Justiça, Equidade, Mobilização, Abstenção, Educação

Temos uma classe política que pode ser genial quando pensa lá em casa, mas que quando abre a boca é um descalabro. Anda tudo preocupado com a abstenção, mas não a estudaram e fazem assim umas declarações a roçar a imbecilidade analítica ou o voluntarismo de trazer por casa, Veja-se o ME a querer “agir urgentemente” nas escolas por causa da abstenção, sem sequer ter um qualquer estudo que demonstre que a abstenção é maior entre os jovens. Ora… para começar, para convencer os jovens de que a democracia funciona a partir das escolas, conviria que o funcionamento das escolas não fosse a primeira prova directa de que a democracia é uma ilusão e um simulacro. Que o esforço compensa, que o mérito não esbarra em ideologias pseudo-igualitárias e que há um pingo de justiça, transparência e “equidade” na lógica organizacional do sistema educativo. El@s percebem depressa que é tudo uma grande fantochada e que as coreografias de “assembleias de turma” ou “orçamentos participativos” com urna ausente não passam de estratégias pouco habilidosas para iludir os mesmo parolos. A minha (nossa) função como professor não é enganá-los, muito pelo contrário. E tentar-nos justificar o injustificável é uma das vias mais rápidas para nos descredibilizarmos. Pelo que… mais vale a dura verdade desde já do que a frustração do choque com a lógica do cartão daqui a uns anos. E respeitá-los é não os tratar como idiotas.

Haddock

17 thoughts on “Justiça, Equidade, Mobilização, Abstenção, Educação

  1. É tanta a democracia que, no meu agrupamento, parece que abriu concurso para Diretor. Não sei se já fechou, porque só soube pelo diz-que-disse e não vi o que quer que seja afixado em parede ou no site oficial. Ouvi dizer que houve movimentações ao nível da composição do Conselho Geral, não sei detalhadamente quais ou como, porque passa tudo à margem de quem trabalha na escola. Há várias semanas que semanalmente perguntamos entre todos se já alguém sabe de alguma coisa, mas parece que quase sempre sabe-se nada.
    Se tivesse uma qualquer conversa com alunos sobre o tema da democracia, o exemplo da escolha do Diretor é do melhor que há para mostrar a forma como os que se aproveitam da democracia são os primeiros a chutá-la para o lado, quando lhes dá mais jeito outro sistema do qual possa haver benefícios em termos de manipulação e oportunidades.

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  2. Esta sugestão/proposta é como colocar cidadãos norte-coreanos a ensinar, nesse país, os princípios da democracia!

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  3. É um modelo miserável, criado apenas para fomentar as perseguições aos professores pelos comissários políticos, transformados em reles “cães de fila”, a troco de aumentos de 100%.
    As afirmações do ministro são apenas hipocrisia e falta de vergonha.

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  4. Nem todos os directores são comissários políticos.
    Felizmente ainda existem alguns que defendem os Professores. Poucos, eu sei.

    Em relação aos que se venderam, quantos Professores poderão criticá-los? Basta pensar assim: “Quantos colegas conheço eu que jamais se venderiam? E quantos conheço que se venderiam por muito menos que um aumento de 100%?”
    Comparem os números a que chegaram… ah pois é.

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    1. Concordo consigo, “Poucos, eu sei.”, mas as exceções servem para confirmar a(s) regra(s)…
      Gostava mesmo de saber quantos dos atuais diretores ganhariam eleições se a democracia voltasse às escolas…
      A esmagadora maioria teria vergonha do resultado.
      Ainda, a solução não é aceitar/justificar o que está acontecer pressupondo que outros se venderiam, mas (tentar) evitar que tal aconteça…

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      1. Claro que sim, tem razão, colega. Eu não quero justificar a “venda” de muitos directores a troco de um prato de lentilhas. Só quero dizer que muitos, dos que os criticam, os invejam e depressa se venderiam, se pudessem, por um prato com menos lentilhas. Mas tudo isto está errado, claro.

        Democracia nas escolas? Como canta José Mário Branco, “foi um sonho lindo que acabou” e ainda “houve aqui alguém que se enganou” (a meu ver, quem se enganou e bem enganado foram aqueles que, sendo Professores, votaram PS, o partido que sempre nos lixou). Agora pagamos todos, com culpa ou sem ela.

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    1. Não lhes dês ideias. Despacha os exames e passa toda a gente. Flexibiliza-te à maneira pós-civilização das luzes! Não queiras atrasar as férias que os anos lectivos começam cada vez mais cedo. Eles em França podem fazer exames em Agosto porque não têm ainda um clima semidesértico.

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