Voltámos Às Contas De Merceeiro Do Antigamente

E por antigamente, entenda-se o mandato “Sócrates/Rodrigues/Lemos/Pedreira” na Educação, o qual se caracterizou por campanhas comunicacionais assentes em números martelados até à exaustão e que voltaram em força no final do mandato anterior quando se tratou de avaliar os encargos com a recuperação integral do tempo de serviço docente.

Agora é a questão do plano de não retenção no Ensino Básico que, de forma falseada e mais do que demagógica, se apresenta como gerando uma “poupança” de 5.000 euros por aluno, logo… se há 50.000 retenções anuais temos uma poupança potencial de 250 milhões de euros por ano lectivo e temos 1 (UM) milhão (MILHÃO) de redução da despesa pública num único mandato.

Phosga-se… que isto é de fazer os centenos de harvard y eurogrupo terem multiorgasmos.

Pena que, como seria de esperar, os números estejam longe de bater certo, pois, mesmo aceitando como boa esta lógica da batata, o valor de 5.000 euros por aluno é perfeitamente errado.

Desde logo porque as 50.000 retenções não significam automaticamente a constituição de novas turmas e a contratação de mais professores, pois esses alunos acabam por ser incluídos nas turmas existentes (são cerca de 5-6% do total) e só residualmente implicam a formação de novas turmas e, dessa forma, mais encargos com o seu funcionamento.

Mas o valor redondo de 5.000 euros também não bate certo com os dados que temos, mesmo usando a lógica simplista de considerar todos os encargos como “despesa” (voltamos à questão dos salários dos professores, a tal maior parcela dos gastos, gerarem “receita” por via fiscal) e dividir pelo número de alunos.

Apesar do custo por aluno variar com o nível de ensino, podemos usar como base os números disponíveis mais recentes para o total de alunos, de acordo com o Perfil do Aluno para 2017/18:

Alunos

O Ensino Básico andava pelos 900.000 alunos, subindo esse valor para mais de 1,2 milhões de alunos se incluirmos o Secundário.

Qual o orçamento do ME para 2018? Cerca de 4 milhões de euros.

OEME2018

Se formos tão simplórios como a máquina comunicacional do ME acredita que é a generalidade da opinião pública (se calhar com razão), fazemos uma divisão entre esses valores e temos um custo por aluno pouco acima dos 3.300 euros  menos um terço do que o ME anuncia. 

Mas, como eu disse acima, não é assim que as coisas se devem calcular, nem sequer devem ser feitos cálculos deste modo, pois os alunos retidos não geram novas turmas, nem implicam necessariamente a contratação de novos professores ou gastos adicionais com a luz, água, net, etc, etc.

Tudo isto é uma enorme mistificação para “conquistar a opinião pública” para a causa da não-retenção. O que foi dito sobre os “custos da retenção” aos directores numa formação feita há uns meses eu coloco mais logo (assim ache o raio do ppt que recebi), seduzindo-os com a possibilidade das “poupanças” feitas servirem para outros “investimentos”.

Este ano, só para o PNPSE foram mais de 19 milhões de euros inscritos no orçamento do ME.

Isto quer dizer que sou um feroz defensor das retenções? Nem por isso… sou é ferozmente contra as aldrabices para difusão mediática.

Infelizmente, estamos de novo mergulhados na estratégia da mentira estatística e financeira como arma política.

9 thoughts on “Voltámos Às Contas De Merceeiro Do Antigamente

  1. É verdade… cada vez tresanda mais a Sócrates + Lurdes Rodrigues + resto da cambada corrupta xuxa…
    Aliás, como muitas vezes já por aqui se foi dizendo, alguns até são repetentes… sem contar os primos… 😉

  2. Milhares de milhão. Certo? Um e quatro milhares de milhão. Certo?

    Quanto custa a brincadeira dos manuais gratuitos, nos quais nada de pode fazer?

    Qd era aluno, sublinhava, tomava notas e fazia esquemas à margem, também executava pinturas rupestres e até declarações de amor. É inesquecível o livro de Biologia do oitavo onde uma colega depositou um escrito semi-erótico que por lá perdura. Ah, Carla, que será feito de ti?

  3. Não discordo do fim das retenções. Discordo é que fiquem mais caras do que uma prática que assegure que os alunos com mais dificuldades não fiquem num limbo entre a imbecilidade imposta, a ‘inempregabilidade’, a marginalidade e a mediatização do chuchéssu a la pêésse.
    (Não vale a pena referir a desgraça que se abate sobre os colegas que se dedicaram ao ensino especial a sério, não é necessário sublinhar que os cursos profissionais são uma m-r-a destinada, na maioria dos casos, a resolver problemas de horário dos ‘professores sem horário gato sapato da direção’; que os ‘cefes’ e os ‘piefes’ são verdadeiras caixas de Pandora eescolas de crime para marginalecos inadaptados… Acho que não vale a pena…)

  4. Se a educação de um país é vista como despesa……vou viver para outro sítio….a educação é um investimento a longo prazo….estás bestas estão a pensar no bolso deles …. é vergonhoso……senhor daí lhe de comer bicarbonato de sódio a ver se lhe limpam o cérebro de baixo….

  5. mas alguém naquele Ministério frequentou uma cadeira de Análise de Custos? A gozar connosco e com os uniburgos onde se ensina essa cadeira. Que estimativa , dava chumbo na certa

  6. Já no blogue do Arlindo coloquei a questão e ninguém respondeu, mas onde é que eles vão buscar esses valores?! Um aluno fique retido ou não fica no sistema, qual é a diferença?!
    Enfim, o costume, mais areia para os olhos da opinião pública e dos media!

  7. A que melhor recordo, desse antigamente, foi quando o Valter (vereador da CMPenamacor pelo CDS e chumbado por faltas) convocou uma conferência de imprensa para as 4 da manhã, num dia de greve de professores, para anunciar o absentismo dos docentes.
    Questionado se todos os dados estavam tratados, teve que confessar que só tiveram tempo (em 2 meses, vários parasitas) para tratar 80% dos dados.
    Parece anedota.

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