E Há Quem Sinta Muita Urgência Em Dar Essa Formação E Evangelizar Para O Seu 54

Há poucos professores com competências para ensinar crianças com necessidades especiais. É “urgente” formá-los

O que se poderia escrever sobre o paradoxo de quem quer renovar a linguagem e dizer que todos são especiais, mas depois afirma que há uns mais especiais do que outros, como é natural, mas ao contrário da ideologia dominante actualmente na área. Assim como sobre a ausência de uma formação de base sólida, trocada por especializações instantâneas feita por muita gente boa, mas também por quem vê aí uma safa para a carreira, mas sem “competência” nenhuma para o efeito, mesmo que certificada com dezenas de horas de “formação” dada por quem tantas vezes não passa de um quadro burocrático do ME ou uma variante de quem vê os alunos “especiais/iguais” por um canudo.

Inclusiva1

Porque o que se precisa na maioria dos agrupamentos é de pessoal mesmo especializado (psicólogos, pedo-psiquiatras, terapeutas diversos, a tempo inteiro ou em parcerias efectivas) em diagnosticar as situações e apresentar metodologias de trabalho associadas a terapias comportamentais (ou outras)  e não de aplicadores burocráticos de decretos transformados em grelhas com cruzinhas e muita conversa fiada.

Enquanto a dupla David Rodrigues/João Costa não assumir (eu acho que perceberem, eles percebem) que começaram uma casa pelo telhado para apresentarem serviço rápido para propaganda política e não de uma forma sólida a partir dos alicerces, andaremos anos em versão beta de uma “inclusão multinível” para OCDE ver.

Eu como professor e DT de alunos com muitas especificidades, com muitos anos deste tipo de trabalho, preciso mais de pessoal tecnicamente apto para me apoiar em tudo o que não sei, do que de “formação” em treta legislada. Claro que aquilo sai mais caro e demora mais tempo do que as formações que agora andam a ser dadas às pazadas mal amanhadas em regime intensivo com powerpointes clonados de uma qualquer matriz fornecida centralmente.

E não me venham com a conversa de que sou “velho do Restelo” e que estou contra tudo. O que não sou é vendedor de banha da cobra.

28 thoughts on “E Há Quem Sinta Muita Urgência Em Dar Essa Formação E Evangelizar Para O Seu 54

  1. O que dizes no teu negrito foi, mais ou menos, o que eu disse no início do ano na minha escola (mas com muito menos pinta). Ainda hoje há quem olhe para mim com aquele ar “então mas tu achas que isto era mesmo para levar a sério?”
    O David Rodrigues estava à espera da medalha no 10 de Junho. Ainda lá chega!

      1. Deram-te 54? Que maldade! Só pode ser provocação. Podiam só ter dado 53 ou, então, davam 56…

      1. Mas eu já ouvi interpretações segundo as quais o “Velho do Restelo” era apenas um sujeito avisado, cuidadoso e informado. Enfim, não era incauto nem pacóvio e procurava alertar os outros para o que por aí podia vir.

      2. A essa forma de pensar chamo lucidez! Já esse “senhor” David Rodrigues vive na “nuvem” e tal como uns quantos da “nossa praça” precisava de ir passar uns tempos no direto com uma turma para aplicar o 54 como o apregoam…

    1. Senti a obrigação de ir em defesa dessa personagem camoniana, o velho do Restelo, que tão maltratada tem sido por má interpretação. Esta personagem é ambígua e o grande poeta foi eximio nessa ambiguidade; é que no contexto poético, é deixada latitude suficiente para considerar a personagem tanto como o conservador resistente à mudança, como o realista com pensamento livre, que não é lacaio nem ‘adesivado’. Por isso, quando se quer usar o velho do Restelo como forma de insulto ou denegrimento, não será a melhor forma de o fazer…

  2. A essa forma de pensar chamo lucidez! Já esse “senhor” David Rodrigues vive na “nuvem” e tal como uns quantos da “nossa praça” precisava de ir passar uns tempos no direto com uma turma para aplicar o 54 como o apregoam…

  3. Se uma teoria não tiver consequências visíveis ao nível prático, ou seja, se não for aplicável em contexto real e se não produzir efeitos concretos serve para quê?

