Contra A Muralha – 3

Professores: Governo não abdica de contar como despesa o que é receita do Estado

(…)

Por parte do Governo todas as contas relativas às progressões de professores continuarão a ser apresentadas tendo só em conta valores brutos, reafirmou nesta segunda-feira uma fonte do Ministério das Finanças. Quer isto dizer que os valores da despesa com as progressões e a contabilização do tempo de serviço que esteve congelado continuarão a integrar os descontos que os professores fazem para o IRS e para a Segurança Social.

Tanto nos Orçamentos de Estado como nas contas enviadas para Bruxelas, no âmbito do Programa de Estabilidade, o Governo contabiliza estes descontos como fazendo parte da receita do Estado. Mas com os professores os critérios mudaram o que justifica em grande parte a diferença de cerca de 500 milhões de euros que separam as contas feitas pelas Finanças daquelas que recentemente foram apresentadas por um grupo de professores.

Ainda ontem tentava explicar a alguém que o valor da “despesa” só é relevante tendo em conta o impacto real no défice que é calculado depois de deduzir o valor das receitas ao das despesas. Se eu, que só tive uma cadeira de metodologia para a História Económica há 25 anos durante o mestrado, percebo isso, porque é que o génio de Harvard y Eurogrupo não perceberia? Claro que percebe. Apenas prefere mentir à opinião pública, com a cobertura do actual PM e o colaboracionismo activo e salivante dos emeessetês.

Pub7Mai19

12 thoughts on “Contra A Muralha – 3

  1. e o facto dos professores aumentarem o seu consumo ou investimento com o aumento de salário? isso também é desprezado(sim porque toda a despesa pública é má e ineficiente nos modelos macro neoclássicos).
    não sendo possível de contabilizar com rigor, pode-se estimar a receita com impostos ou com multiplicador usando alguns dos modelos económicos harvardianos (mauzinhos no seu globar é verdade mas nisso até não são tão maus como isso).
    em suma um grande aldrabão(e eu que não tendo nada a ver com este assunto diretamente posso adiantar que não é só na educação que o aldrabão anda a atirar areia para os olhinhos).

  2. Excelente. Obrigado

    Eu, na minha ignorância ou ingebuidade, tenderia a aceitar a abordagem do governo. Afinal para fazer os desconto o Estado tem de dispor dos fundos para os integrar na Caixa Geral de Aposentações, por exemplo.

    Mas, se é como o Paulo cita:
    “Tanto nos Orçamentos de Estado como nas contas enviadas para Bruxelas, no âmbito do Programa de Estabilidade, o Governo contabiliza estes descontos como fazendo parte da receita do Estado.”

    então… deixo de poder admitir a abordagem do governo

    O Paulo Guinote, devia ir para o parlamento! A sério! è quase um imperativo cívico!

  3. “O Paulo Guinote, devia ir para o parlamento! A sério! è quase um imperativo cívico!” Que arejamento seria!

  4. Pegando no primeiro comentário, e se nunca tivesse havido efetivamente uma crise financeira? e se a crise de encerramento de lojas e indústria, com consequentes perdas de emprego, não fosse unicamente resultante de um corte nas expectativas salariais de mais de 100 mil licenciados empregados pelo Estado, que rapidamente cortaram no consumo e no investimento? Confesso que não percebo nada de economia à escala nacional, mas há coisas que me parecem óbvias, e uma delas é que, quando não se tem, não se deve gastar, a menos que se queira ficar a dever. Outra que é óbvia, é que, quem fuma, não se pode queixar de faltar de dinheiro para meter comida na mesa.

    1. Não percebi onde quer chegar, a menos que me contextualize como se podem perdoar 116 milhões de euros a um único contribuinte para ele poder vender a sua empresa.
      Ou porque há dinheiro a fundo perdido porque uns cromos armados em banqueiros fizeram bancos de fachada para negócios esquisitos (BPN, BPP, Banif… até o pobre Montepio foi na enxurrada). E isto não é demagogia… são factos.

      A crise “financeira” foi causada por quem?

      1. Quero chegar à parte em que se “fumam” 116 milhões para depois se seguirem as queixas de que não há dinheiro para “meter comida na mesa”. E o contexto é mesmo o nosso: quando não se tem dinheiro para desbaratar em negócios esquisitos, fica-se a dever (aos mais de 100 mil licenciados da função pública). Isto não é uma crise, é simplesmente ficar com o que é dos outros.

  5. Durante 3 dias as c. social foi protagonista de um ataque cego aos professores, mas os avençados do Costa (encabeçados pelo Tavares) protagonizaram um insulto coletivo aos portugueses. Senão vejamos, entre outros epítetos consideraram o Costa um “politicão genial”(eu até tendo a concordar com o sufixo), esta conclusão vale por dizer que os portugueses são estúpidos pois deixaram-se enganar pela manobra. Claro como água.
    Os compadres dos “espíritossantos” podem vir a ter surpresas…

  6. Tanta trapalhada e tanta dificuldade com as contas. Contas por medida, contas por encomenda… Soma-se o que é para subtrair. Trocam-se e escondem-se valores, parcelas…
    Enfim, está provado porque é que o país já faliu várias vezes. Agora já não há dúvidas, penso eu.

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