As Europeias, Lá Fora

European elections 2019: first exit polls published ahead of results – live

Latest elections news from across EU member states, including the UK which is taking part after Brexit negotiations stalled 

Voto

Turnout: highest for 20 years

Turnout across the EU27 member states is close to 51%, the European parliament has announced. That is the best score since 1994.

Uma Forma Certa De Combater A Abstenção Seria…

… ter a possibilidade de votar por um candidato e, ao mesmo tempo, retirar um voto a outro. Poder votar contra. Um dislike, para usar linguagem de rede social. Um voto a mais para um e a menos para outro. Uma democracia mais completa e criativa, que permitiria expressar quem queremos mais e também quem queremos menos.

Mais importante do que voto electrónico, garanto-vos. Haveria até quem quisesse votar mais de uma vez.

lampadinha21

Muito Pelo Contrário, Senhor Presidente…

… o que está em causa é que os eleitos cada vez representam menos os cidadãos. A liberdade é um valor que está acima da operacionalização de uma “democracia liberal” que, sendo o que se arranja de melhorzinho, nos últimos tempos só nos lembra o que tem de pior.

Como já escrevi, a lógica do simplista “se não votas, não podes abrir a boca”, até por ser constitucionalmente secreto o exercício do voto, é falacciosa. Dessa forma, estaríamos sempre impedidos de nos pronunciar ou criticar aquilo a que não pertencemos.

Por exemplo, os próprios democratas estariam impedidos de criticar outras formas de regime em cuja definição não participaram. Ou acabaria a discussão sobre futebol por parte de quem nunca o praticou, muito menos a nível profissional (mas, calma, um dia já alguém usou esse argumento para desvalorizar a minha opinião sobre o que seria ou não um penalty). Ou quem é ateu deixaria de poder discutir o funcionamento das organizações religiosas.

A “autoridade” é perdida é por políticos que cada vez se representam apenas a si e aos seus interesses e mentem de forma acintosa e confiante de que têm a protecção superior da mais alta magistratura. Em nome da “responsabilidade” e “estabilidade” que, como se sabe, eram dois dos conceitos inscritos na Revolução Francesa em conjunto com a “sustentabilidade”.

Pois é, senhor Presidente, Demagogia é isso mesmo. E digo-o apesar de ter votado. O apelo é voto deve ser feito pela positiva e não pela via do amesquinhamento e do desvirtuamento do sistema representativo.

Só 12% dos portugueses votaram. Estão a “perder autoridade para criticar políticos”, diz Marcelo

profmartelo (1)

 

Domingo

Cá em casa lá me obrigaram a ir votar. Arranjei um mal menor, daqueles que não me arrepela a consciência, mas sempre vos quero dizer que sou claramente contra quem acha que a abstenção é uma demissão cívica. O argumento “se não votas, não tens autoridade para criticar isto ou aquilo” vai a lado do “se não és católico, não podes criticar a Inquisição ou a pedofilia na Igreja”. Ou “se não és militante do partido X, não podes criticar a forma como se organiza e actua”.

As coisas não são assim tão simplistas.

A abstenção pode ser preguiça, mero falecimento do cidadão, falta de esclarecimento ou apenas a recusa em aceitar que a democracia se limita ao ritual do voto de quatro em quatro anos e que isso delega toda a responsabilidade dos cidadãos nos seus “representantes”. Até porque em matéria de europeias nunca vi ao perto qualquer dos eleitos que me representa (se é que votei em alguém que acabou mesmo eleito). Eu sei que não é a posição mais popular, mas se abstenção é um dos sinais de que a democracia está doente, ainda bem que existe ou então a doença avança até a destruir por completo.

Mas lá fui votar, coisa que em europeias é de extrema raridade em mim. Se o meu voto acabar em alguém eleito confesso o meu espanto. E aproveito para dizer que se pouparia alguma coisa em papel de menor gramagem no boletim de voto. Aquilo parece quase material de convite para casamento chique.

urna2