Balanço Breve Da Implementação do 54/2018, Após Dois Períodos De Work In Progress

São raras as pessoas com quem falo que não me confirmam o seguinte panorama:

  • Multiplicação da papelada a usar, numa espécie de “grande farra” para os grelhadores de serviço.
  • Morosidade dos procedimentos, que vão e vêm e vão e vêm..
  • Tendência para as decisões críticas serem tomadas por quem nem vê os alunos, mas apenas grelhas e outros “registos”.
  • Tendência para as decisões a aprovar serem no sentido de manter os alunos numa resposta estruturada para o médio/longo prazo, desincentivando perspectivas de alteração das soluções propostas (o que significa que se fica um bocado como estava, mudando cabeçalhos), conforme a evolução dos alunos.

Ou seja, se o pomposamente chamado “Novo Regime Jurídico da Educação Inclusiva” tinha algumas vantagens em termos teóricos – sendo as maiores uma eventual maior celeridade do processo e a possibilidade de respostas permeáveis (o tal “multinível”) dinâmicas no tempo, isso está a ser destruído no concreto devido à obsessão pela recolha e registo de “evidências” em toda uma nova panóplia de “instrumentos” para posterior análise. após a análise inicial. E este tipo de deriva é tanto maior quanto as pessoas estão mais alto na escala das “formações” dadas ou recebidas.

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(não é de estranhar que quem mais queira avançar com soluções eficazes para os alunos concretos em sala de aula sejam os “ignorantes” que leram o decreto e acreditaram em algumas coisas que foram ditas em seu redor… mas que falharam a doutrinação “inclusiva” com muitos powerpoints, flowcharts, setinhas e cruzinhas a aparecer)

(ahhh… mas não acreditem em mim… eu sou do “velho paradigma”, um “velho do Restelo” certificado por sumidades e autoridades na matéria…)

26 thoughts on “Balanço Breve Da Implementação do 54/2018, Após Dois Períodos De Work In Progress

      1. Li lá uma parte em que uma professora está muito feliz porque ao fim de 40 anos lá deu a matéria do 11º ano pela primeira vez… apetecia-me quase, quase, fazer um comentário muito sarcástico.

      2. Tu e eu.
        Para fazerem declarações dessas valia mais estar calada.
        Nos 40 anos anteriores deixou o programa a metade, pergunto eu?
        Santa paciência para esta classe, a porrada que levam nos costados destes políticos de merd@ corruptos ainda é pouco…

  1. Paulo,
    Pensei precisamente o mesmo.
    Agora, que já deu o programa todo, pode descansar. “Alguém” tem de lhe arranjar alguma coisa para fazer, não?
    Já estamos a ver o que vai acontecer de seguida, não? Professores desocupados? Ai se os srs comediantes descobrem… Ai, Ai…

  2. Desculpem a quase repetição, mas não resisto:

    “Eu dou aulas há 40 anos e nunca me tinha acontecido chegar a esta altura do ano com toda a matéria do 11.º dada. Neste ano consegui dar tudo e já estou a fazer revisões para o exame. Mesmo depois de ter faltado pelo meio!” De sorriso franco, Ana Maria Gomes é a imagem do contentamento. Primeiro porque, apesar de já ter 60 anos, diz que continua a ser muito feliz por ser professora de Biologia – “não penso em reformar-me, adoro dar aulas” -, e depois porque sente que o ambiente nas aulas ficou mais leve neste ano. “Há menos pressão, os alunos estão mais disponíveis para aprender e a verdade é que, sem dar por isso, já tenho a matéria toda dada.”

    Já conseguiu dar tudo? Já está a fazer revisões para o exame? E faltando pelo meio?
    Bom, a ser assim, das duas três: ou tal proeza só se consegue ao fim de 40 anos, ou a matéria foi dada por um super-professor na sua ausência ou consome-se muito Chocapic por lá. Não é bem isto, mas, tal como o Paulo, vou conter as lágrimas, desculpem, as palavras.J

    Já agora, outra coisa: julgo que a carga horária semanal de Biologia pode ser significativamente encurtada. Se de setembro até ao início de abril, com Natal e Carnaval pelo meio, mais umas faltitas, se conseguiu cumprir o programa e não só, para quê tanta hora até junho? 😊

    Os restantes colegas de Biologia andam a enganar-nos. 🤔 Espero que aproveitem a quaresma para se irem confessar. 🙃

    Fico feliz pela colega estar feliz. Hoje também estou um pouquinho mais feliz: também já cumpri o programa (das festas)…

    Sorry.

