E Vão Aprender A Não Passar Nos Semáforos Vermelhos Ou Nas Passadeiras Para Peões Como Fazem Muitos Papás e Algumas Mamãs?

E quem fornece o “material”?

Aprender a pedalar será, nos próximos anos, obrigatório para as crianças a partir do ensino básico. A estratégia do Governo vai ao encontro de uma ideia quase consensual: a de fazer das crianças força de mudança de comportamentos. José Mendes, Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, recorda o que se passou com a reciclagem para explicar a mais recente aposta, agora no que a mobilidade diz respeito. A contaminação, esperam, será grande.

“As crianças têm uma capacidade de sensibilização enorme”, disse ao PÚBLICO. A “pedagogia” à boleia dos mais novos, que no caso da mobilidade e ambiente abarca uma quase “alteração de paradigma”, pode ser uma forma de fazer quem está à volta “copiar” comportamentos. “Todos os alunos terão a oportunidade de aprender a pedalar, num processo de formação faseado ao longo dos vários níveis de escolaridade”, lê-se na Estratégia Nacional para a Mobilidade Activa apresentada nesta quinta-feira. No 1º ciclo as aulas serão em contexto protegido, nos 2º, 3º ciclos e secundário haverá uma passagem para o espaço público.

baby-on-bike

(eu aprendi ali pelos 5 anos em ambiente não protegido com o meu pai a ajudar, dando uns tombos quando olhava para trás e ele estava a rir-se depois de me ter largado… sou mesmo velho… mas compreendo, é tempo de ultrapassar o mesozóico das funções familiares)

12 thoughts on “E Vão Aprender A Não Passar Nos Semáforos Vermelhos Ou Nas Passadeiras Para Peões Como Fazem Muitos Papás e Algumas Mamãs?

  1. Parece uma menina numa bicicleta,enorme, de rapaz.
    Há dias, foi feito um inquérito sobre se as vestimentas de rapazes e raparigas deveriam ser todas em unisexo.
    No caso das bicicletas,a delas deveria ser a norma ( desculpem os penduras)

  2. “Quem fornece o material” é a pergunta fundamental! Mal sabiam os pedagogos da primeira República no que o seu sonho se viria a tornar! Bem sei, quando se sonha nunca se sabe quando este se muda em pesadelo! Desse a História dinheiro e o conto seria outro!

    1. Acontece… mas se fosse um leitor atento teria percebido que sou um fã antigo do “Velho”.
      https://www.ffms.pt/artigo/667/o-velho-do-restelo-pioneiro-da-antiglobalizacao
      (repito sempre que não sou “professor universitário” quando faço a ligação para este artigo)

      O artigo é de 2013, quando o Umbigo ainda existia, portanto, quanto muito, seria um leitor ocasional 🙂

      Aliás, com esse nick ou mail não aparece em qualquer comentário do Umbigo (está tudo guardado nos arquivos aqui do velhadas), pelo que, porventura, nem isso.

  3. ‘It’s business,stupid.”
    Já temos o lobby das trotinetes e das bicicletas a funcionar!
    Qual é o valor do envelope?
    Lembram-se do Magalhães? Da Venezuela? Já devem ir umas quantas a caminho de Maduro.

  4. E vão pedalar por onde? As cidades foram engolidas pelos automóveis. Os meninos de bem vão de “papa-reformas” para o colégio. Os transportes públicos são uma dor de cabeça , não era melhor começar por aqui?

  5. O facto de ter sido leitor assíduo não implica o pressuposto da participação em comentários, nem a obrigação de ter lido todos os posts colocados pelo autor.
    O meu desabafo está relacionado, sim, com a sensação que tenho da generalização, que parece latente no atual blog, de que tudo o que se propõe ou se tenta implementar é mau e nefasto.
    E não, não sou sindicalizado, não sou filiado ou simpatizante de partidos políticos.
    Sinto que muita coisa que tem sido feita foi mal pensada, mal implementada.
    Também sou da opinião que os professores têm sido maltratados! Por todos os quadrantes políticos.
    E muito mal representados, por todos os sindicatos!

    1. Não lhe imputei qualquer filiação organizacional.

      Se estou contra o que tem vindo a ser implementado? Sim, porque na maior parte dos casos se percebe que é um projecto de desvalorização do conhecimento no currículo e de degradação da qualidade da Escola Pública com base na tomada de assalto desse mesmo currículo por modas tecnológicas e estilos de vida.

      Se eu sou contra o uso de tecnologias e de temas “fracturantes” ou mais modernos?
      Nada disso, muito pelo contrário.

      Bastaria assistir a uma parte das minha aulas.
      Só que eu faço isso num contexto que não se deixa desvanecer por retóricas com fraca substância.

      Exemplos: porque é que aprender a pedalar não pode fazer parte de um clube de actividades extra-curriculares?
      Ou aprender a nadar.
      Ou aprender a dançar.
      Ou aprender tanta outra coisa.

      O que acho é que este discurso de “inclusão” e “sucesso” encobre uma triste fancaria intelectual e uma pobreza aterradora ao nível dos conceitos.

      Nesse aspecto, alinho com o Carlos Fiolhais na análise.

      E lamento que se queira impor a posição de alguns grupos de pressão (caso de EF) com escolas e agrupamentos sem um mínimo de condições para o efeito.
      E lamento ainda mais que os muitos alunos “NEE”, a finalizar o 2º período, ainda andem a funcionar como cobaias de novas papeladas e labirintos burocráticos.

      1. Essa crítica, como a associação a um espírito de “Velho do Restelo” parte, em regra, de pessoas ligadas ao MEM que, em termos pedagógicos defendem uma ideia de “inovação” com mais de um século.
        O mesmo se passa com defensores de uma “inclusão” atirada para as escolas em versão beta.
        Pobres alunos.

      2. Sou professor desde 1987.
        O meu pai também foi professor.
        Compreendo o desalento da nossa classe. No entanto, sinto, e os sinais são mais que muitos, que a educação em Portugal tem melhorado e progredido desde sempre.
        E em educação não há receitas, há que ter a ousadia de inovar e de utilizar os enquadramentos legais, organizacionais, e outros que tais, para iinduzir a mudança que se exige, For the times they are a-changin’.

  6. testerpmc

    Eu também dou aulas desde 1987.
    Os tempos estão a mudar desde essa altura.
    O que lamento é que se esteja a discutir o “século XXI” com ideias do século XIX e não se admita isso.
    Tenho escrito – e não pouco – que os resultados dos alunos portugueses têm melhorado e que o discurso catastrofista que justifica reforma sobre reforma é falaccioso.

    Mas temo que isso (progressos mensuráveis) esteja em risco e que, mais grave, se esteja a preparar a eliminação de todos os instrumentos que permitam análises diacrónicas.

    O fim das provas finais do 6º ano foi um erro crasso e a criação das provas de aferição, tal como estão a ser aplicadas, uma desnecessária excrescência no calendário escolar.

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