Domingo

Cá em casa lá me obrigaram a ir votar. Arranjei um mal menor, daqueles que não me arrepela a consciência, mas sempre vos quero dizer que sou claramente contra quem acha que a abstenção é uma demissão cívica. O argumento “se não votas, não tens autoridade para criticar isto ou aquilo” vai a lado do “se não és católico, não podes criticar a Inquisição ou a pedofilia na Igreja”. Ou “se não és militante do partido X, não podes criticar a forma como se organiza e actua”.

As coisas não são assim tão simplistas.

A abstenção pode ser preguiça, mero falecimento do cidadão, falta de esclarecimento ou apenas a recusa em aceitar que a democracia se limita ao ritual do voto de quatro em quatro anos e que isso delega toda a responsabilidade dos cidadãos nos seus “representantes”. Até porque em matéria de europeias nunca vi ao perto qualquer dos eleitos que me representa (se é que votei em alguém que acabou mesmo eleito). Eu sei que não é a posição mais popular, mas se abstenção é um dos sinais de que a democracia está doente, ainda bem que existe ou então a doença avança até a destruir por completo.

Mas lá fui votar, coisa que em europeias é de extrema raridade em mim. Se o meu voto acabar em alguém eleito confesso o meu espanto. E aproveito para dizer que se pouparia alguma coisa em papel de menor gramagem no boletim de voto. Aquilo parece quase material de convite para casamento chique.

urna2