  3. Recuso-me terminantemente a frequentar formações que versem sobre o 54, apesar de fazer parte de uma EMAEI.
    E não é por não querer aprender ou por não ter curiosidade intelectual…

    Devo, ainda, dizer que já pensei, algumas vezes, apresentar o pedido de escusa dessa função, para a qual fui designada (sem direito de escolha), justificando-o com uma espécie de “objecção de consciência”, por motivos que não devo aqui explanar…

    Fui até agora a duas ou três “sessões de esclarecimento” sobre o 54 e devo dizer que não correram nada bem, apesar de nessas sessões terem estado presentes várias “eminências” (pardas e não pardas) e “sumidades”, muito cheias de si, mas vazias de humildade e de capacidade auto-crítica.

    Curiosamente, ou talvez não, os relatos de quem frequentou as ditas formações de carácter formal coincidem praticamente todos nesta conclusão incontornável:

    – As interpretações acerca do 54, obviamente subjectivas, dos muitos “formadores” sobre o tema não permite harmonizar procedimentos, chegando-se mesmo a verificar, em alguns casos, a existência de opiniões perfeitamente antagónicas ou divergentes sobre a mesma questão ou dúvida.

    Conclui-se portanto que, dependendo do formador e da opinião por si veiculada nesta ou naquele formação, o 54 pode ser para uns uma coisa e para outros o seu inverso… Estamos no reino do caos e das incertezas…

    Enquanto isto, o Ministério da Educação “assobia para o lado”, fazendo de conta que tudo corre muito bem e tranquilamente. O pensamento que por lá grassa será por certo este: “eles hão-de conseguir desenrascar-se”…

    (“Eles”: somos todos aqueles que trabalham diariamente em Educação, nomeadamente em escolas públicas, muitas vezes sem as mínimas condições de bem-estar, mas que, ainda assim, teimamos em prosseguir essa tarefa quase em espírito de missão e de forma abnegada, apesar de também sabermos que somos perfeitamente descartáveis e substituíveis…).

  4. Manter a sanidade está a dar uma trabalheira. Há quem não consiga.
    Com todo o respeito, colega, ” give us a break”. Há sempre alguém muito feliz com novas experiências. É o êxtase!
    Quando as coisas estão bem deixam-se estar. O novo pelo novo é para os deslumbrados.
    Já começo a ficar farta de inclusões, de eufemismos e & C. Lda. Alíneas de a) a z) , o injustificável tão justificado. Pelos professores, claro. Pau mandado, pau para toda a colher.
    ” houve dez níveis inferiores a 3″ ; ficou retido; ” estratégias” ‘ actas com páginas intermináveis de noveduqês, novilíngua malfeitora.. O texto do documento A replicado até à náusea. Uma mentira repetida talvez se torne verdade; ou são duros de ouvido, de olho, neste caso.
    Give me a break, colega! Fico muito feliz com o seu programa cumprido ou comprido, como quiser. Mas give me a break!

  5. Na reunião de CD soube que dos cerca dos 500 alunos das duas escolas m/ agrup nenhum está em risco de retenção. Estamos no melhor dos mundos e elogiámos o nosso desempenho de acordo com tão extraordinário acontecimento.

    1. Duilio,

      Boa representação !
      Bom desenho e bom trabalho.
      Observamos o menino Tiaguinho a tentar encestar . Mas nota …vale uma aposta ? – a bola irá ressaltar-lhe para o respectivo focinho/ trombil e dado ter aquele escalope/língua out irá certamente provocar -lhe um dói-dói com direito a sangue e primeiros socorros .
      A tira notas /taxas de sucesso para posterior ” alto estudo científico ” irá relatar tamanho incidente para nova papelada.
      E o tótó nosso colega, representa a figura que querem impôr a toda a nossa classe profissional.

      Nota final: tinha logo que ser um colega,colega meu ?

  6. Mas isto não era sobre o 54? Por momentos fiquei “perdida” e “baralhada”… Demorou, mas finalmente percebi, depois de uma leitura mais atenta dos comentários…
    (Ando um bocado lenta, quero acreditar que seja do cansaço 🙂 ).

    A indignação de alguns face à “felicidade” expressa por uma professora, muito agradada com a divisão do ano lectivo em semestres, é compreensível no contexto actual, mas também elucidativa do mal-estar que se vive nas escolas.

