Começa Lentamente A Perceber-se Toda A Perversidade…

… dos retalhos de um modelo que, sem ser por qualquer mérito, mas pelo resultado da conjugação astral de vinculações, reposicionamentos, bonificações escalonadas e faseamentos, quotas e avaliações, leva a ultrapassagens incompreensíveis num sistema que se queira mesmo justo e equitativo. Nada disto era verdadeiramente necessário, sem ser por pura maldade, pois não me venham com incomportáveis efeitos orçamentais. Muita gente alheada e distraída começa, mas devagar, a compreender que todo o “edifício” ficou contaminado. Não começou em 2015, mas logo com os titulares e com as armadilhas em torno da transição dos escalões “novos” do ECD de 2007, em especial o que se passou em torno da passagem pelo 272, mas não só. Há quem queira sacudir a água do capote, mas  não se pode explicar tudo por incompetência técnica. Houve a clara vontade de desregular o sistema, tornando-o quase incompreensível a partir de dado momento, com tanto remendo.

contorcionismo

21 thoughts on “Começa Lentamente A Perceber-se Toda A Perversidade…

  1. …” Houve a clara vontade de desregular o sistema, tornando-o quase incompreensível a partir de dado momento, com tanto remendo.” … e simultaneamente dividir e criar mau/péssimo ambiente entre colegas e nas escolas.
    Foi tudo premeditado e intencional … isso é o que enerva mais.
    Com carinhas de sonsos…

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  2. Não foram incompetentes, foram mesmo reles. A coisa ficou de tal forma que até quem normalmente percebe da poda se vê à nora para entender tantos casos particulares. Explicar a teia a alguém de fora é tarefa ingrata..

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  3. Há muito que digo que isto não é incompetência mas pura e dura má fé, desonestidade e baixaria preparada com muito tempo e desde há muito tempo … sem qualquer controle e fiscalização e com o aval das ditas altas instâncias na proteção de um estado de direito!

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  4. Verdade! Dividir, para reinar, mas também para impor a injustiça, para poupar dinheiro à custa de uns, enquanto se bajula outros, aqueles cujo Ego é tão grande que, a um tempo, não se apercebem, ou fingem não se aperceber, que em breve também poderão ter a cabeça a prémio…Entretanto, lá vão ficando entretidos com os MB ou Excelentes a jogar o jogo, sem que a sua Excelência se destaque assim tanto da dos outros, os que ficam pelo caminho…

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  5. Para quando a ” História da Educação em Portugal”, Paulo? A dos últimos 15 anos +-?
    Para além do alargamento da escolaridade obrigatória, não me ocorre nada de positivo. Só desastres.
    Para os alunos e para os professores.

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  6. Há uns anos, uma cabeleireira contou-me que sempre que não tinham clientes, a “patroa” despejava todos os utensílios no chão, para que os apanhassem e os colocassem , de novo, no lugar de onde os tinha atirado. ” Não vos pago para não fazerem nada!”, dizia. Na altura, assustou-me a perversidade da história.
    Connosco, não fazem exactamente o mesmo?
    Acho que todos , ou quase todos, poderíamos contar histórias sinistras que aconteceram ao nosso lado.
    Mas não vejo iniciativas colectivas de protesto sério.

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  7. Exactamente, PG! Mais uma análise certeira…

    Maria:
    “Mas não vejo iniciativas colectivas de protesto sério.”

    Pois, Maria, tem toda a razão…

    O problema é precisamente esse: a classe docente continua inerte e adormecida, no que respeita a protestos sérios e consequentes, mesmo com tantos e consecutivos atropelos à sua dignidade profissional…

    Espanta, de certo modo, que uma classe profissional tão qualificada em termos académicos e intelectuais não consiga (?) ou não queira (?) impor-se e “revoltar-se”… Será bom lembrar que praticamente todos os professores possuirão, no mínimo, uma Licenciatura… E com isso não estou a querer afirmar que possuir um grau académico seja condição sine qua non para contestar ou não ser conformista …

