Balanço Em Termos De ILC

Como era de esperar, ninguém a defendeu na sua substância, apenas merecendo algum reconhecimento enquanto iniciativa cívica pela deputada do PSD que, em seguida, enumerou uma série de chavões que são completamente contrários à reposição integral e não faseada do tempo de serviço.

Quanto a toda a “esquerda”, aquela que se diz patrona e dona da “democracia”, conseguiu esgotar todo o seu tempo sem a mencionar, uns porque a desgostam profundamente em si mesma (PS), outros porque têm da democracia uma visão amarrada às suas correias de transmissão sindicais (PCP, Bloco e Verdes).

Nada que me surpreenda, porque há gente para quem a democracia participativa e a intervenção cívica da sociedade civil só é bem aceite quando enquadrada ou infiltrada pelos seus submarinos. Como a ILC resistiu a isso, mas mesmo assim vingou, preferem destacar muito a petição com mais de 60.000 assinaturas que ninguém verificou (é extraordinário como na maioria das escolas que conheço ou de que me fizeram o relato nem uma dezena de docentes assinou, mas depois se conseguiram números fantásticos),

Apesar de tudo, a ILC fez todo o seu trajecto e serviu mais objectivos do que os que a motivaram originalmente, Um deles foi perceber até que ponto vai a hipocrisia daqueles que apenas querem lugares à mesa.

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A Coisa Começou Às 17.14 (Post Em Progresso)

Começa Ana Mesquita do PCP. Toca a misturar tudo e apenas falar dos sindicatos e das suas assinaturas. Basicamente, concordam com o PSD da Madeira. Muito ímpeto, pouca novidade.

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Às 17.22, Joana Mortágua começa com uma descrição algo neo-realista de alguém encravado na carreira. Os centenos não se emocionam com isso, nem sequer os porfírios. Continua um pouco melhor, mas não adianta muito em falar de “compromissos” feitos com hipócritas. Mas depois vem com um faseamento até 2025 e borra a pintura toda.

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17.28. Margarida Mano do PSD é a primeira a lembrar que existe uma ILC e a contextualizar tudo de forma alargada. Até me convenceria, ao relembrar que os dois congelamentos foram iniciados pelo PS, se não me lembrasse que também nada fez até ao momento de verdadeiramente concreto. E vem falar em “sustentabilidade” e “inconstitucionalidade” e… enfim. Se diz que o “governo falhou”, depois remete para o governo o tempo e o modo de recuperação da totalidade do tempo de serviço?

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17.36. Começa o blitz de Porfírio Silva com um pedido de esclarecimento em que vai buscar declarações de David Justino para atacar a posição do PSD. E parece estar com uma grande carga de adrenalina. Basicamente ataca a proposta do PSD e não diz nada sobre as dos parceiros da geringonça.

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Margarida Mano responde-lhe com a assinatura da declaração 1/2018 que defendia a recuperação integral do tempo de serviço. Porfírio Silva diz, para ver se ganha tempo, que vai entregar uma folha com links num momento patético do debate.

17.44. Ana Rita Bessa do CDS, que não apresenta proposta de apreciação parlamentar do decreto 36 mas sim propostas alternativas a negociar em 2020 com outro governo (porque não em 2030?), sublinha correctamente que o Governo e o PS têm andado a brincar com tudo isto, esperando que tudo passasse, sem estudos decentes sobre cenários de recuperação do tempo de serviço das várias carreiras. Alguma conversa sobre solidariedade entre todos e mais alguns.

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17.51. Maria Augusta Santos do PS faz um inventário de medidas em “defesa da Escola Pública”. Não me comecei a rir, porque me faz lembrar uma coisa parecida no final do mandato do engenheiro. Diz pérolas como “esta questão é nova”, que “a posição do Governo evoluiu aproximando-se da dos sindicatos”, fala em “equidade entre trabalhadores” (quando há quem recupere 100% do tempo). Critica a “radiicalização, incluindo a verbal” e continua com a tirada mais demagógica de todas ao dizer que é “professora”. Apre… phosga-se.

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17.57. Heloísa Apolónia d’Os Verdes. Uma intervenção interessante, menos monolítica do que a do PCP e com menos sindicatos na boca, embora refira as suas propostas alternativas sobre o faseamento e a contabilização de tempo para a aposentação.. Insiste naquelas regras dos OE que sempre se percebeu que não serviriam para nada.

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18.01. O ministro Tiago começa por dizer que o Governo tem uma só cara, quando ele é o primeiro a ter duas. Diz que o programa do Governo não contemplava esta questão e que não existia nenhum compromisso neste aspecto com os partidos à esquerda. Tem razão. Depois, é anedótico que um “cientista” afirme que os professores querem que o “cronómetro” também conte o tempo para trás. Quanto ao resto, daria um razoável assessor de imprensa do ministério das Finanças. Como ministro da Educação é uma marioneta, uma espécie de boneco de ventríloquo, que nem a bancada do PS consegue aplaudir com convicção.

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Intervenções adicionais de Pedro Alves (PSD) e Ana Rita Bessa (CDS) a colocar questões ao ministro, em especial neste último caso sobre as contas feitas (ou não) pelo Governo, as quais deveriam ser partilhadas com o Parlamento. O ministro Tiago responde com ar zangado, “alto e em bom tom” de um modo que ainda se lhe vão as cordas vocais ao ar. Claro que sobre as contas, remete para a secretária de Estado Fátima Fonseca, que é quem está no Parlamento em nome de quem manda.

18.15. A secretária de Estado com um título comprido, Filomena Fonseca, começa por sublinhar, com ar de quem dá aulas a meninos mal comportados e com défice de aprendizagem que o Governo usa um rationale (e repete várias vezes o termo) de “equidade” e mais não sei quê. E repete o número de 635 milhões de “despesa”, sempre com base no tal rationale. E continua a esconder a parte da “receita” do outro lado do Orçamento. E faz tudo por ignorar que carreiras diferentes têm regras próprias e não podem ser tratadas como se fossem todas iguais. Parece chateada. Espero que esteja, Parece-me um bocado pespineta, se me é permitida a qualificação.

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Intervenções finais de Joana Mortágua e Ana Mesquita que não adiantam nada de especial em relação ao que foi dito, embora esta última reforce a falta de credibilidade das contas governamentais.

Votações amanhã.

Já agora… galerias muito pouco compostas…

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Aviso À Navegação

Tudo o que lerem esta semana sobre número ou percentagem de professores que vão/podem progredir este ano ou no próximo por via disto e daquilo, bem como os encargos associados, será quase certamente o resultado de uma operação comunicacional governamental que exclui das informações prestadas a forma como lá chegou. Se tudo o que vou lendo é verdade, vivo e lecciono numa espécie de oásis no qual não se aplicam as “regras do universo centénico” em matéria de cálculos de progressões e ganhos salariais. Como é possível, por exemplo, ler que podem já progredir tantos por cento (o número mais alto vai em 70% ou parecido e os encargos parece que já dispararam para mais dos 600 milhões da cartilha até agora dominante) de docentes num único ano, quando isso, pura e simplesmente, é impossível pela conjugação de factores como a posição na carreira e a existência de limitações a essa progressão em três escalões (não me digam que eu não sei em que escalões e condições estão os dois profes cá em casa)?

Fake

O Frete Da Manhã

Mais valia calcularem já os custos até ao fim dos tempos, assumindo que Centeno governará tanto tempo como Salazar com mão férrea na Finanças, tal como explicou ao Financial Times.

Aposto que a peça se limita a reproduzir o que lhes foi enviado, especificamente para publicação no dia de hoje.

CM16Abr19

Fake news = fake+news.