Inclusão Em Versão Beta

Eu sei que há quem tenha tudo feito e bem feito, a tempo e tudo. Mas uma parte muito razoável do “país educativo” ainda às voltas com a implementação do 54 e a fingir que existe um novo modelo de “inclusão”. A realidade – e não é só para “velhos do Restelo” ou idosas de Belém – é que muitos alunos antes abrangidos por uma série de medidas formalmente aprovadas andam agora atirados para as medidas “universais” e os seus casos a serem tratados de modo quase informal nos Conselhos de Turma. Mas como isto é para ter avaliação super-ultra-mega positiva daqui por uns meses, anda uma romaria de “formações” com as caras e conversas do costume a combinar a “confiança nos professores” com o “mas as escolas têm de fazer” não se percebe se apenas mais papelada e recolha de “evidências” porque o que antes era evidente agora carece de nova demonstração.

O que eu gostava é que a shôdona confap tivesse a coragem de abordar este assunto, não deixando a cnipe sozinha, pois devem ser os encarregados de educação os primeiros a querer cuidar da melhor maneira dos seus educandos e não esperar que seja apenas a boa vontade e voluntarismo de muitos professores a suprir as mais do que “evidentes” falhas de um processo com a pressa de quem quer fazer reformas à medida dos mandatos e ciclos eleitorais.

Mas parece que fingir que tudo corre bem é que está a dar.

E, claro, é pior, quando quem anda a mandar nisto e em romarias inclusivas é, na maior parte dos casos, mesmo muito ignorante em relação aos problemas concretos dos alunos e das escolas.

Verdade

 

10 thoughts on “Inclusão Em Versão Beta

    1. Há ali um ecossistema ps muito específico. Tenho uma foto de um evento recente, recolhida num mural do fb em que estava pública onde se encontram quase todos os cromos, do albino ao césar, passando pelo secretário e doutora ariana.

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  1. Paulo, uma vez mais estou inteiramente de acordo contigo, mesmo que isso incomode muitos fígados, que acham que por aqui andamos quase sempre de acordo. Escrevi isto (por outras palavras, embora também tenha dito que não sou «velho do Restelo») como resposta a uma das questões de um inquérito que me foi pedido preencher para uma tese de uma psicóloga ligada à Universidade Católica, sobre a inclusão. Já por aqui manifestei o que penso. Na escola, a mesma coisa. Como mãe de alunos que frequentam a escola pública já fui à Escola do meu filho manifestar o meu desagrado e dizer-lhes que não queremos adequações, nem medidas destas, pois incutimos nos nossos filhos o valor do trabalho, do esforço, da dedicação…(a pequena ainda está no pré-escolar). O que sinto é que nas escolas pouco se informam os Encarregados de Educação sobre tudo isto.Criticamos, mas tem-se muita relutância em mostrar verdadeiramente o que está a acontecer. Claro que há muitos EE que nem querem procurar saber e outros há que, sabendo, o que querem é que os filhos transitem a todo o custo, menos com o «custo» deles e dos respetivos filhos.Mas, pode ser que a minoria se insurja, sem estar sempre à espera que os professores façam TUDO pelos seus filhos/educandos. Só termino acrescentando um ponto ao final do teu texto: arrisco em dizer que os mentores desta «treta» têm os filhos em colégios («Olha para o que eu digo e não para o que eu faço!»).

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  2. A realidade, nua e crua, é esta: a inclusão não se efectiva por decreto. A inclusão pratica-se (ou não), independentemente dos decretos.

    E este decreto 54 não acrescentou nada de relevante ao que já existia, em termos práticos. Em termos teóricos acrescentou papéis, burocracia, infinitas reuniões de EMAEI e toda uma nova terminologia que não passa disso mesmo. Basicamente, é isto…

    Se o objectivo era modificar práticas, o 54 não o conseguiu. Felizmente as boas práticas (o que quer que isso seja) existem, e sempre existirão, mas não será certamente por causa deste ou de outro decreto…

    (E, já agora, não sou anarquista e defendo a existência de leis, mas quando as mesmas se revelam como inutilidades servem para quê?…).

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  3. Sandra e Matilde, parabéns pelos vossos comentários sensatos, pertinentes e desassombrados! Gostei!

    (Ultimamente não tenho sentido grande vontade de escrever. Não é fácil enganar o peso do dia a dia na(s) escola(s). E a vida que existe para além dela nem sempre ‘colabora’. Venha lá a curta interrupção, por favor!)

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      1. Subscrevo inteiramente!
        A inclusão não se faz por decreto e esta lei só veio acrescentar burocracia para um lado e facilitismo para o outro…

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