Ablução

Mais do que uma questão religiosa, embora espiritual, é uma estratégia de higiene intelectual pessoal: a partir da palhaçada desta semana não ler a generalidade das prosas encomiásticas sobre o actual PM, a vitória da “responsabilidade”/do interesse dos “portugueses”, a favor ou contra o Mário Nogueira e a Fenprof, a favor ou contra a hipocrisia da Direita/Esquerda e tudo o mais. Resta perceber que a máquina do poder que está se tornou mais eficaz e poderosa do que há uma década. Não vale a pena espernear, uma derrota é uma derrota e não adianta dar satisfação aos abutres (como aquele que destrata professores ao mesmo tempo que considera que o processo contra Sócrates é um “monstro”) e harpias do regime (mesmo que com unhas bem pintadas). Ou dar troco a quem não reconhece o fracasso de uma estratégia. Sim, eu sei que isto é, de algum modo, responder a algumas criaturas. Mas, acreditem, seleccionei apenas um pouco do pior que há por aí na condição pretensamente humana.

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9 thoughts on “Ablução

  1. Uma derrota é algo que nunca gostamos. Pior é não aprender com ela. Já comecei a ouvir a mesma ladainha do costume ( dos mesmos homens da luta). Sejamos menos emotivos e mais racionais. Com calma e sabedoria procuremos encontrar uma estratégia nova. A questão nem sequer é sindical é de direito. Não estamos a pedir nada de novo ou inexistente. Só queremos o que já está na lei. Penso que é preciso e explorar essa possibilidade de forma astuta e pragmática.

    1. Maria Afonso,
      por curiosidade, apesar do desgaste atual e de estar farta de muita coisa, fui ler.
      Gostei fundamentalmente porque escreve usando algumas palavras com inteligência e não “bate” apenas e só nos mesmos (de sempre).

      Como vai mais ou menos da esquerda à direita, do presente ao passado, dos seus pares aos comentadores, etc., deixa antever alguma isenção.

      Deixo aqui uma passagem que vai ilustrando o que digo de forma breve atrás:

      “Diga-se que o dr. Rio, que junto com o CDS acabou por ceder à miserável encenação do dr. Costa, merece a chacota. Diga-se que o prof. Marcelo, que aproveitou a “crise” para sumir durante uma semana, merece o descanso. Diga-se que os professores, que confiaram num sindicato movido por interesses alheios aos assalariados que representa, merecem a desfeita. Diga-se que os portugueses, cuja maioria parece apoiar o “ultimato” do dr. Costa, merecem o dr. Costa. E diga-se que os profissionais do comentário, que alimentaram a anedótica “demissão”, mereciam ser demitidos.”

      Tirando o facto de nem todos os professores merecerem a desfeita, concordo com os “merecimentos” assinalados.

      (Paulo, não posso deixar de, pela minha parte, lhe agradecer as palavras de entusiasmo e de incentivo que dirige aos professores num outro post. Obrigada pelo ser humano que é, até mais pelo belo professor que presumo que seja, porque “este” último é um desperdício. As provas disso caíram em hecatombe sobre todos nós estas duas últimas semanas. É um desperdício estar no ensino. Desculpe.)

      Em ablução também.

      Bom fim de semana para todos.

  2. Paulo, que tal a publicação de um livro sobre o período de 8 de Março de 2008 a 10 de Maio de 2019? Foram catorze anos muito complicados!

  3. Se MN e a Fenprof não tivesse promovido a desunião, ostracisando o Stop e a ILC (nas palavras deles, se se tivesse deixado de ‘politiquices’), hoje estaríamos todos mais felizes.
    A desunião conduziu a isto. Se não perceberam isto, não aprenderam nada.

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