O Maurício No Opinião Pública

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Primeira intervenção clara de uma professora de Almada, seguida de um alegado “reformado” com défice de medicação e coerência, que diz que merecemos “zero” e que tem menos reforma mais que está ali “caladinho”, mas a falar sem parar. Segue-se um “assistente de enfermagem” que liga de fora do país parece mais interessado em divulgar que emigrou e que tem aquela noção de que se um está mal, todos devem estar mal. E diz que os professores deveriam ter feito “algazarra” quando nos congelaram. Perdoai-lhe, senhores, porque ele esteve fora e não deu pelas manifestações, greves e tudo o mais, como as manifestações depois do primeiro congelamento e a greve às avaliações em 2013.

Maurício a explicar que os professores pagaram mais do que a média para a austeridade. Ele está muito sério… muito concentrado. E explica que 70% dos funcionários já recuperaram todo o tempo.

Segue-se uma bancária reformada com uma boa intervenção que destaca que os professores têm o tempo contado ao dia, em especial os contratados. Agora, uma professora dos Açores, a explicar as vantagens que teve quando esteve no privado e destaca o papel de Carlos César que descongelou e pagou retroactivos aos docentes de lá, mas por cá acha que não deve ser assim. Segue-se um reformado do Seixal que nem consegue saber quando começou o congelamento. E depois fala em reformas dos professores de “nível 10”, algo que me faz pensar que entrou na estratosfera. Continua o surrealismo com um fundador do PURP, a falar na primeira pessoa e em tudo o que fez por si mesmo e já está na escola primária de Lourenço Marques onde andou. Depois diz mais umas coisas favoráveis aos professores, mas sinto que já estamos a ir para a quinta dimensão. E agora chega um professor reformado do “Secundário” e está contra porque ele não vai recuperar o tempo de serviço. Portanto, como ele se reformou e não vai receber, ninguém deve receber. Isto se é mesmo professor, o que sinceramente duvido.

A Marta Atalaya evoca agora o dinheiro que não existe para repor todos os direitos e o Maurício responde que a reposição integral do tempo de todas as carreiras especiais não coloca a estabilidade orçamental em causa, lendo passagens do relatório da UTAO que destrói a argumentação do governo. Mas não valia a pena assumir os 800 milhões, mesmo dizendo que são falsos… Começou a sorrir, significa que a tensão está a desaparecer e que agora é a recta final vai ser em grande com a lista dos prejuízos que ninguém no governo apresenta como “ruinosos”. O facto de estar a falar para uma câmara sem presença da pivô é sempre uma desvantagem para controlar o tempo disponível.

E termina com uma palavra de esperança quanto ao que ainda pode ser feito, apesar da enorme falta de pudor em decurso.

23 thoughts on “O Maurício No Opinião Pública

  1. Como eu disse no comentário anterior :
    “É importante mudar a estratégia. Temos que começar por arrumar a casa. O Mário Nogueira pode até dizer a maior verdade do mundo mas já não consegue fazer passar a mensagem. Neste momento ele representa um problema para a classe docente. Os rostos terão que ser outros.
    Por outro lado é importante pedir um parecer jurídico para saber se há alguma viabilidade de termos sucesso nos tribunais. A diferença de tratamento entre funcionários públicos, o não cumprimento do estatuto da carreira etc. Faz-me confusão eu não ter direitos como outros trabalhadores. O meu patrão é que faz as leis! Não há ninguém que faça cumprir as expectativas que criaram quando eu assinei com o estado o meu contrato de trabalho. Será que foi tudo premeditado ? Fui vitima de uma burla ? Entreguei os meus melhores anos de vida e agora com 23 anos de serviço estou apenas no 3º escalão !
    Temos que pensar em organizar uma outra forma de fazer existir um estado de direito. Chega de cartazes e autocolantes, greves e manifestações ( coisas do século passado).
    Em tempos o Paulo organizou um pedido de um parecer ( penso que ao Garcia) eu contribuí e estarei disposto a contribuir outra vez para contratar os melhores advogados. Só nesta última greve das avaliações perdi quase 300 euros. Não volto fazer greves. Não quero ser boneco de nenhum partido.
    Tenho para mim que eles preferem manter as coisas assim, o descontentamento rende votos à oposição. Como Humberto Eco escreveu : na idade média quando se sabia que tinha entrado um curandeiro na cidade os aleijados ,cegos e surdos fugiam todos para não perderem o seu ganha pão.”

