A Semiótica Da Coisa – 2

No site oficial do CDS não consigo encontrar os cartazes da campanha em decurso, pelo que tive de recorrer ao Ephemera do JPPereira para encontrar algum material de nível distrital, o qual segue a lógica do Bloco que é a de colocar cabeças de lista ao lado da líder nacional, enquanto se afirma que “Votar assim faz sentido”.

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Mas… faz sentido porquê? O candidato é bom? Será de confiança como os do Bloco? Apenas porque sim?

Ao nível dos cartazes mais pequenos, o de Setúbal traz uma razão para se votar CDS, que é descer o IRS 15% para toda a gente, algo que acho demasiado igualitário para esta chancela política.

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E faz mesmo sentido descer 15% para todos? Não me parece… o Mexia, o Balsemão, os Amorins e esse pessoal deveria ficar com o mesmo IRS que tem, até porque aposto que têm consultores que conseguem fazê-los escapar por todos os alçapões possíveis. A mim bastava que me descessem a carga fiscal para 15 anos atrás. Ou só o IRS.

A Semiótica Da Coisa – 1

Sem a fanfarra e poluição visual avassaladora de outros tempos, os cartazes a apelar ao voto andam por aí e é visível que o esforço por criar slogans simples foi ao ponto de os deixar quase sem conteúdo.

Começo pelo do Bloco (ordem alfabética, por enquanto), que nos apela a “fazer acontecer”, mas não sabemos bem o quê. Que são “gente de confiança” e ficamos também sem saber exactamente porquê, Porque, afinal, foi o governo que apoiaram o tempo todo – mais ou menos arrufo – que cedeu em grande aos interesses dos grandes grupos nacionais, da edp aos bancos, das telecomunicações aos combustíveis. Que aumentou os impostos indirectos a cada oportunidade.

Fica a questão: se o Bloco chegar, por exemplo, aos 12-15% (10,2% em 2015), o que conseguirá esta malta de confiança fazer que durante estes quatro anos não conseguiu? Meter alguém no governo num par de secretarias fracturantes e colocar miro-causas na agenda do dia em disputa com o PAN?

Ou o Bloco acha que exibir os rostos, sempre com a Catarina Martins ao lado, como se fosse uma espécie de selo de qualidade, numa estratégia de personalização, chega para  nos convencer?

Bloco 2019

Um Bálsamo

O MECardoso já escreveu sobre a sessão de 12 horas do Parlamento inglês de há uns dias que ele recomendava que todos nós víssemos. Hoje não cheguei a tanto, mas ao fim do dia, sentei-me e fiquei a apreciar uma hora do debate ininterrupto numa sala apinhada, com intervenções objectivas, muita discussão, muitas réplicas, revelando um Boris Johnson a fugir à derrota de 11-0 que sofreu no Supremo Tribunal quanto à sua tentativa de manipulação do funcionamento da Casa dos Comuns, mas também a demonstrar que está muito acima de um Trump a debater. E o carismático Bercow a meter ordem naquilo tudo sem nos fazer cair para o lado de sono como na nossa Assembleia da República. Apesar de todos os ziguezagues em torno do Brexit, dá-nos realmente crença no que pode ser a democracia a funcionar, tendo um dos pontos altos sido a intervenção de Ian Blackford do Partido Nacional Escocês.

4ª Feira

Ontem à noite, ainda tive paciência para ver num canal noticioso perguntarem, em ambiente de jardim com cadeirinhas de férias, aos principais líderes políticos em exercício, o que mais os irritava e tirava do sério. Quase todos disseram, com esta ou aquela variante, que era a mentira ou a forma como há quem argumente ou faça ataques com base em falsidades. E eu tive pena de tanta gente importante em conflito consigo mesma.

espelho

(e o actual PM também referiu que se irrita com a estupidez, coitado…)