17 thoughts on “Que “Famílias”?

  1. Um dia perceberão o logro, mas para os seus filhos será demasiado tarde e para a sociedade também!
    Todos sabemos como funcionam as escolas e estas promessas de apoio diferenciado serão facilmente escamoteadas pelas passagens automáticas e pelos crónicos problemas organizacionais e económicos que caraterizam a sociedade portuguesa.
    Todos sabemos como a sociedade portuguesa é pouco exigente e também muitos começam a sentir na pele que mercado é altamente seletivo. Não basta ter um certificado, é preciso que lhe corresponda um conteúdo! Quantos empregos ficam desertos por falta de competências dos candidatos?
    Já se esqueceram do que aconteceu às Universidades que tudo prometiam a troco de dinheiro?
    Pobres dos pobres, cada vez mais pobres e muitos nem dão por isso. A passadeira vermelha está estendida para as castas e mandarins. Como Eça continua tão atual, infelizmente!
    “Lá vamos, cantando e rindo”, como rezava a cantilena de triste memória, porque como apregoava Pangloss, “tudo vai pelo melhor, no melhor dos mundos possíveis”! Quem está disposto a ser Cândido?
    Precisamos, urgentemente, de um novo iluminismo!

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    1. Maria Carlos Oliveira

      Excelente análise – e com poucas palavras !

      Da minha parte, jamais me ocorreu que o tema do “passa- tudo- mesmo- sem -saber” pudesse , algum dia, ser suscitado . Suscitado? Já está “implementado” (como agora se diz)! Veja, s.f.f. :

      Um agrupamento de escolas do norte do país “conseguiu” que toda (toda) a rapaziada – desde a antiga 1ª classe até ao 9º ano, transitasse ( sim transitassem para o ano seguinte )! . É al-ti-ssi-ma-men-te improvável que TODOS os alunos tenham logrado os indispensáveis ou correspondentes conhecimentos. Mas … o milagre deu-se .

      Não sei no que “isto” vai dar…

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      1. Todo este país já me está a meter nojo. Salvam-se algumas coisas boas como as poucas paisagens que ainda não estão estragadas com eucaliptos. Em todos os sítios há manadas, mas submissas como esta há poucas.

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      2. Maria,
        Os resultados são surpreendentes, mas o que eu gostaria mesmo de conhecer, qual cientista fascinado pelos resultados, era a resposta a algumas perguntas, a saber:
        Como se organizou a escola!
        Que mecanismo de apoio implementou?
        Contou com o apoio de outras estruturas?
        Como aferiu o processo a curto, médio e longo prazo?
        Que resultados obtiveram os alunos na aferição externa? (Não vale dizer que esta é pouco relevante e que o importante são os cidadãos. Quando vou ao médico gosto muito que seja exemplar como cidadão, mas também tão bom a nível do diagnóstico!)
        Uma última questão, que quantidade de papel foi produzida e que destino lhe foi dado (não basta apregoar a preocupação ambiental e depois falhar nas pequenas coisas do quotidiano)?
        Já nem vou indagar sobre a quantidade de reuniões, porque a proeza conseguida pode justificar os meios
        Respondidas as questões, confirmada a riqueza do processo, deixo em suspenso os meus sinceros parabéns ao corpo docente, aos pais, aos alunos e à direção da escola.

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  2. Afinal, como vai ser?
    Passagens administrativas com qualquer número de negativas (inclusive todas)?
    Ou proibição (e perseguição dos prevaricadores) de atribuir negativas a qualquer disciplina?
    Alguém já sabe qual vai ser a estratégia do governo?

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  3. Descobri há pouco tempo Chimamanda Ngozi Adiche, o primeiro livro que li foi “ameriCaNah”, que recomendo vivamente. Como a escola americana integra o enredo, que não me parece muito longe do que agora floresce, deixo aqui uma pequena passagem e algumas perguntas.

    “(…) Mas ela não se sentia à vontade com aquilo que os professores chamavam «participação» e não via porque é que havia de contar para a nota final; fazia meramente os alunos falarem e falarem, tempo de aulas desperdiçado com palavras óbvias, palavras vazias, por vezes palavras sem sentido. Devia ser porque ensinavam aos americanos desde a escola primária a dizer sempre alguma coisa nas aulas, fosse o que fosse. E ela ficava sentada, com a língua travada, rodeada por estas pessoas instaladas com tanta à-vontade nos seus lugares, todas cheias de conhecimento, não do assunto das aulas, mas de como estar nas aulas. Nunca diziam «Não sei». Diziam antes «Não tenho a certeza», o que não transmitia nenhuma informação, mas sugeria mesmo assim a possibilidade de conhecimento. (p.207-8)
    (…) Cá falam sobre filmes como se os filmes fossem tão importantes como os livros. Por isso, vemos um filme e depois escrevemos um trabalho sobre a nossa reação e quase toda a gente tem nota máxima. Consegues imaginar? Estes americanos não são sérios.» (212)

    É esta a escola que querem para os vossos filhos? É este o papel que desejam desempenhar como professores?

    Qualquer sistema educativo, que pretenda ser sério, prevê instrumentos para aferir a sua eficácia. Como o “novo paradigma” convive muito mal com o conceito de avaliação, que associa a discriminação e infelicidade (o que não consigo perceber), importa agora conhecer a resposta para a seguinte pergunta:

    Como pretende o ME recolher informação relevante? Ou será que não lhe interessa? Como podemos recolher dados sobre a eficácia do “novo paradigma”?

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  4. Um vergonha esse indivíduo… a falar por todos os pais portugueses. Eu sou pai de três crianças em idade escolar e não admito que esse senhor fale por mim… Como eu conheço muita gente que é frontalmente contra esta medida, contra a flexibilidade, e toda a demagogia desta gente… Falam como se fossem os donos da Escola Pública, ignorando ideias diferentes das suas, os factos concretos de que estão a baixar a qualidade das aprendizagens… Quem lhes dá o direito de prejudicar os meus filhos? Os nossos filhos? As crianças mais desfavorecidas, que serão, no final, as mais prejudicadas?

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  5. Isto é um atentado à sociedade! Que cidadãos, que profissionais, que automobilistas, que contribuintes… queremos formar!? É uma medida criminosa! Sinto-me revoltada!

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  6. Durante as décadas de 80, 90 e inícios de 2000 recuperámos parte do atraso.
    Vamos regredir rapidamente com estas políticas socialistas: teremos uma massa bruta e iletrada e uma elite que reinará.

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  7. Sabendo que transitam, por que razão os alunos se vão ralar a trabalhar, aprender alguma coisa nas aulas e até aparecer na escola? Já agora, que o governo decrete a abolição da avaliação…

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  8. Sou professora e também não concordo com esta posição.
    Os alunos são avaliados nos aspectos cognitivos e nos das atitudes. Se há problemas gravíssimos neste momento com toda a burocracia…e pouco tempo resta para preparar aulas e trabalhar a sério com os alunos, como será o comportamento dos alunos a partir de agora? E as faltas? E as aprendizagens? E tudo!!!!

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  9. Isto é um completo absurdo! Que longe estão os governantes da sala de aula… tudo decisões de gabinete, sem qualquer sentido. O futuro não se afigura risonho nem para alunos (os da escola pública), nem para professores.

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