Atinge-se O Delírio…

… quando alguém como o Pedro Adão e Silva consegue dizer (TSF, Bloco Central) que a questão das relações familiares no Governo se deve em grande parte à chegada de mais mulheres à vida política e que a polémica se deve ao facto de ser a “mulher de” ou a “filha de” a estarem em causa. Depois lá bateu parcialmente em retirada quanto ao que tinha dito, mas… o spin chega a este nível de “sofisticação”.

Minion

Inovação/Tradição?

Há governantes muito preocupados com a necessidade de abordar temáticas de género, com os alunos do Ensino Básico, achando que isso é uma espécie de alternativa ao ensino tradicional de disciplinas (enciclopédicas) como a História, cuja carga horária mirra a cada plano quinquenal do ME.

Só que eu posso tratar esses assuntos, de forma até bastante aprofundada, na arcaica e enciclopédica História se me deixarem abordar temáticas como a aceitação (e quase exaltação) da homossexualidade na Antiguidade Clássica, desde os ambientes das escolas filosóficas gregas até aos do exército romano, passando por toda uma rica iconografia da época sobre temas tão controversos como o travestismo, a prostituição e o que podemos considerar arte erótica ou pornografia clássica.

As pesquisas no google não conseguem substituir o conhecimento humano de tais matérias, porque o algoritmo não “explica” a credibilidade dos achados ou o seu contexto. E os gadgets podem servir para descarregar os frescos dos bordéis de Pompeia ou o texto do Satiricon, mas falta tudo o mais.

Lá Consegui Achar Um JLetras

E acho que talvez tenha descoberto a razão para ele ter desaparecido tão depressa das bancas. Traz duas páginas dedicadas ao que o SE Costa teve a partilhar com a tertúlia das Inquietações Pedagógicas da ESE de Lisboa e é provável que hordas de adeptos do MEM (versão século XXI) os tenham comprado todos para emoldurar a síntese perfeita do pensamento de quem quer “indisciplinar o currículo” e outras coisas assim giras de dizer e que parecem imensamente bem.

Logo a seguir, para destoar, aqui o Velho do Restelo aparece a comentar como o actual discurso (político, educacional) esvaziou por completo de conteúdo certas palavras e conceitos que são usados fora do seu contexto e como mera membrana exterior para o vazio ou a quase completa inversão do sentido original.

Jornais E Literacia

Em boa parte das papelarias que frequento (e nem são poucas distribuídas por uns 4 concelhos aqui da margem sul), é mais fácil encontrar o Слово (Slovo, um jornal em língua russa) do que o Jornal de Letras. Porque tem vende mais e tem melhor distribuição. Pelo que continuo sem ler, em letra impressa e cheiro a papel, o que eu próprio escrevi para esta edição do JL, mas posso perguntar ao meu ex-aluno ucraniano quais são as novidades em Kiev, Minsk ou Chisinău.

Slovo

(já agora, não sei qual a poupança feita na redução drástica da gramagem do papel de muitos dos nossos jornais, mas parece-me que a maioria não se importaria de pagar mais uns 50 cêntimos para os jornais não se se desfazerem nas mãos ao menor pingo de água ou não se rasgarem à menor fricção ou rugosidade)

E Vão Aprender A Não Passar Nos Semáforos Vermelhos Ou Nas Passadeiras Para Peões Como Fazem Muitos Papás e Algumas Mamãs?

E quem fornece o “material”?

Aprender a pedalar será, nos próximos anos, obrigatório para as crianças a partir do ensino básico. A estratégia do Governo vai ao encontro de uma ideia quase consensual: a de fazer das crianças força de mudança de comportamentos. José Mendes, Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, recorda o que se passou com a reciclagem para explicar a mais recente aposta, agora no que a mobilidade diz respeito. A contaminação, esperam, será grande.

“As crianças têm uma capacidade de sensibilização enorme”, disse ao PÚBLICO. A “pedagogia” à boleia dos mais novos, que no caso da mobilidade e ambiente abarca uma quase “alteração de paradigma”, pode ser uma forma de fazer quem está à volta “copiar” comportamentos. “Todos os alunos terão a oportunidade de aprender a pedalar, num processo de formação faseado ao longo dos vários níveis de escolaridade”, lê-se na Estratégia Nacional para a Mobilidade Activa apresentada nesta quinta-feira. No 1º ciclo as aulas serão em contexto protegido, nos 2º, 3º ciclos e secundário haverá uma passagem para o espaço público.

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(eu aprendi ali pelos 5 anos em ambiente não protegido com o meu pai a ajudar, dando uns tombos quando olhava para trás e ele estava a rir-se depois de me ter largado… sou mesmo velho… mas compreendo, é tempo de ultrapassar o mesozóico das funções familiares)