A Flexibilidade Encolhe As Aprendizagens?

A notícia de que os exames de 11º ano necessitam de se adaptar aos alunos das escolas com o pafismo educacional não me deixa espantado, pois esta seria a consequência lógica de todo o processo. No entanto, não foi isso que foi dito, pois garantiu-se que a flexibilidade costista, em conjunto com as “aprendizagens essenciais”, ao serviço do Perfil do aluno para o século XXI, seria uma estratégia para melhorar as aprendizagens, não para as “encolher”. Claro que era mentira, pois a flexibilização é uma forma de aligeirar o currículo e reduzir os conteúdos leccionados, sendo uma treta rematada que compense isso com o desenvolvimento de “competências superiores”.

Pub16Jun19

Repito-me quando digo que prefiro a sinceridade de quem assume o que faz com clareza do que a hipocrisia de quem diz que o flato não é flato e a ser não é seu. A flexibilidade e autonomia, assim como as aprendizagens ditas “essenciais” tornaram-se um “programa mínimo” que as provas finais ou exames do renovado IAVÉ se limitam a validar, demonstrando que a sua “autonomia” só chega até ao que o poder político manda fazer (e avaliar).

Claro que os alunos nas escolas que aplicam as versões mais holísticas e folclóricas do PAFC estariam em desvantagem perante os que seguiram o currículo regular caso os exames fossem feitos de acordo com o programa tal como ele é e a maioria de professores e docentes procuraram cumprir. Ou seja, teremos exames moldados aos interesses de uma minoria. Nivelando a bitola pela métrica política do senhor secretário de Estado que não quer ver demonstrado à luz do dia que anda a vender fancaria pedagógica pelo país. Mais valia apostar ainda mais na meditação e deixar-se de discursos vácuos e vitimizações patéticas quando é criticado.

11 thoughts on “A Flexibilidade Encolhe As Aprendizagens?

  1. De encolhimento em encolhimento até à irrelevância e, depois, a extinção, por isso nunca votei no PS; não há gente mais hipócrita e sem coluna vertebral, fazem política para obterem poder pelo poder, trucidando uns, em benefício dos outros, sem equidade, sem garantia, sem coisa nenhuma, limitam-se a moldar as suas ideias ao momento, conforme o que lhes dá mais vantagem, tão depressa estão à esquerda, como ao centro, como à direita, enfim, muito triste esta gente que mente e manipula até não restar pedra sobre pedra, pobre educação, pobres alunos que, doravante, tenham de depender da escola pública para adquirir conhecimento.

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  2. E a meditação será. Este IAVE lá estará para demonstrar a “validade” da ideologia do eduquês, da flexibilidade, da meditação,… é fácil, se os alunos aprendem menos, as provas “encollhem-se” … Simplesmente

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  3. “…a hipocrisia de quem diz que o flato não é flato e a ser não é seu…” esta é sem dúvida a melhor descrição dos momentos que vivemos. Esta gente larga os seus flatos, toda a gente sente o mau odor, mas eles dizem “Não fui eu!” Infelizmente essa é uma atitude que se estende pela hierarquia abaixo e o mesmo sucede nas escolas.

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  4. Vamos ver como serão os exames e acima de tudo como serão os critérios de correção.
    Os critérios de correção que o IAVE mexe e remexe até à exaustão dos correctores que têm resmas de exames para (re)classificar a cada remexidela.

    Vamos ver…
    Este ano dá-lhes jeito o sucesso, afinal há eleições em Outubro!
    Muitos dos alunos do 11º e 12º já votam, senão votam os pais

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  5. É uma vergonha o que se está a passar. E depois ainda há idiotas que pedem responsabilidades à escola pública por não promover o tal elevador social, como se a causa não residisse nas politicas. O emagrecimento do currículo não é de hoje.

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  6. Subscrevo na íntegra.
    E acrescento que tudo isto faz parte de um plano há muito traçado que se resumirá a médio/curto prazo:
    A) quer uma educação de qualidade, exigente e capaz de formar uma elite de pensadores e decisores – pague e coloque a criança no particular;
    B) quer uma educação de sucesso sem esforço e sem trabalho que alimentará as actividades que lucram com mão-de-obra barata, acrítica, satisfeita com pouco e subserviente – mantenha na escola pública.

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