3ª Feira

Se os alunos do ensino profissional poderão chegar à Universidade sem exames, o que andam os outros alunos do Secundário a fazer? A mensagem é clara… no próximo mandato acabarão os exames do Secundário ou muitos alunos migrarão da via científico-humanística para a profissional para não terem grandes chatices. O problema é que as Universidades ainda com algum decoro e desejo de ter estatuto e prestígio (inter)nacional farão provas de acesso, entregues a gente que não faz qualquer ideia do que é um Ensino Secundário sem regulação externa, e veremos então que o fim de exames é uma daquelas decisões mesmo à medida dos interesses paradoxais do ensino secundário privado e de um ensino superior e politécnico em saldos, que anda cada vez às moscas, por falta de clientela sem este tipo de truques.

Querer apresentar isto como uma medida “progressista” ou em defesa da “Escola Pública” é de uma imensa hipocrisia porque será mais uma peça (não a última, há sempre mais) para a tornar em definitivo uma escola de segunda escolha. Claro que isto será feito sem que qualquer dos decisores tenha na altura descendência a sofrer as suas decisões, um porque não tem, outra porque já decidiu há muito que o privado é que é bom e outro porque já despachou os seus a tempo e o caos se pode instalar sem perigo de salpicos. E é bom que isto fique claro e não encoberto, porque os factos são o que são e são estes.

Mediocridade

(vai ser giro ver alguns daqueles colegas que se afirmam “professores do Secundário” a ter de aguentar turmas que ficarão sem qualquer tipo motivação especial para se comportarem e terem um desempenho minimamente aceitável, até porque as escolas e professores terão metas de “sucesso” a cumprir, façam os alunos o que fizerem)

12 thoughts on “3ª Feira

  1. A ESCOLA “atada de pés e mãos” e gerida por tansos ou velhacos…
    Concordo a 100%, Paulo.
    Senhor ministro, o tédio gera indolência e, depois,gera indisciplina e violência… Será isso que pretendem?

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  2. Esta medida trata da sobrevivência de escolas superiores, politécnicos e afins, que foram plantadas sem racionalidade e agora se veem sem alunos, sobretudo devido à baixa natalidade. Sejamos sinceros, isto é a continuidade da escolaridade obrigatória de 18 anos, que transformou o ensino secundário profundamente desigual e injusto. Com a falácia de que era preciso dar respostas aos alunos que não queriam seguir para o superior, criaram-se vias facilitadas pelas quais passam alunos que são quase analfabetos funcionais em termos de literacia verbal e escrita. Agora o problema chegou ao superior, que precisa desesperadamente destes alunos. Claro que isto coloca os estudantes, que têm ambição de ingressar em cursos exigentes, numa situação de clara desigualdade, se tiverem de ficar sujeitos a 3 ou 4 exames nacionais, para se poderem candidatar ao superior. Desaparecerão os exames para todos e, depois, veremos da (in) justiça dos critérios de seleção das universidades que ministram os cursos mais procurados. Uma palhaçada decidida em cima do joelho, sem discussão pública, sem análise ponderada, enfim, normal numa república, cujo “conselho de ministros parece uma ceia de Natal”.

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    1. Correção:
      “transformou o ensino secundário num sistema profundamente desigual e injusto”;
      “analfabetos funcionais em termos de literacia verbal oral e escrita”

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  3. O 10º ano já é um caos, Paulo. Depois, lá vai havendo uma melhoria. Mas os alunos estão centrados essencialmente em Matemática, Bio/Geo e F/Q A, as específicas para Medicina. Os cursos de Humanidades têm algumas honrosas excepções. Já há muito que o Secundário não é o que era, pois há disciplinas sem exame nacional.
    Depois , há as escolas públicas de elite/s.
    Haverá sempre excelentes alunos . A maioria será sempre medíocre, mas não foi sempre assim?
    Queria era poder reformar-me com algumas saudades do que ainda se vai fazendo

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  4. O 10º ano já é um caos, Paulo. Depois, lá vai havendo uma melhoria. Mas os alunos estão centrados essencialmente em Matemática, Bio/Geo e F/Q A, as específicas para Medicina. Os cursos de Humanidades têm algumas honrosas excepções. Já há muito que o Secundário não é o que era, pois há disciplinas sem exame nacional.
    Depois , há as escolas públicas de elite/s.
    Haverá sempre excelentes alunos . A maioria será sempre medíocre, mas não foi sempre assim?
    Queria era poder reformar-me com algumas saudades do que ainda se vai fazendo

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  5. Para meu grande espanto, estou cada vez mais velho. Preciso, pois, de menor carga de trabalho, dado o cansaço que vai acompanhando o envelhecimento.

    Acabem lá com os exames nacionais. Cada teste que tenho de corrigir demora um “ror” de tempo, nomeadamente do ensino secundário. Com o fim daqueles, uma folheca com 15 ou 20 escolhas múltiplas cumprirá dois objetivos: demorarei com todos os testes o tempo que um só me ocupa hoje e o sucesso dos alunos disparará.

    Venha lá isso!

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  6. Para além daquilo que o Paulo escreveu e também do que li em comentários ao post (pertinentes e realistas), lembrem-se que o ensino profissional é financiado pelo POPH. Não é preciso dizer muito mais, certo?

    Uma vergonha!
    Um país governado por gente sem escrúpulos.

    Enfim… Pelo menos temos do nosso lado o bom tempo (sempre vai ajudando a aguentar o trabalho e afins).

    Votos de boa semana para todos. ☀️

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  7. Quando, num futuro próximo, a classe política começar a ser atacada por estas gerações que estão a deseducar talvez se arrependam. Por mim, já há muito que estou assustada e, acima de tudo, cansada de tanto tentar convencer os alunos de que vale a pena estudar, quando na realidade o «(mini)estério» – é mesmo assim, mini! – arranja sempre forma de passar os meninos, ensinando-lhes que nem precisam de se esforçar. Os cenários futuros serão um mundo de possibilidades: os diplomas começarão, também, a sair em sorteios do (mini)estério da educação, quem sabe, às segundas feiras, no final do jornal da noite, para os alunos que mais se dedicarem a não fazer mesmo nada. Quanto aos outros, se tiverem sorte, algum país civilizado lhes dará emprego. Outros farão parte da grande família do governo. Isto é triste… muito triste… Estou cansada… Nem sei por que razão alguns professores (nos quais me incluo) ainda estão carregados de testes e trabalhos para corrigir? Afinal, se pensarmos bem, é só preencher grelhas da treta e deixar os meninos em paz. Mas… eu continuo a tratar os meus alunos com respeito, portanto, continuarei a dar e a exigir, enquanto ainda me for possível. Veremos até quando?

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