4ª Feira

Gostei de escrever sobre o regresso em definitivo da lógica feudo-vassálica ao funcionamento das escolas, substituindo sem apelo nem agravo qualquer resquício de “gestão democrática “, com o beneplácito de todas as forças partidárias com assento parlamentar, mesmo que encenem umas coisas em contrário. Até alguma “esquerda radical” já negoceia directamente com @s director@s os termos da cerimónia de vassalagem e as condições de manutenção dos feudos. Para daqui a uma semana no JLetras.

feudalismo22

14 thoughts on “4ª Feira

  1. “Até alguma “esquerda radical” já negoceia directamente com @s director@s os termos da cerimónia de vassalagem e as condições de manutenção dos feudos.”

    Também não tenho qualquer dúvida sobre isso.

    O “namoro” é explícito, realizado às claras e sem qualquer tipo de pudor.

    O cargo de director serve, na maioria dos casos, apenas e só, para se atingirem determinados desígnios pessoais, custe o que custar…

    A interferência do poder autárquico nas escolas, com total conivência de muitos directores, é a forma encontrada para ambos permanecerem no poder e retirarem vantagens da relação de “simbiose” existente.

    Os primeiros conseguem, assim, facilmente publicitar-se junto de um vasto público (cada escola encerra dentro de si centenas de pessoas, entre alunos, professores, pais e funcionários) e os segundos conseguem manter-se no “sistema” e, quiçá, alcançar algum cargo político depois de cessarem os dois mandatos possíveis como directores.

    A promiscuidade entre uns e outros devia envergonhar, mas como estamos num país pequenino em tamanho, mas sobretudo em mentalidades, o Povo agracia ambos com salvas de palmas e cumprimentos sempre muito corteses e cordiais…

    E se o poder corromper não faz mal, até porque estamos todos habituados a grandes roubos e corrupções que passaram perfeitamente impunes ao crivo da Justiça…

    Os poucos que ainda não se resignaram e que continuam, o melhor que podem e lhes é permitido, a lutar pela Democracia nas escolas encontram, quase sempre obstáculos muito difíceis de ultrapassar, obviamente patrocinados pelo status quo instituído, muitas vezes a começar pelos seus pares…

    Não quero aceitar que não somos capazes de pensar e de agir por nós próprios…

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  2. E não era um problema para as finanças públicas, como já aqui se tem dito. Há lógicas que escondem outras. Pelo menos, que se fale disto. Não vejo sinais de mudança. Ou antes, vejo muitos. Os objetivos da tutela são claros, tudo tem sido organizado com minúcia e paciência. Têm tempo. Os professores são para exterminar. Funcionários, apenas. Recursos das escolas. Sem este sistema de gestão, sem este isolamento entre pares fomentado e alimentado, não seria possível esta destruição concertada da escola pública. Esta história vai ser feita e este blogue vai ser uma fonte importante.

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  3. Nem sequer há limites de mandatos. É fácil ver o que significa. Conheço um caso que vai a caminho dos 20 anos. A dita participação dos professores é um simulacro. Obrigados a debater documentos e a elaborar propostas cujo resultado final se sabe de antemão. É preciso que o escravo tenha a ilusão que é livre. Estou farta de tanta fantochada. Preferia que acabassem de vez com aquilo que chamam C.P. que se encontra completamente desvirtuado. Ficava tudo mais claro, mas menos politicamente correto.

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    1. Pretor,

      Como em tudo na vida, depende das pessoas que têm assento no CP.
      Há as que lá estão porque sim, mas também as há que não estão lá para aquecer a cadeira por 2, 3 ou mais horas, com tudo o que isso implica… Cada cabeça sua sentença. Ou seja, no CP como na vida a consciência dita ou não dita está ou aquela conduta.

      Por acaso faço parte do CP há vários anos e nunca me prestei a ser jarra. É uma questão de feitio ou defeito, conforme se queira assumir.

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      1. Ok tens razão, mas também é verdade que os fantoches dos diretores é que propõem os coordenadores de departamento e eles sabem bem e muito bem quem é que propõem, é uma pouca vergonha e a culpa é nossa e muito nossa, uma grande massa de profes são uns cobardolas e lambe botas.

