Os Extremos Tocam-se E Titilam Em Sintonia

Uma parte da esquerda não gosta de exames e anda a preparar o caminho para que eles terminem, tendo mesmo já anunciado que o acesso ao Ensino Superior por parte de alunos dos cursos profissionais se faça sem passar por eles. Umas quantas instituições públicas e privadas em risco de definhar aplaudem com ambas as mãos.

Agora é uma parte da direita que vem dizer que a média do Secundário não deve contar para o acesso à Universidade. Umas quantas instituições de “topo” e bem colocadas nos rankings internacionais, com todo o interesse em seleccionarem a clientela , afastando “indesejáveis”, sem interferências exteriores aplaudem com ambas as mãos.

É curioso como certa esquerda e certa direita acabam por coincidir em medidas que irão menorizar o Ensino Secundário, transformando-o em apenas mais três anos de um Básico enorme, sem qualquer tipo de motivação extra para quem apenas está lá a passar tempo, ao mesmo tempo que se vai cristalizar de forma mais evidente um Ensino Superior “Dual”. Um para aqueles que lá entrarão sem qualquer tipo de exigência especial que não seja preencherem as vagas a concurso e produzirem estatísticas de frequência universitária e outro a que só acederão os que terão os meios, motivação e contactos certos para entrar nas instituições que se queiram mais exclusivas.

Isto não é a democratização do ensino superior, é a legitimação de um sistema fortemente desigual, em que, curiosamente todos terão o que pretendem, desde os que acham que serve qualquer canudo aos que sabem que só servem certos canudos, passando pelas instituições que aceitarão qualquer um para sobreviver aos que só aceitarão aqueles que lhes dêem garantias de manter o seu nível.

Quem disse que esquerda e direita (minúsculas) não acabam por ter estratégias e objectivos convergentes? Todos salvando as respectivas clientelas académicas, mas embarretando apenas os do costume?

Barrete

12 thoughts on “Os Extremos Tocam-se E Titilam Em Sintonia

  1. A educação ao serviço da política dá nisto, não há inocentes na chafurdice educacional…Votos, é o que se pretende, satisfação de clientelas. A desigualdade é social e desemboca na escola, a escola nunca conseguirá com pleno sucesso eliminá-la, enquanto o elevador social funcionou a escola era determinante, mas o mundo mudou…
    A justiça equitativa obriga a que se dê um diploma a todos, o que farão com ele, dependerá de muitas variantes, todas elas pouco equitativas.
    Haverá os canudos massificados e os outros… É preciso retirar o acesso a estes da escola, porque isso torna a escola desigual e injusta, dizem os flexibilizadores. Acederão aos cursos mais procurados os que tiverem dinheiro para pagar conhecimento e influência. Quem perderá? Os mesmos de sempre, com maior injustiça para os que, sendo pobres, tinham na escola o único meio de aceder com mérito aos cursos mais procurados.
    Triste e vergonhoso é ler os flexibilizadores a defenderem que é a cultura da nota que gera desigualdade na escola, empurrando os alunos para explicações e colégios privados elitistas, será que pensam que os melhores cursos, aqueles que residualmente ainda permitem o sonho com uma carreira, vão escolher os alunos com base na declaração de pobreza?

  2. Assim sendo, para quê fazer avaliações até ao 12.° ano?

    Mais: para quê perder tempo a ensinar?

    Estou velho já, pelo que estou por tudo.

  3. Nunca pensei que conseguissem tanta coisa e em tão pouco tempo! Vão de vento em popa! Tudo em nome de um ensino para todos! Agora que já quebraram a espinha aos professores e que os mais críticos estão de saída, que têm um modelo de gestão perfeito(nem há limite de mandatos! Há directores no cargo vai para 20 anos!), o caminho está livre. Falta alterar a carreira docente. É já a seguir. Só falta pôr no papel, porque já estão quase todos parados. Demorou um pouco, mas agora é rápido. Em catadupa. E os exames são caros! CDS e PS, a nova coligação? Nova, quer dizer, a próxima?

    1. Curioso que até os presidentes de câmara, que são de facto eleitos, estão limpando tamis a três mandatos e quando a lei dnttoh fim vigor qucm estivesse a exercer contava já 1.
      Estes comissários políticos são “eleitos” num processo salazarento, têm disponíveis 4 mandatos (mais que qualquer outro cargo) e os que já lá estava começaram do zero!!!!!
      A famigerada mlr garantiu-lhes o tacho até ao fim da vida e eles pagam com perseguições aos zecos.
      Nota: a famigerada nunca mais aparece na necrologia…

    1. Não fale mal do senhor psôr Marcelo, que é muito bem vestido e ainda é primo da Bibá e do tio Francisco, gente muito bem e temente a Deus . Seu maltrapilho.

  4. A propósito desta dita “inclusão” já há muitos colegas que não querem os filhos na escola pública. Há situações de um caricato absoluto. Diria, trágico. Onde se faz de conta que se inclui, não se incluindo nada porque às vezes não é mesmo possível, e toda a gente sabe que é assim e se vai dizendo que não, que isto e fantástico, a verdadeira inclusão. A que exclui todos de tudo: do direito ao silêncio na sala de aula e da qualidade do ensino ; do direito à diferença e ao respeito que esta nos deve merecer.
    Assim, todos a fingir que somos iguais. Mentindo, mentindo.
    E atraiçoando a dignidade que devíamos ser e a dos outros.

    1. Inteiramente de acordo, Maria. Tenho denunciado essa mentira nos conselhos de turma. Toda a gente sabe que se anda a brincar ao faz de conta para no final passarem os meninos. Para já, e enquanto me for possível não tenho embarcado nestas palhaçadas.

  5. Como eles se entendem bem.
    Ainda que com diferente argumentação, ambos pretendem uma massa de gente obediente, sem grande saber que lhes confira capacidade crítica, facilmente manipulável, pouco exigente, controladora do igual desgraçado do lado, pronta a tudo para ter pouco e satisfeita com a sua miserabilidade um pouco menor que a do vizinho.
    Teoria da conspiração? – Não! Está em curso e de forma cada vez mais acelerada!!!

    Quando se pensou que entre professores a resistência seria maior eis que afinal, a maioria comporta-se como um rebanho, acagaçado e/ou indolente e subjugado à indiferença de quem já está prestes a sair e não tem filhos ou netos para isto ( e se tem netos já estará à procura do privado que aposta na exigência e qualidade do conhecimento).
    Quantos professores quereriam os seus filhos nesta escola? Sempre que os ouvia defender estas teorias da treta…tinham os seus nos colégios …

    Pois … o que é bom para os outros nem sempre o é para os nossos.
    Quando, a todos os níveis, as nossas opções e posteriores decisões passassem por uma resposta a uma pergunta simples: “é isto que quero para os meus?”, … o caminho seria muito diferente.

  6. Eu também tenho sentido a falta do Magalhães…

    Espero que ele volte brevemente a aparecer por aqui, porque faz falta neste quintal.

    De qualquer modo, mando-lhe um abraço amigo e votos de melhoras! 🌻🌻

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