Lá Consegui Achar Um JLetras

E acho que talvez tenha descoberto a razão para ele ter desaparecido tão depressa das bancas. Traz duas páginas dedicadas ao que o SE Costa teve a partilhar com a tertúlia das Inquietações Pedagógicas da ESE de Lisboa e é provável que hordas de adeptos do MEM (versão século XXI) os tenham comprado todos para emoldurar a síntese perfeita do pensamento de quem quer “indisciplinar o currículo” e outras coisas assim giras de dizer e que parecem imensamente bem.

Logo a seguir, para destoar, aqui o Velho do Restelo aparece a comentar como o actual discurso (político, educacional) esvaziou por completo de conteúdo certas palavras e conceitos que são usados fora do seu contexto e como mera membrana exterior para o vazio ou a quase completa inversão do sentido original.

Jornais E Literacia

Em boa parte das papelarias que frequento (e nem são poucas distribuídas por uns 4 concelhos aqui da margem sul), é mais fácil encontrar o Слово (Slovo, um jornal em língua russa) do que o Jornal de Letras. Porque tem vende mais e tem melhor distribuição. Pelo que continuo sem ler, em letra impressa e cheiro a papel, o que eu próprio escrevi para esta edição do JL, mas posso perguntar ao meu ex-aluno ucraniano quais são as novidades em Kiev, Minsk ou Chisinău.

Slovo

(já agora, não sei qual a poupança feita na redução drástica da gramagem do papel de muitos dos nossos jornais, mas parece-me que a maioria não se importaria de pagar mais uns 50 cêntimos para os jornais não se se desfazerem nas mãos ao menor pingo de água ou não se rasgarem à menor fricção ou rugosidade)

E Vão Aprender A Não Passar Nos Semáforos Vermelhos Ou Nas Passadeiras Para Peões Como Fazem Muitos Papás e Algumas Mamãs?

E quem fornece o “material”?

Aprender a pedalar será, nos próximos anos, obrigatório para as crianças a partir do ensino básico. A estratégia do Governo vai ao encontro de uma ideia quase consensual: a de fazer das crianças força de mudança de comportamentos. José Mendes, Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, recorda o que se passou com a reciclagem para explicar a mais recente aposta, agora no que a mobilidade diz respeito. A contaminação, esperam, será grande.

“As crianças têm uma capacidade de sensibilização enorme”, disse ao PÚBLICO. A “pedagogia” à boleia dos mais novos, que no caso da mobilidade e ambiente abarca uma quase “alteração de paradigma”, pode ser uma forma de fazer quem está à volta “copiar” comportamentos. “Todos os alunos terão a oportunidade de aprender a pedalar, num processo de formação faseado ao longo dos vários níveis de escolaridade”, lê-se na Estratégia Nacional para a Mobilidade Activa apresentada nesta quinta-feira. No 1º ciclo as aulas serão em contexto protegido, nos 2º, 3º ciclos e secundário haverá uma passagem para o espaço público.

baby-on-bike

(eu aprendi ali pelos 5 anos em ambiente não protegido com o meu pai a ajudar, dando uns tombos quando olhava para trás e ele estava a rir-se depois de me ter largado… sou mesmo velho… mas compreendo, é tempo de ultrapassar o mesozóico das funções familiares)

A Borrasca A Caminho

Depois de anos em que ficavam dezenas de milhar de professores por colocar, apesar da tão sublinhada regressão demográfica, temos uma escassez substancial de professores em alguns grupos de recrutamento graças às brilhantes políticas desenvolvidas em 15 anos de “economias de escala”, “racionalização financeira” e estupidez a galope.

(e nem sempre é bom demorarmo-nos muito a analisar as razões e qualidade de alguns retornos à docência, porque podem ferir-se susceptibilidades)

Claro… agora dizem que quase só querem ir para cursos de formação de professores alunos com médias baixas de conclusão do Secundário.

Como que por acaso, surge a ideia do acesso à Universidade sem exames por parte dos alunos provenientes dos cursos profissionais, aqueles que se dizia serem indispensáveis para qualificar a população portuguesa e dar resposta a “quem não quer ir para a Universidade”.

Mas parece que agora já querem. Ora… há por aí umas instituições e uns cursos às moscas… de formação de professores, por exemplo.

(não se esqueçam de misturar um desejo imenso do poder político ter uma classe docente domesticada, feliz por ter um pão para a família e uma carreira a fingir, e sem o “elitismo” de defender um grande conhecimento científico disciplinar…)

É só unir os pontos. Se conseguirem, claro, que é difícil… possivelmente só com “formação” em “sucesso” e “flexibilidade (cortesia da drª ariana e do dr verdasca se ainda estiver no activo) depois de mestrado bolonhês.

dots

Quanto Aos Incêndios De Início de Primavera…

… algum começou ou se propagou por existir uma árvore à beira da estrada ou com a  copa a menos de x metros de uma casa?

Depois de uma ano com sorte, este é capaz de ser complicado e a prevenção por cá não passa pela detecção precoce dos fogos, mas quase só por abater árvores, as grandes malvadas, causadoras de incêndios.

Burnout

 

5ª Feira

Há dias que começam de forma divertida. Na TSF falava-se na exigência de agora se exigir o que já deveria existir há muito: uma avaliação qualquer para o pessoal não docente das escolas. Discordo da prova de conhecimentos, a menos que o ME desconfie das habilitações que o próprio promove. Já a “avaliação psicológica” me parece interessante, nem que seja ao nível de testes psicotécnicos. O que me fez rir  brava foi pensar na “implementação”, na chamada “operacionalização”, concreta da medida.

baby

Estava A Ver Um Dos Últimos Episódios Do Friends E Lembrei-me Do PSD

A cena em que o Joey joga o cara/coroa com a Rachel, em que ela diz que “se sair caras, eu ganho, se sair coroa, tu perdes” e consegue – vá-se lá saber como – ganhar 57 vezes seguidas fez-me lembrar o que o PSD está a tentar fazer com isto da recuperação do tempo de serviço docente, prometendo nada, dando a entender que estão a prometer qualquer coisa e nós é que perdemos sempre.

Como sabem que não será aprovado nada de que discordem (cortesia do PS e da notável “responsabilidade orçamental” do PCP), podem sempre fingir que concordam com o que será chumbado, na esperança de ganharem de qualquer forma.