Cidadania E Subdesenvolvimento

Hoje ao sair de uma aula, a meio da tarde, e ao ir pelo corredor deparei com um aluno (coisa de 6º ano, no máximo) que exibia perante as colegas os seus dotes de arroto bem sonoro, de que me fui apercebendo mesmo à distância. Quando lhe recomendei que o fizesse em ambiente familiar e perguntasse o que achavam da competência demonstrada com elevada mestria, lá se calou, mas mal me viu pelas costas, recomeçou enquanto saía do bloco pelo lado oposto ao meu. Má sorte a dele eu ser tinhoso e ter dado a volta por baixo e ido dar de caras de novo com o petiz enquanto descia as escadas todo risonho, a arrotar com toda a alegria do mundo. O que a seguir lhe disse tirou-lhe o sorriso parvo da cara e fez-lhe extinguir os gases em excesso no estômago e esófago. Terei sido pouco flexível e quiçá rígido, mas há coisas que não sendo aprendidas de pepino, é tarde quando não se é pequenino, a menos que a explicação seja assim um pouco em força ao nível dos “afectos”.

Burp

16 thoughts on “Cidadania E Subdesenvolvimento

    1. Teria uma conversa cheia de “afectos” com o aluno na qual lhe explicaria o funcionamento do aparelho digestivo numa perspectiva holística e mandá-lo-ia em paz. Acontece… E há os surdos…

  1. Grande Paulo !
    Esta história só podia ter ocorrido contigo !
    Aplaudo a tua calma e postura.
    Olha o Costa ficava caladito… por que será ?…O Rio disfarçava e “faz de conta “…A Cristas ajoelhava e combinava com o energúmeno rezar 1 Pai Nosso e Uma Avé Maria…e os PAN não achavam nada de mal dado que os bois e vaquinhas também fazem igual.
    Só o Paulo para dar a volta e surpreender o puto palerma.
    Parabéns que tanto mereces , são estas “pequenas coisas ” que diferenciam um Bom de um Mau Professor.
    Abraço

  2. Há dias aconteceu-me uma situação semelhante, embora não fosse de gases. Na minha escola há cacifos de metal nos corredores. Alguns estão danificados e algumas portas não fecham. Quando me aproximava da sala ouvi e vi um dos meninos (e este já não seria do 6º ano, mas para aí do 9º ou 10º) a dar uns valentes murros nos armários. Quando me viu aproximar, parou e ficou a olhar-me ao que lhe disse: Podes continuar a bater, mas bate com a cabeça para ver se aprendes a ser civilizado. O rapazola foi apanhado de surpresa. Além de parar, não teve folgo para responder-me. Enfim!

  3. Eu não quero ser politicamente incorrecta, mas acho que figuras como as do Guinote também têm a sua vantagem. Não me estou a menorizar, nem a menorizar ninguém, nem a recuperar a ideia do “sexo fraco”. Mas uma figura imponente e uma voz grossa são bons atributos. E uma acção de formação dada pelo Guinote sobre esta “problemática” é que era! Creditada!

  4. O aluno deve ser sinalizado e alertar-se em seguida a equipa pluridisciplinar para um caso de refluxo gástrico em formação. A equipa deverá dar-lhe 3 horas de formação sobre os grandes inconvenientes de tal patologia. Caso se trate de um grupo de alunos porderá ser combinada uma visita de estudo ao serviço de gastroenterologia do hospital local.

  5. Se isso fosse uma prática generalizada! Em vez do generalizado “olhar p´ró lado”!
    Nem seriam precisas tantas “leis” e regulamentos!

  6. Ainda bem, que vamos tendo professores que gostam de trabalhar fora do seu horário.
    Desde que a campainha toca para sair até tocar de novo para entrar… são minutos que não fazem parte do horário dos professores.
    Claro que são funcionários públicos diferentes, trabalham ao minuto… Talvez os únicos que não ganham quando tomam o pequeno almoço ou quando vão lanchar à pastelaria da Praça. São professores.

  7. Isso já é uma coisa banal no meu ambiente: eructações e flatos pelos corredores e dentro da sala de aula como forma de entretenimento. Confesso que depois de muita ação quixotesca e de perceber que para chegar aos 70 anos a lecionar teria de manter uma sanidade psico-emocional tipo zen, passei a encarar tais manifestações escatológicas de forma sarcástica, aproveitando para atingir o alvo com atoardas que fazem corar o santo no altar, sabendo que o atingido jamais fará queixinhas à equipa dos afetos por vergonha de ter de assumir os atos fisiológicos…

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