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  4. O Conselho Pedagógico, dependendo das pessoas que o compõem e da respectiva capacidade crítica, tanto pode ser um órgão meramente “ornamental” e que apenas legitima as decisões tomadas pelo(a) director(a) por uma questão de procedimento formal ou ser um órgão que analisa e discute as tomadas de decisão, participando efectivamente nas mesmas…

    O problema é: Que Conselhos Pedagógicos preferirão os directores?

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    1. O problema é… quem decide quem compõe o CP e será que o processo de designação anda a ser respeitado?

      Há quem vá lá representar-se a si mesmo e há quem vá transmitir a opinião de 15-20 ou mais pessoas. E o peso no voto final é o mesmo. Isto quando chega a ser votado seja o que for e não impere o consenso de quem manda, não ousando algum@ incaut@ levantar o dedo para questionar os procedimentos.

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  5. “…quem decide quem compõe o CP…?”

    Em teoria, grande parte dos elementos que compõe um Conselho Pedagógico é decidido pelos professores de uma escola através da eleição dos Coordenadores de Departamento…

    O problema é: Na prática, quantos Coordenadores de Departamento foram eleitos contra a vontade de um Director(a)?

    Depois há os elementos que são directamente designados pelo(a) Director(a) como os Coordenadores de Estabelecimento de Ensino, os Coordenadores de Projectos, os Coordenadores de Ciclo ou os Coordenadores de Biblioteca…

    Resumindo, quantos Conselhos Pedagógicos foram constituídos à revelia de um(a) Director(a)?

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  6. Concordo com o que diz a Matilde e o Paulo, ainda que apontem para factos ligeiramente distintos.

    Quem decide quem o compõe é o/a diretor/a, mas se for observada a lei os colegas em sede de departamento têm “uma palavra a dizer”.
    É claro que sei que às vezes os 3 nomes indicados constituem ‘uma escolha sem escolha’… É a vida, lá está.

    Agora, convenhamos que os requisitos legais são teoricamente discutíveis. Revejo-me muito mais na forma como eram eleitos os coordenadores há anos, ou seja, todos os elementos eram elegíveis, o que, muitas vezes, nos permitia escolher alguém que, mesmo não tendo experiência em coordenação e/ou supervisão, e outras tretas que tais, tinha melhores e mais condições para coordenar do que os indicados (não falo em perfil, porque para mim é algo abstruso, por isso acho graça a esta história de se ter ou não perfil…).

    Repito: integro há anos o CP no meu agrupamento de vinculação, mas sempre pensei (muito antes de ser coordenadora), e mantenho até hoje a mesma convicção, que quem lá está deve ter uma atitude construtiva e participativa, mesmo que isso implique pagar um certo preço. E todos sabemos que, de uma forma ou de outra, falar fora do tom, ter um discurso desalinhado e agir “fora da caixa” exige alguma “coragem” e é preciso ter coluna (vertebral).

    E como eu há muitos outros pelo país fora, ainda que aqueles que optam (?) por fazer parte do santo coro sejam também muitos. Alguns sentam-se “ao meu lado”… Até gosto: dá-me ainda mais “pica”, permitam-me a palavra.

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    1. “Quem decide quem o compõe é o/a diretor/a, mas se for observada a lei os colegas em sede de departamento têm “uma palavra a dizer”.”

      Não vejo as coisas dessa forma, pois quem decide os três nomes a ser “votados” é única e exclusivamente o director. É óbvio que nunca escolherá quem lhe possa fazer frente no CP. Aliás. já se assistiu a situações em que o mais votado pediu a demissão logo a seguir, pois tinha havido erro de cálculo, não era suposto “ser ele o mais votado”… Ou em que os outros dois “candidatos” pedem para votar no que já está previamente escolhido pelo director…
      Com isto não quero dizer que com o modelo da gestão dita democrática, não houvesse muitos CPs dóceis, mas agora essa tarefa está mais do que facilitada.

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