    Não será a aplicabilidade prática o que melhor distingue uma boa teoria de uma má teoria?

    A teoria subjacente ao 54, que até pode ser considerada como válida, apresenta, contudo, fraquezas e fragilidades incontornáveis:

    Que eco têm tido as medidas previstas na prática real em contexto educativo, nomeadamente em contexto de sala de aula? E na escola, mas fora do contexto de sala de aula? (mudanças em termos de documentos e terminologia não contam para esta pergunta porque a resposta é óbvia e, infelizmente, já todos a conhecemos…)

    E nas famílias com crianças ou jovens com necessidades especiais, que mudanças foram operadas ou induzidas pela aplicação do 54?

    Sim, sabemos que estas coisas demoram o seu tempo e que não é fácil mudar e substituir paradigmas, mas também não somos ingénuos ao ponto de acreditar que o 54, por si mesmo, se constitui como a panaceia para a inclusão efectiva… Está muito longe disso…

    E, já agora, que haja o mínimo de decoro no que respeita a formações e que não se repitam aquelas acções de formação pagas ao “peso do ouro” com formadores directamente envolvidos na construção do 54, para não se ficar com a ideia de oportunismo e de aproveitamento pessoal da situação…

    1. Na prática real, o 54 teve 2 impactos:
      1- alterou oficiosamente as escalas de classificação sumativa no básico (passou de 1 a 5 para 3 a 5) e no secundário (passou de 1 a 20 para 10 a 20).
      2- aumentou a sobrecarga documental para o/a DT (com consequente aumento do horário de trabalho sem retribuição remuneratória ou outra) e para o docente que classifique o/a aluno/a com nivel inferior a 3 ou nivel inferior a 10.

      se houvesse decoro, o ministério da justiça e o ministério público seriam inúteis e a qualidade de vida financeira também não aumentava…

  4. Matilde

    Gostei da “síntese”. Creio ser um bom retrato do nefasto “paradigma ” que está em marcha.

    Agora pergunto : e a plateia “come e cala” ?
    Não tem argumentos e verve para contrariar, desmascarar ou desautorizar essas medianíssimas criaturas, as quais sem experiência prática e com um mais que incipiente percurso escolar se arrogam em doutrinadores?

    1. A propósito :

      aqui há uns anos, um tal “valter-qualquer-coisa” ( insigne SE), teve o topete de – expressando-se no seu peculiar português – se dirigir a uma bem recheada plateia de professores, “dissertando” acerca de um tema da laia do 54 . Resultado: foi fuzilado (é o termo) com uma sonora gargalhada (coitado).
      Mas serviu-lhe de lição. Passou-se em Lisboa , no pavilhão da FIL (creio).

      Muitas vezes, a gargalhada acaba por ser um bom correctivo para os atrevidos. Rir é um bom remédio. ( e olhem que não estou a fazer campanha pelo RIR do Tino de Rans …)

      1. Esse cromo do Valter era inacreditável. Deu à sola e continua a vender produto para os lados de C. Branco.
        Pobres albicastrenses.
        Já agora o outro Sec.Estado … também era uma figura sinistra.Anda em altos estudos para os lados do ISCTE, continua muito bem acompanhado.

    1. Magalhães: eu tenho um vasto léxico da moda que me provoca urticária compulsiva, vómitos e alterações gastrointestinais violentas:
      – igualmente as competências, mérito e excelência, holístico, multinível, trabalho colaborativo, articulaçãotransversal/vertical e oblíqua, sucesso, evidências, descritores, autonomias e municipalizações,…,para não entrar muito no léxico do 54 e 55…que aí é para dizimar de tanta verborreia e teoria da treta – convenientemente – as sinapses dos professores!

      1. Sim, é a mentora do 55. Há uns meses recebi convite por e-mail para formação com a mentora, em que o conteúdo do convite roçava a coerção para atender ao evento, organizado de forma que seria mais um na manada mas sem direito a mugir. Enviei para o trash e resisti à tentação de responder com a imagem do Zé Povinho bordaliano usando o braço direito em ângulo de 90º, entalando o braço esquerdo…

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