Domingo

É estimável a aparente renovada preocupação de alguns órgãos de comunicação convencionais em verificar a fiabilidade de algumas declarações de políticos ou “notícias” falsas, mais ou menos virais nas redes sociais. Não vou relembrar com muita insistência que continuam a não olhar para “dentro” e a admitir que muito logro veicularam, de forma consciente ou não, em troca de algo ou não ao longo dos anos e que continuam a falhar muito na verificação dos factos que publicam, assumindo que fonte “oficial” significa rigor.

Vou apenas constatar algo óbvio e que é o facto de os critérios “editoriais” que definem o que deve ser ou não ser verificado ser em si mesmo uma forma de dar mais ou menos importância a uns temas ou pessoas. Ou de colocarem a fazer essa verificação gente certamente estimável mas que parece considerar que o google contém 99% da informação passível de ser consultada e que uma notícia se faz apenas com o uso de um telemóvel medianamente inteligente.

VerdadeTruth

Tendências E Curiosidades

Usando a metodologia mais básica do Google Trends, o que obtemos quando se comparam as pesquisas feitas sobre António Costa e Rui Rio.

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O que percebe é que o interesse em ambos aumentou em tempo de campanha (natural), mas que Rio conseguiu, apenas pela segunda vez, suplantar Costa.

Um detalhe interessante é verificar os temas mais pesquisados em associação a ambos.

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No caso de Costa, para além das pesquisas associadas ao debate com Rui Rio destacam-se as pesquisas sobre familiares seus (irmão, mulher). No caso de Rio, aparece a busca do seu twitter e as suas posições sobre a questão dos professores. Algo em tudo isto voz parece estranho. A mim, nem por isso. Claro que desagregando o último ano por meses os dados serão mais curiosos. Ou por semanas, ficando aqui os dados dos últimos 7 dias, em que as consultas sobre Costa dispararam desde a acusação do caso de Tancos e se equilibrou a distribuição geográfica das pesquisas dos internautas.

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Em termos globais, nos últimos 12 meses, o interesse em Rio só em algumas zonas do interior e nos Açores é que atingiu níveis próximos dos de Costa.

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A Jovem Greta

Não é assunto que me tenha prendido muito, pelo que acho todo o hype em torno da jovem Gerta Thunberg bastante despropositado, quer dos seus indefectíveis, quer dos que parecem abominá-la.

Há coisas que são apenas o que são e há gente adulta que parece oscilar entre a nostalgia do que não foi em jovem e uma espécie de horror a qualquer coisa que pareça diferente. Em tudo isto, a questão das alterações climáticas ganha em marketing e difusão, mas perde em credibilidade, mas parece que agora é mesmo assim, mais vale parecer.

Eu vou tentar resumir o que penso de um assunto que teve a vantagem de, pelo menos, colocar grande parte da sociedade a não se aborrecer com greves nas escolas à 6ª feira (mas agora já só ao fim da tarde, porque não há nada como uma rebeldia jovem responsável).

  • Aos apoiantes acérrimos da jovem Greta eu gostaria de dizer que me parece indesmentível que ela, por si só, sem uma máquina a promovê-la e a todos os seus passos, pouco ou nada teria conseguido fazer fora de Estocolmo para além de se colocar com um cartaz às portas do Parlamento sueco. Uma qualquer Ana ou Sofia tentem fazer isso com um cartaz em São Bento contra a mutilação genital feminina (uma causa que me parece insuspeita em termos “corporativos”) e verão que a coisa dura pouco. Porque são necessários Bonos, Gates ou Carters para coisas tão simples como espalhar a vacinação em África ou meios básico para o mero acesso a água potável. Isso não retira nenhuma justiça à sua causa (à qual sou muito sensível), mas coloca alguns limites à ingenuidade (pretensa?) de quem acha que foi a jovem adolescente que colocou o mundo em movimento. Realmente, por vezes penso que há quem não tenha ainda resolvido a sua própria adolescência.
  • Aos seus críticos mais enraivecidos critico especialmente o facto de aproveitarem, em parte da sua argumentação, de um modo que acho pouco aceitável, as peculiaridades de uma miúda que tem diversos problemas de ordem psicológica ou mesmo neurológica que potenciam expressões faciais menos “normais”. É descer um bocado, estar sempre a ilustrar as críticas às suas posições com fotos em que ela aparece com esgares menos “agradáveis”. Não é apenas uma questão de sensibilidade, é algo que denuncia alguma fraqueza na posição exposta. Denunciem apoios políticos ou económicos que achem menos transparentes, mas tentem manter algum nível na coisa. Está ela a ser instrumentalizada? É muito possível, como escrevi acima, mas o vosso problema é com a “causa” (negam as alterações climáticas?) ou com a pessoa (por ela ser “diferente”)?
  • Para terminar… os paralelismos com a jovem Malala têm alguma razão de ser (a idade, a projecção mediática), pois ambas beneficiam da boa vontade e afazeres de grupos de influência importantes; sem o interesse ocidental em arranjar um rosto “limpo” para atacar os talibãs, talvez Malala estivesse já esquecida há muito ou, no pior cenário, morta na sequência do atentado que sofreu. Mas, por outro lado, a causa maior de Malala é mais pacífica na sociedade ocidental, não provocando tantas clivagens ou a oposição de interesses económicos instalados. Nesse aspecto, Greta é mais “fracturante” pois coloca em causa aspectos do modelo de desenvolvimento das sociedades/economias ocidentais e não o distante fundamentalismo barbudo de um grupo de facínoras. Por isso, colocar fotos lado a lado da plácida Malala e da agreste Greta é falhar qualquer coisa essencial.