    Sinceramente, causa alguma perplexidade ver uma classe profissional tão numerosa (cerca de 140.000?) e tão supostamente esclarecida ficar a assistir placidamente à sua própria destruição sem encetar qualquer forma de luta efectivamente consequente, custe o que custar.
    Sim, destruição, é efectivamente disso que se trata e quando os mais “distraídos” “acordarem” já não haverá muito a fazer… O conformismo “mói”, mas também “mata”, infelizmente…

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  8. Matilde, infelizmente, a tutela tudo faz para “dividir para reinar”: professores contratados contra professores de quadro; professores mais novos contra professores com mais idade; professores contra “chefias”, sejam de direção ou intermédias(?); … Há muito tempo que me apercebi que não existe unidade no corpo docente e o ME já o detetou há muito mais tempo!! Como é possível uma luta conjunta, quando cada um olha apenas o seu caso particular e só luta se estiver em causa o seu interesse imediata, pondo em causa todo o seu futuro?

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  9. Os exames, por exemplo. Em Português, saiu um episódio que não é do programa. Pode sempre argumentar-se dizendo que os alunos chegariam lá por outros meios. Em FQ A, e nesta 2ª fase, dizem que não há memória de uma prova tão difícil.
    E coabitam as AE com as não AE. E a informação-prova é uma treta. Coitados dos alunos! Têm 120 minutos para decidir a vida e a indiferença pelas suas vidas e por todas as outras é imensa. A pessoas não valem nada: seja porque carecem de valor, seja porque carecem de valores . Sobram as dos arquitectos das mal-feitorias. Tudo é normal. Não haver regras nem bom senso é normal. A estupidez e a malvadez são normais.
    A anormalidade tornou-se norma.
    E o excerto do poema de 1968 “No caminho com Mayakovsky”, de Eduardo Alves da Costa é actualíssimo neste tempo de apregoada liberdade:

    “Na primeira noite eles se aproximam
    e roubam uma flor
    do nosso jardim.
    E não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem:
    pisam as flores,
    matam nosso cão,
    e não dizemos nada.
    Até que um dia,
    o mais frágil deles
    entra sozinho em nossa casa,
    rouba-nos a luz, e,
    conhecendo nosso medo,
    arranca-nos a voz da garganta.
    E já não podemos dizer nada.”

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  10. Ema:

    Compreendo o “individualismo” de que fala porque também o observo praticamente todos os dias e também concordo com o facto de o Ministério saber aproveitar-se disso, muitas vezes, com requintes de malvadez…

    Mas por esta (nossa) linha de pensamento, então não haverá nada a fazer: os professores caminharão para o abismo e passarão a si próprios um “atestado de óbito”, incapazes de se descentrarem do “eu” e de o equilibrarem com o “nós”…
    A ser assim, terão então aquilo que efectivamente merecem: serem manobrados a bel-prazer pela tutela, aceitando todas as suas demandas, “trucidando”, se necessário, os seus próprios pares… É assumir que, tanto individual como colectivamente, não têm capacidade de autodeterminação nem de pensamento crítico…

    O exercício da Liberdade começa em cada um e na sua capacidade de a afirmar em cada momento. Não podemos exigir dos outros aquilo que cada um de nós não quer ou não consegue fazer individualmente… A desresponsabilização, proveniente da atribuição causal externa, pode até ser muito confortável, mas não contribui para a desejável e premente mudança…

    E se não houver mudança (primeiro individual e depois colectiva), o cenário mais trágico pode bem vir a concretizar-se…

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  11. Não há dúvida da premeditação de tudo o que foi feito. Legislação feita à medida para abranger um determinado grupo, cujo efeito secundário é arrastar outros que possuem os mesmos critérios.
    2007 foi o ano do cataclismo cujo resultado está visível: milhares de pessoas que começaram a sua carreira no 3º escalão na década de 90, verificam que hoje ainda estão no 3º/4º escalão…! E assim temos 2 grupos: os felizardos que ficaram acima do 6º escalão resultado da aplicação das leis (tendo aberta a porta para caminhar até ao topo…) e os penitentes que ficaram do 6º escalão para baixo, a marinar em lume brando por tempo indeterminado…
    Quem tem algum discernimento também percebeu que não há garantia a partir de 2019 de que a recuperação de tempo seja mantida pelos governos seguintes.
    A indecência é o que caracteriza o modelo que foi montado.