    O expectável seria aceitar a “felicidade” dos outros e conseguirmos congratular-nos com a mesma, mas não é isso que se passa aqui.
    O que se passa aqui é que a maioria está exausta e cansada de ter que dar importância e primazia a papéis e burocracias que em nada contribuem para melhorar a prática pedagógica, pelo contrário…

    As escolas vivem hoje atulhadas em papéis e em procedimentos burocratas que asfixiam e que tolhem o pensamento crítico e o inconformismo.

    Já não há professores “rebeldes”…

    1. A felicidade da colega é paradoxal porque ela aderiu a um modelo flexível, teoricamente crítico do “treino para exames” e depois ela está feliz porque fixou com mais tempo para treinar os alunos para os exames.

  7. Da minha parte estou muito feliz… Tal como em muitos no meu agrupamento acabaram os riscos de retenção e , vaticino, acabarão as próprias retenções… Um sucesso” fabulástico”! O que eu tenho a dizer é que andava equivocado e afinal isto do aprender, e não aprender, do ser ou não ser, do ignorar ou conhecer, passa tudo por um legislador sapiente que expluda, na sábia redacção da Lei, o que parecia uma perfeita desgraça. Somos a nova Finlândia, é o que é, e o senhor Secretário da Educação , junto com a Professora Ariana Cosme, são, definitivamente, o ”non plus ultra” da educação universal: digo-o com orgulho e com certo patriotismo…

  8. O que vai acontecer é que para obviar a tanto papel, burocracia e um dossier cheio de papel com razões para justificar o insucesso (sendo impossível apresentar como razões duas coisas, “o aluno não faz a parte dele” e “os pais não fazem a parte deles”), os professores vão começar a não dar negativas. E os alunos quando se derem conta disso, pararão de estudar de vez.

    É mais fácil, sucesso assegurado e ninguém se chateia.

    “ah e tal, mas há exame nacional… como vai ser com a diferença entre as classificações internas e externas?”

    O ministério (com letra pequena para simbolizar o meu desprezo para com aqueles que decidem e que estiveram numa sala de aulas do Básico/Secundário pela última vez quando foram alunos), pensando à frente, vai acabar com os exames do 9ºano, já para o próximo ano lectivo.

    “ah e tal, mas e quando chegarem ao 11º e 12º ano, a diferença entre as notas internas e o exame?”

    Nessa altura terão acabado com esses exames também… 😀

    “Bom , mas isso terá que parar nalgum sítio, não é? Os carros não podem sair da estrada, as pontes não podem cair, terão de continuar a haver engenheiros, cientistas e por aí fora, e toda essa gente terá de aprender nalgum sítio…”

    Fácil, as universidades fazem os seus próprios exames de acesso…

    “Mas espera lá, como é que um caramelo que fez o 12º sem estudar nada, com notas de borla, passará num exame desses?”

    Não faz e não entra. Entram os filhos dos ricos, com possibilidades de frequentar colégios privados, colégios esses que se estão nas tintas para “educação inclusiva”, “palestras lgtbdgeusjdhwteirjjn”, “dia da igualdade”, “25 abril sempre” e por aí fora….

    Que socialismo brilhante… :O

    1. Concordo também, com uma ressalva: as faculdades de vão de esquina e os politécnicos albergarão os excluídos, isto é, aqueles que não são filhos de papás e não frequentam colégios privados.

      Já propus aqui, na minha escola, nestas últimas reuniões, que o CP decretasse o fim das reprovações nos anos não terminais de ciclo. É preferível isso a esta fantochada, esta encenação de sucesso.

    2. Infelizmente até o acesso ao ensino superior será modificado. A U.Nova ,cursos de economia e gestão,dos outros não tenho conhecimento recente tinha normas de acesso e de seleção altamente exigentes. Só com média de 14 no secundário e exigiam na entrada exame de inglês. Exemplo-para 100 vagas alunos com média de 14 não conseguiam entrar. Nem pensar.
      Isto é verdade. O meu filho mais novo foi muito bom aluno e entrou (há 12 anos).
      Sabem para onde irá a nova U.Nova?
      Carcavelos. Local ideal para atrair estudantes estrangeiros e (presumo) passar a ser nova molhada.Praia,sol,surf,etc. Afinal somos um país de venda de serviços . Em contrapartida vendemos azeitonas ( Spain) e depois importamos o azeite. Tudo isto é uma tristeza.

      1. O meu comentário inicial foi de satisfação por te voltar a ler por aqui. Não sabia da cirurgia mas presumo que correu bem, nota-se que estás ‘fino’! Bjinho e continuação de excelente recuperação e que não apareçam mais sustos.

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