Opiniões – Maurício Brito

O PS aceitará ser governo se não vencer as próximas eleições com maioria?

 

É a questão que se impõe. É a pergunta que está obrigado a fazer o sr. Presidente da República antes de aceitar a demissão do governo. É a pergunta que se impõe colocar a todos os que assistiram a uma encenação sem pudor, até porque os portugueses merecem saber se António Costa está ou não disponível para governar se não vencer com maioria. E, talvez, antes disso, saber se faz sentido fazer essa pergunta a quem se apresenta a eleições numa democracia, principalmente a quem governou nas condições em que todos sabemos, sem vencer eleições e com o apoio parlamentar de outros partidos.

Numa clara tentativa de inverter uma queda nas intenções de voto, aposta-se desavergonhadamente no “tudo ou nada”, colocando já em campo um conjunto de personalidades da comunicação social famosa pela sua prestabilidade sem limites e pela sua disponibilidade para auxiliar na sempre triste tarefa de convencer a opinião pública que a mesma já está convencida do que dizem. Todo um exército foi já chamado para começar o despudorado exercício de explicar o inexplicável: que a opção da “direita” foi diferente da opção da “esquerda” – como se tivesse sido possível que a justiça neste caso dos professores fosse feita sem a acção conjunta de toda a oposição, de todos os partidos que sempre disseram, desde o início, que o tempo não se apaga, conta-se, e todo. E de avisar que, afinal, o famoso “diabo” de Passos Coelho sempre aparecerá porque alguns incautos tiverem a ousadia de querer abrir uma pretensa “caixa de Pandora”, com a contabilização dos anos de serviço congelados dos professores. Que todos os males do mundo cairão sobre os infiéis que se atreverem em aumentar uma despesa inventada, fictícia, que não foi demonstrada e que mistura despesas e receitas num mesmo saco para aumentar um número que, dividido numa solução como a da Madeira, não chegaria a 50 milhões de euros anuais e que, se se fosse estendido a todas às outras carreiras especiais, ficaria abaixo dos 70 milhões.

E assim tenta-se assustar os ingénuos, arriscando tudo numa maioria absoluta que lhes permita não ter que se coligar com quem, de antemão, já sabem que nunca apoiará um partido que tenta repor todo o tempo congelado para uns e apenas um terço para outros.

Será caso para perguntar ao senhor presidente o que pensa sobre um governo de um partido que se demite e que apenas aceita ser governo novamente se vencer com maioria.

Será conveniente confirmar se ainda vivemos numa democracia.

Maurício Brito

Maur

 

5 thoughts on “Opiniões – Maurício Brito

  1. Se …, e digo se…, reafirmando, SE fosse coerente, não faria governo sem maioria. Mas as coerências destas gentes são voláteis na medida das conveniências!
    O teatrinho deprimente vai sair- lhe pela culatra.
    Esperemos então ( professores que ousam, insistem, persistem, demonstram e não se calam) e como é habitual pela revanche… Estará já na calha…

    Se isto é uma democracia? Tão grande quanto a de Kim Jong-un…apenas mais disfarçada… que a competência do “faz-de-conta” é coisa já muito apurada!

  2. Parabéns pelo texto, Maurício!

    Não se esqueçam de tudo o que tem sido dito e feito pelo PS em relação aos professores.
    Não se esqueçam de votar no PS.

  3. São atitudes como estas, tomadas por gente sem pudor, que se julga acima de tudo e de todos, que levam ao populismo e ao ascender dos populistas. Está claro que o PS o que pretende e fazer-se de vítima e desta forma levar os portugueses a esquecerem os episódios miseráveis das últimas semanas, onde os boys do PS, surgem ligados a situações de corrupção, compadrios e nepotismo. É disto que se trata, é disto que falamos! Os portugueses são pessoas de bem, inteligentes, atentos e têm massa crítica, não são ovelhas partidárias, conseguem distinguir 1000 milhões entregues este ano ao novo banco e 100 milhões pagos aos funcionários. Só para o novo banco já entregaram 7000 milhões, ainda vão entregar mais uns milhares de milhões. Na CGD enterraram 4,9 mil milhões, no BANIF enterraram 3000 milhões, e podia continuar aqui a contar. Gente miserável que acusava a direita de enterrar dinheiro na banca e afinal fizeram o mesmo. Lembram-se do BPN? O Sócrates enterrou mais de 6000 milhões e continua um buraco sem fundo.
    Os portugueses são gente inteligente, o Costa vai ter o que merece!!

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