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  12. Pois, mas quando um grupo de professores se organizou, criou uma conta para angariar dinheiro para levar esta gente a tribunal, poucos foram aqueles que contribuíram. Todos desconfiamos de todos, todos estamos descrentes e apenas preocupados com o nosso umbigo e com o nosso bem estar. É difícil lutar contra esta atitude de dezenas de milhar de homens e mulheres de braços caídos e completamente derrotados. Até o Representante mor dos sindicatos, o caríssimo colega Mário se mantém no poleiro, mesmo sabendo que o seu tempo já passou.
    Que fazer quanto a este estado de espírito coletivo, ou melhor, suicídio coletivo? Será preciso um professor se pendurar pelo pescoço à frente de uma escola para todos nós acordarmos? A coisa está negra.
    Já agora, os sindicatos não iam levar o diploma da devolução do tempo de serviço ao tribunal constitucional? Alguém sabe de alguma coisa?

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    1. Caro “ze”, se quiser eu respondo-lhe o que penso sobre essa iniciativa, com a experiência de quem já organizou coisa semelhante com algum impacto e até servindo para apoiar os colegas de um agrupamento em tribunal, para além de pagar alguns pareceres (dos compridos e caros, nada com uma página) ao doutor Garcia Pereira, com apresentação pública num hotel de Lisboa.

      Vamos por partes:
      1) A quantia pretendida seria escassa para os objectivos enunciados.
      2) Esses objectivos não eram claros em termos “específicos”. O que iam fazer e como? Não me pareceu que os contribuintes soubessem ao certo qual seriam as acções concretas.
      3) Embora com o apoio mais o menos formal do STOP, quem eram exactamente os colegas que pretendiam desenvolver as acções?

      Essas coisas necessitam ser claras e digo-o com a tal experiência de há uma década em que ficou claro o que se pretendia fazer, como, até quando e quem era responsável pelo quê e tudo com contas públicas.

      Eu divulguei a iniciativa, mas desce cedo percebi que a adesão seria escassa, porque ou a coisa arranca em grande ou a partir de 2-3 semanas ninguém sabe ao certo já o que está em causa.

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  13. Nada de especial. Os profs foram apenas UBERizados. Acontece até nas melhores profissões.
    Há um callcenter de explicações à espera para quem quiser ganhar 500 euro.

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  14. A perversidade da avaliação das escolas que “guardam” os “Muito Bons”, para os escolhidos.
    Este ano tive as famosas aulas assistidas,obrigada pela lei visto que estou no 4º escalão( não as fiz em 2011/12 ) por um avaliador externo, que desconhecia que pertencia ao mesmo grupo de recrutamento, tinha uma pós graduação no âmbito da orientação de estágios, estava no nono escalão. Espanto MEU!…. A Coordenadora do departamento da escola , baixou a nota,,para bom, nos parâmetros avaliados pela avaliadora externa que me atribui muito bom….. Questionei o sindicato. li a legislação , e a coordenadora que não é do grupo 330, tem menos anos de serviço, está no mesmo escalão, no entanto, ela ainda teve o grande desplante de baixar a nota para 7,65 , com a concordância do grupo interno da escola da ADD. Isto para dizer que é tudo uma grande encenação, porque para mim ter aulas assistidas mais uma vez provou que as escolas têm os seus critérios de avaliação muito peculiares, para não dizer outra coisa,… isto é representa o poder tãooooooooooooooo democrático dos Diretores, da autonomia das escolas, dos municípios inovadores, como o famoso município pioneiro na implementação dos semestres mais uma plataforma com o nome : a KSTK – Predictive Education – traduzindo-se na realidade em duas plataformas, uma direcionada para a direçãozzzzzz e para o municípiozzzzz para tratamento de dadoszzzzzzz e outra direcionada para os
    professores, permitindo a todos os Conselhos de Turma inserir todas as informações da
    turma, assim como as do Decreto-lei 54/2018 e 55/2018, os critérios de avaliação, as
    grelh@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@s de correção dos testes, que serão elaboradas por domínios, substituindo o PCTttttttttttttttttttttttt
    não sei das quantas, que terá os dados de todos os professores e alunos e mais os dados dos cães,gato periquitos , peixes,

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