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(ia-me esquecendo… as minhas aulas de 6º ano de Português começam com a leitura da biografia da Malala, combinando com o texto de abertura do manual, e em Cidadania transversalizo a questão com os Direitos Humanos e à Educação, portanto… nada contra daqui a uns anos ver se farei o mesmo com a Greta…)

A Ler

Um resumo do que se passou em torno da “fuga” sobre o exame de Português do 12º ano de há 2 anos. A peça merece ser lida do princípio ao fim, o qual reza assim:

No entanto, já foi noticiado que uma das alegações da defesa da professora é a nota baixa que a aluna a quem dava explicações obteve no exame – 9,5 valores. Para a defesa, este resultado demonstra que a aluna não teve acesso a informação privilegiada.

Segundo o JN, dos autos do processo de acusação constam referências a outras possíveis denúncias que a defesa acusa o Ministério da Educação de não investigar – além da antiga presidente da Associação de Professores de Português, outras 54 pessoas do Instituto de Avaliação Educativa terão tido acesso ao exame.

Vamos lá por partes curtas e sem rodeios:

  • O facto da aluna em causa ser ainda menos dotada em termos de inteligência do que o expectável, atendendo às circunstâncias, não me parece uma “alegação” de defesa particularmente brilhante.
  • A alguém que está destacada numa organização profissional, com redução ou isenção da componente lectiva, e ainda é “auditora” do IAVÉ deveria estar liminarmente vedada a possibilidade de ser “explicadora”.
  • Se no IAVÉ 55 pessoas têm acesso a um único exame, algo está profundamente errado nos seus procedimentos. E, insisto muito nisto, o “secretismo”, sendo muito, muito relativo, só fomenta a suspeição de que algo acontece nos bastidores.

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(isto faz-me lembrar outras situações… como gente que colabora na elaboração de novos programas disciplinares e pouco tempo depois aparece com um manual para essa mesma disciplina…)

6ª Feira

Ontem ouvi falar muito em liderança e não foi apenas por causa do meu triste Sporting (para memória futura, com esta equipa e o treinador escolhido, deveremos ficar ali entre o 5º e o 10º lugar e não falemos mais nisso, época encerrada). Ou da falta dela. Há lideranças que se procuram “afirmar-se” pelo medo e pela intimidação e são aquelas que, a dado momento, passam da caça às bruxas à caça aos gambuzinos, vendo perigos e ameaças a cada sombra que fica para trás nas esquinas. Há também as que fingem consensos, levando o rebanho ao redil em nome do bem estar comum, da paz das almas, do remanso em que todos pensam ter qualquer coisa, nada tendo. E há as lideranças que usam todos os truques para se manter no poder graças a um permanente exercício de desresponsabilização e fuga às responsabilidades. É complicado quando escasseiam cada vez mais os exemplos alternativos, mobilizadores sem demagogia, firmes sem desvios proto-totalitários, capazes de fazer diferente sem desprezarem as leis.

Claro que posso estar apenas a falar sobre lideranças escolares.

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(nem todos entendem que o “legado” de alguém acaba por ser a memória que dessa pessoa fica, porque as acções acabam por poder vir a ser desfeitas rapidamente. Por exemplo, o “legado” do Marquês de Pombal perdurou muito para além da “Viradeira”.)