    1. Carlos: excelente comentário. Subscrevo na íntegra.
      E acrescento: com os sindicalistas que temos, estamos bem lixados. Com F.

  2. Gostei de assistir ao programa.
    Elejo as melhores intervenções por esta ordem :

    Medalha de ouro : Senhora bancária aposentada.
    Medalha de prata : Colega que falou a partir dos Açores.
    Medalha de bronze : Colega que falou de Almada ( logo no início ) e Colega Maurício de Brito ( muito calmo para meu gosto ).

    Lá tivemos de ouvir gentinha completamente fora do problema e que papagueia aquilo que ouve na Comunicação Social.

  3. Lamento mas o Maurício não tem jeito nenhum para falar na TV. Tornou-se confuso e chato na apresentação dos factos.
    Agradeço imenso a elaboração das contas mas para a TV deveria ir o Paulo Guinote.

      1. Não conheço o Maurício, mas obrigado.
        Importante, mesmo, era que fôssemos todos “Paulos” e “Maurícios” .
        Nota: infelizmente ainda há porfírios entre nós…

  4. Gostei do desempenho calmo,esclarecedor e educado do Maurício. Como foi ele a fazer as contas , seria importante que fosse ele para as defender. Quanto à sua pronúncia açucarada,poderá dividir as opiniões(?).

    Não querendo ser injusto para os nossos estimados colegas, parece-me que o Paulo será melhor no registo de debates.

  5. Estive a rever as intervenções dos espectadores e o último deles sintetizou de forma límpida a estupidez da mediocridade com a frase “se uns foram prejudicados, todos devem ser prejudicados”…

  6. Parabéns Maurício!
    Parabéns Carlos Santos pelo comentário lúcido e assertivo. A partir de agora a luta tem que ser jurídica, não podemos perder mais tempo nem mais entregar mais dinheiro ao estado em greves.

  7. Duas ou três coisas sobre a minha ida ao programa (OP):

    Recebi um telefonema do Paulo, a menos de 24 horas antes do programa, dizendo-me que tinha sido convidado, minutos antes, para ir ao OP e que, por motivos pessoais, não poderia ir. Perguntou-me se eu estaria disponível para falar das contas, uma vez que fui eu que as fiz e que o programa iria incidir sobre essa matéria. Aceitei, confesso, sem o menor interesse, fundamentalmente por saber o que provavelmente aconteceria no parlamento, mas considerei que fazia sentido ser eu a explicar o que tinha sido feito.

    Ademais, e fora o facto de ter que alterar compromissos antes assumidos para essa manhã, disponibilizei-me para andar 190km, pagar o respectivo gasóleo e portagens e dar a cara, pela primeira vez, em toda a minha vida, numa televisão e ao vivo, o que, como devem imaginar, não é tarefa simples. O Paulo é minha testemunha, desde os tempos do Umbigo e de outros convites, que sempre recusei este tipo de exposição. Porque nunca a desejei e porque sempre tive algum receio que um sotaque de 16 anos de Rio de Janeiro pudesse ser contraproducente.

    Dito isto, agradeço a palavras simpáticas. E as críticas, desde que construtivas, serão sempre bem vindas. Até porque já sabia de antemão que seria impossível agradar a todos.

