Acabem-se Os Exames Do Secundário…

… e as Universidade contratarão empresas de recursos humanos para recrutarem o “capital humano” certo para as suas instituições, com testes de tipo ratinhos no laboratório social. Ou então farão umas entrevistas para confirmar que os apelidos e escolas de origem batem certo. Sim, haverá excepções. E até haverá aquelas instituições que aceitarão tudo, porque é o que sobrará no “mercado”. Acham que esse será um sistema de ingresso mais “inclusivo”? A sério que sois assim tão ingénuos ou apenas não conhecem, o país, a sociedade, a academia?

Nem sequer falo na bela rebaldaria em que muitos tornarão os três anos de pós-básico…

Mad doctor

12 thoughts on “Acabem-se Os Exames Do Secundário…

  1. Os meus alunos do 11.° ano ficavam todos entusiasmados quando falávamos sobre o fim dos exames.

    Tentei explicar-lhes que novas formas não os iam ajudar em nada, tendo em conta o meio onde nasceram, mas eles só veem “sem exames, sem exames”. Enfim, bem prega frei António.

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  2. Preocupa-me esta cegueira politizada que vemos na nossa sociedade: Quando uma ideia vem de um determinado lado, corta-se a direito. Quando a mesma ideia vem de outro lado, aceita-se de imediato. Continuamos a regredir rapidamente. As pessoas deixaram de pensar (de uma forma geral). Os professores deixaram de expor as suas ideias (de uma forma geral). Aqueles que o fazem, se forem contra determinados setores políticos são logo queimados vivos para depois serem completamente colocados de parte.

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  3. Certeiro e óbvio… mas eles sabem, apenas lhes dá menos trabalho, menos despesa e mais votos fazer de conta que a escola pública é o mantra da igualdade, da equidade e da justiça, fazer a pequenada feliz na aprendizagem holística self service e retirar dos ombros de muitos pais o aborrecimento e a maçada de dizerem aos filhos que têm de se esforçar para ter sucesso e para aprender verdadeiramente, que têm de ter regras, que têm de ler, que têm de respeitar os outros, que não podem passar o dia ligados à rede, etc. Alargaram a escola para 12 anos, os avisados perceberam que seria um erro, agora é remediar e arranjar uma solução para diplomar sem barreiras os alunos que gostam da escola, mas só nos intervalos.
    Os exames, nos moldes actuais, são um obstáculo à nova concepção de escola, à democratização do sucesso (arianismo), o pior é que os possíveis substitutos tenderão a ser muito piores, só os ingénuos poderão crer que a sua extinção eliminará a desigualdade do acesso.
    Não há discussão séria sobre o assunto e é pena, os flexibilizadores não cessam de falar na necessidade de extinguir os exames, só não explicam qual será o método melhor, mais justo e mais equitativo.
    Na minha modesta opinião, acabem com os numerus clausus, deixem entrar a malta para um ano zero na Faculdade/Curso com informação clara do plano de estudos e exames específicos para passar à etapa seguinte, talvez um modelo assim tivesse a vantagem de classificar/seriar/seleccionar os alunos numa idade em já são mais maduros para lidarem com escolhas responsáveis e com a frustração.
    As Universidades teriam assim a responsabilidade de seleccionar os alunos directamente. Claro que o mercado privado de preparação manter-se-ia de boa saúde, mas isso é o resultado do funcionamento de uma economia de mercado, com concorrência feroz no acesso

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    1. E ainda há de notar-se mais.
      Passaremos de “o rei vai quase nu” ao rei e plebe totalmente despidos.

      Se bem que hoje em dia o mercado da cosmética faz milagres…

      O tempo não é passível de ser flexibilizado. Em pouco tempo estaremos com escolas felizes e festivas, mas ao mesmo nível das piores dos países do terceiro mundo.
      Entretanto, vivamos sob o efeito canabis-school.

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  4. “com concorrência feroz no acesso” aos lugares de prestígio, profissionais ou outros, com base numa selecção meritocrática, desejável, mas nem sempre aplicada, como todos bem sabemos.

    (Por lapso não completei o texto anteriormente submetido)

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  5. Eu diria um pouco mais para acabar de vez com semelhante problema: acabem com as escolas, enviem todos os professores para o Butão – à exceção dos convertidos, pois esses têm benção divina -, extraditem todos as crianças e jovens para o mundo virtual e permitam-lhes o regresso só quando puderem contribuir para a SS.
    Assim, os exames deixam de ser um problema: não há onde fazê- los, não há quem os faça nem há quem os corrija. Um paraíso!! E todos seremos felizes para sempre, com ou sem filhinhos.
    Arre!

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  6. Subscrevo a Maria Ferreira. Empurramos a cosmética do 4 para o 9 depois para o 12… Já se nota a “flexibilidade” em alguns cursos da Universidade. Isto vai ser um paraíso de “sucesso educativo” e “esperança no futuro”. Alguns, poucos, continuarao a ir estudar em colégios privados numa qualquer Europa (ou mundo) civilizados…

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