E Agora, Para Algo Completamente Diferente…

… até porque foi um texto escrito apenas por prazer, sem a pressão da triste actualidade de um governo chantagista e que não percebe que a sede da Democracia é o Parlamento e não o governo, que dele emana. O governo responde perante o Parlamento, não o contrário (um pouco como isso também se baralha nas escolas entre Direcção e Conselho Geral, mas essa é toda uma outra conversa…).

Voltando ao texto seguinte… há mais guerras em decurso, por vezes subterrâneas, do que as que mais surgem na espuma dos dias.

A Guerra dos Tronos, Morte e Memória

Muitas das reformas em implementação ou consolidação parecem fascinadas pelo presente e por uma projecção simplista das necessidades de um futuro concebido como o do triunfo de uma tecnologia desumanizada, que tornará desnecessários os saberes “tradicionais”, arcaicos, meramente “enciclopédicos” e, portanto, inúteis.

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Quando O Polígrafo É Impreciso (Para Usar Um Termo Caridoso)

A seguinte frase da análise do Polígrafo às declarações de Rui Rio tem, no mínimo, um verbo mal usado e uma fundamentação mistificadora do que é afirmado.

A resposta é positiva: um docente no topo da sua carreira recebe 3.364 euros, correspondentes ao 10.º e último escalão remuneratório das carreiras dos docentes.

Não, não recebe. Fica aqui a tabela do Eduprofs (Vencimentos Docentes 2019) com as diversas possibilidades quanto ao que recebem efectivamente os professores portugueses no topo da carreira. Se tiver uma mão cheia de filhos e for o único titular de rendimentos recebe menos de 2400 euros. Se forem dois titulares com dois filhos recebe 2000 euros.

Recorrer a estudos da OCDE que analisam salários nominais, sem fazer as contas aos descontos e contribuições, é – em matéria de verificação de factos – amadorismo ou incompetência. Ou frete, porque – também tenho direito a teorias da conspiração – a recente aliança ao universo balsemânico pode levar a toldar algumas análises. Ou a escolha dos termos que usam nos seus escritos.

Neste caso o Polígrafo foi “impreciso” na forma de justificar a sua avaliação. Como fact-checking prestou um mau serviço, vamos acreditar – repito – por mera incompetência jornalística. Mas poderiam sempre procurar as fontes adequadas, em vez de preguiçarem pelos Education at a Glance para dar aparência de trabalho.

Professor em exercício, no 10º escalão, não recebe, nem de perto, nem de longe, 3.000 euros. O Polígrafo errou.

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Crónica De Uma Palhaçada – 2

Governo demite-se se lei dos professores for aprovada

Governo esteve reunido de emergência durante cerca de quatro horas para analisar a situação criada pela votação na comissão parlamentar da Educação. Na origem está a aprovação do descongelamento na íntegra do tempo de serviço dos professores.

A estratégia é demonizar os professores e quem lhes dá a mão (mesmo que tutubeante), para ver se isso incita parte do eleitorado a ver em António Costa o homem de firmeza que não cede a “interesses corporativos”, apenas o fazendo perante grandes grupos económicos e bancos falidos, sendo forte com a arraia-miúda que não quer que lhe apaguem uma década de vida profissional.

Como se sabe António Costa nem sequer estava no Conselho de Ministros que aprovou o ECD de Janeiro de 2007. E quanto a contas, já se percebeu que as de Costa e Centeno devem mais à ficção literária do que ao rigor aritmético.

Colbert Finger

(como chantagem, este é um novo patamar…)

O Universo Balsemânico Entrou Na Liça

Para o Opinião Pública destacaram o salvador da Pátria, José Gomes Ferreira, para o Expresso online já lá estão o Henrique Raposo e o David Dinis a fazer de opinião e o Jorge Miranda de constitucionalista a ver sempre tudo à maneira da nora, todos no mesmo sentido. Até tenho pena do mst que deve ter sido obrigado a rever a crónica para amanhã, acrescentando mais umas tiradas adjectivadas à maneira. Vai chover grosso e isto é mesmo com a coisa atirada para 2020.

EscuteirosEscuteirosEscuteirosEscuteiros