem sido exponencial.

Acredito veementemente que ambos os projetos podem e devem existir, não havendo qualquer ingerência no propósito de cada um deles. Relativamente à questão da Reunião marcada para dia 23, esta, logo que tomámos conhecimento que iria ser realizada uma manifestação para esse mesmo dia, a mesma foi desmarcada, após consulta aos órgãos sociais, conforme se constata no post do “Iniciativa para uma Ordem dos Professores”. A informação veiculada na montagem da foto usurpada é falsa e pretende apenas lançar a confusão e prejudicar quer a minha pessoa quer a Associação referida.

Finalizo repetindo que estes ataques execráveis surtem precisamente o efeito contrário nas pessoas a quem são dirigidos. No que me toca, muito me apraz saber que sou uma voz incómoda e atentamente seguida principalmente por quem pretende destruir e denegrir quer o Ensino em Portugal, quer a Classe Docente. Quem me conhece sabe que não desistirei e que pretendo lutar e ser uma voz ativa naquilo em que acredito.

O meu obrigado aos colegas que pacientemente me leram neste extenso comunicado mas que a gravidade da situação obrigou a que assim fosse. Juntos faremos a diferença.

Florbela Mascarenhas

Presidente da Diprof e Fundadora do Movimento “ Pela Respeito e Dignidade da Profissão de Professor”

exclama

5ª Feira

Dia de começarem a trabalhar as máquinas oficiais e oficiosas de fake news e opiniões adjacentes sobre o “corporativismo” docente. E as de combate a todo o tipo de divergência em relação à ortodoxia plataformista.

HisMastersVoice