    1. Viva Maurício !

      Achei que fizeste muito bem em ter escrito o comentário anterior.
      E até considero que estiveste bem no O. P. Como bem referes ,deve ser uma situação difícil ( enfrentar apenas uma câmara ,estar sozinho no estúdio …deve ser complicado) .
      É como falar para uma turma (1ª aula ) onde não conhecemos ninguém e todos nos observam e tiram as medidas.Dá um certo nervoso. Na TV deve ser a multiplicar por ….Eu teria um desempenho muito,mas muito pior. Garanto-te !!!!
      Quando concordei que devia ter ido o Paulo não pretendi criticar-te . Mas apenas por considerar que o Paulo está mais batido. E tem muito jeito ,aguenta-se bem nos tempos necessários das suas intervenções. Lá no fundo é mais experiente e tem muito jeito .
      Maurício achei-te muito calmo …mas com toda a minha sinceridade acho que não aproveitas-te o tempo que a Marta te ia dando. Estas intervenções requerem uma dinâmica rápida que se vai aprendendo e treinando.
      Acho que me entendeste. Na próxima estarás melhor.
      Quero agradecer-te todo o teu trabalho e a coragem pela tua participação de ontem.
      Daqui segue um grande abraço e o meu obrigado.
      Magalhães ,teu colega de Educação Física. (INEF /ISEF )
      Bom fim de semana.

    2. Obrigado Maurício!
      Mauricio e Paulo, há sempre pessoas ingratas. Mas, não desistam sff. A verdade é que interessa e essa está do vosso ( nosso) lado.
      Os cães ladram, mas a caravana passa!

  8. Maurício, obrigada.
    Esteve muito bem. Passou uma imagem completamente distinta da que, infelizmente, se costuma ver, com educação, seriedade e elegância.
    Foi elucidativo quando explicou a metodologia usada para chegar aos valores apurados e deu um bom exemplo global do que é um professor.
    Ah! … a pronúncia adocicada do Rio serviu também para lembrar uma riqueza cultural que deve ser divulgada e defendida nas suas múltiplas variedades
    Cinco estrelas!

  9. O que o Maurício diz é verdade. Havia um aniversário aqui em casa e um almoço em família (que expliquei à produção do programa e também ao Maurício) que me impediam de andar a fazer “piscinas” como o Maurício fez.
    Há outras recusas minhas, mais ou menos recentes, que se deveram a compromissos escolares ou pesssoais que já não sacrifico para chover no molhado. Até porque dispenso “protagonismos” mediáticos, ao contrário do que fazem constar alguns invejosos e ressabiados natos
    Para além disso, acho que tem sido ele a fazer uma parte muito importante do trabalho contra os números do Centeno.

    Acresce a tudo o que fica acima que ele fez algo que é muito complicado, pois eu já passei pelo mesmo e sei o que custa estar ali a ouvir barbaridades e “Josés Fernandes” em todas as emissões que metam professores. Para mais sem ter a pivô ao lado para torcar impressões em off. E como ele, fazemos tudo sem pedir pagamento ou sequer retribuição pelas despesas feitas, ao contrário de outras “estrelas” (acreditem que há quem sacrifique pouco e peça motorista… 🙂 ).

    Mas é importante que não apareçam sempre as mesmas caras.

    Como na ILC apareceu mais o Luís Braga.

    Era bom que aparecesse mais gente, independente, porque, acreditem, ninguém liga ao que certas “cabeças falantes” dizem, mesmo que seja bem dito., A credibilidade de certas figuras é absolutamente nula.

    Eu em tempos ia a quase todas as que pudesse, porque acreditava que talvez fosse possível mudar algo.

    Cada vez acredito menos nisso, pois tudo é decidido de forma opaca, e confesso que só se for para dizer mesmo na cara de algum dos cromos sobre os quais escrevo o que penso deles é que sacrificarei o meu tempo.

    Por isso, estou (muito) grato ao Maurício.

    E um dia, mesmo muito mais tarde, talvez seja possível contar muita coisa sobre já mais de 10 anos de idas, vindas, recusas e sugestões de alternativas (nem sempre aceites). Há quem tenha aparecido sem nunca saber quem deu a indicação para tal, se me é permitida a indiscrição e peneirice. Mas aos bons amigos eu aviso primeiro.

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