Quem Receia Um Professor “Marca Branca”?

Na sequência de uma troca de comentários no fbook com o David Rodrigues, ele classificou-me como sendo de “marca branca”, por estar “contra tudo e todos”, pois não assumo um alinhamento claro com esta ou aquela solução política. No seu caso afirma o apoio a uma geringonça que já não existe e que eu até apoiei de forma explícita em 2015, logo após o início deste blogue, e muito antes em 2009, quando assinei um apelo para uma solução governativa desse tipo onde muita gente não estava. Mas essas posições nunca foram tomadas com o objectivo de obter qualquer tipo de capitalização, pelo que ele tem razão; e a partir de 2015 esse apoio foi perdendo entusiasmo de forma rápida.

E assumo-me, nesse sentido, como professor “marca branca” (já me chamaram coisas piores), com uma razoável relação preço/qualidade ao contrário de outros produtos com embalagens muito mais coloridas e atractivas e grande investimento em marketing, sempre com o olho no lucro e nas vendas, mas nem sempre no melhor interesse dos “consumidores”. Sem vaidades.

MArca Branca

(isto não é uma polémica, David, é apenas para veres como se pode responder a uma picardia sem recorrer a expressões como “dor de corno” e assim…)

 

A Coisa Holística (Mas Com Olho Na Massa)

Education needs to be holistic: Teach For India CEO

Lançamento do Teach for Portugal

Projeto apoiado pelo Prémio Caixa Social 2019

Mas parece que é uma abordagem holística numa perspectiva económica. E é bom reparar que isto só é possível porque existem verbas que agora passam por contratos com as autarquias e comunidades intermunicipais. Porque acham que há tanto adepto da “descentralização”?

Teach for Portugal está a recrutar futuros economistas

(…)

Trata-se de um compromisso remunerado que permite aos jovens profissionais, mesmo aqueles que nunca pensaram em ensinar, transformar a vida de muitos estudantes e comunidades desfavorecidas.

Dos países da OCDE, Portugal é um dos que apresenta mais forte associação entre a condição socioeconómica e o desempenho escolar das crianças e jovens. Cerca de 95% dos alunos que aos 15 anos já chumbaram pelo menos uma vez vem de uma família desfavorecida. Neste contexto, a Teach For Portugal foi criada para combater este problema e garantir que, um dia, todas as crianças e jovens do nosso país têm acesso a uma educação que lhes permite desenvolver todo o seu potencial, independentemente da sua origem. Na prática, a organização recruta e forma os recém-licenciados e jovens profissionais mais promissores para ensinar nas escolas que servem as comunidades mais carenciadas do país.

Como parte do programa, a Teach For Portugal garante, para além da remuneração, formação, apoio contínuo e a possibilidade de pertencer a uma rede internacional de jovens líderes determinados em transformar a realidade educativa dos seus países.

Agora reparem em que municípios já estão instalados e digam-me que lá se não é um “projecto” abraçado pelo Grande Centrão, com maioria de autarquias do PS: Braga, Famalicão, Gondomar, Guimarães, Lousada, Porto e Vila Nova de Gaia.

Money

 

 

E Quando Os Estudos Concluem Coisas Muito Diferentes Daquelas Que Nos Servem Como Adquiridas?

Toda a notícia é divertida, incluindo a parte em que o “especialista” discorda das respostas dos inquiridos. Deixo apenas um excerto divertido.

Outra das perguntas que foi colocada aos cerca de 3.200 professores e outros tantos pais foi de quem era a responsabilidade pelo desempenho e sucesso académico dos alunos.

Para os professores, eles são os principais responsáveis, enquanto os pais atribuem essa responsabilidade aos alunos.

As opiniões também divergem quando se fala nos objetivos da escola: os professores colocam em primeiro lugar a formação cívica (65%), os pais têm como prioridade a transmissão de conhecimento científico e tecnológico (64%). Ambos concordam apenas que o aspeto menos relevante é o desenvolvimento físico.

Smiling

Hoje, Pelo Público

Desculpem, li mesmo o programa do governo e não trago boas notícias para a maioria, mas isso não é novidade. A linguagem é moderadamente colorida, mas merecerá uma leitura quiçá mais atenta do que os destaques. Peço desculpa aos cortesãos do Poder que acham que ainda tenho excessivo “tempo de antena”. Mas são só palavras com algum significado, algo que desprezais do alto do vosso olimpozinho aconchegante.

O regresso dos professores “titulares”?

Enquanto docente choca-me a evidente opção de regressar ao aspecto mais problemático das reformas encetadas por Maria de Lurdes Rodrigues.

PG PB

5ª Feira

Parabéns, vós que estais prestes a sobreviver à primeira metade do 1º período ou ao 1º terço do 1º semestre, pois ides gozar do primeiro e único feriado destes meses. Os danos já se sentem, mas a verdade é que temos de definir “objectivos intermédios” para conseguir alcançar o “sucesso” merecido, com base na expressão possível das nossas “competências” e sem exibição excessiva dos nossos conhecimentos. Sejamos “flexíveis, mas não demasiado “autónomos”. Claro que a maioria está imersa em interessantes vagas de reuniões intercalares ou de outras coisas como daques que rimam com traques (isto é o momento Sério Conceição do post – cf, conferência de imprensa de ontem), assim como noutras coisas sobejamente relevantes para as aprendizagens dos alunos e felicidade geral do Modelo Único de Inclusão. Não esqueçais que é tempo de uma “formação” que vos aprofunde a sensibilidade para o “novo paradigma” do século XXI e não vos deixais manter contaminados por resquícios do malfadado e olvidável modelo do século XX, excepção feita à declaração de Salamanca de 1994.

Vá, agora ide que aposto que já tocou para o primeiro tempo (calma, eu entro um pouco mais tarde, não façam já apitar os alarmes controleiros por verem aqui publicação matinal).

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Eu Não Tenho Vergonha De Admitir Que Errei Ou Falhei Os Cálculos…

… porque me ensinaram que a mentira tem perna curta. O que é diferente de admitir erros que nos são imputados com falsidade. Em 2011 esperei que Nuno Crato fosse o ministro que colocasse em prática o que o comentador de Educação Nuno Crato escrevia e dizia no seu programa televisivo. Em 2015 esperei que o Bloco e o PCP servissem para algo mais do que muletas de um governo do PS com políticas globalmente centristas e “centénicas” ao ponto de serem motivo de elogio daqueles que antes se demonizavam, de agências de rating ao eurogrupo.

Errei, pronto. Preferia não ter errado e nem sequer argumento males menores porque são males na mesma.

Mas há quem erre, bem mais, e não consiga admiti-lo. Assim se constroem carreiras de “sucesso”. Na política ou nos arredores.

Ahhhh… o barrete não serve só a uma cabeça, ok? Nada de pretensões exclusivistas.

Flagellati