Coisas Muito Complicadas

Estes casos prestam-se a análises apressadas, propostas simplistas de solução e muita demagogia. Infelizmente, tudo isso anda em alta, incluindo um forte descontrolo emocional em muitos jovens em idade escolar. Que vem de fora para o interior dos espaços escolares. E que merece uma análise mais complexa do que pretender ter “fórmulas mágicas”, em especial as que acham que é só dos portões das escolas para dentro que isto se resolve.

Uma rapariga de 16 anos está hospitalizada em Lisboa depois de ter sido agredida por um colega na Escola Secundária de Campo Maior, em Portalegre, confirmaram ao PÚBLICO o porta-voz do Hospital de Portalegre e fonte da Guarda Nacional Republicana (GNR). Agressor e vítima frequentam a mesma turma, têm a mesma idade e são ambos residentes do concelho de Campo Maior, sendo que a rapariga é de nacionalidade brasileira e o rapaz de nacionalidade portuguesa.

Não vale a pena esperar que quem não percebe nada do assunto (o ministro Tiago) ou quem só gosta de aparecer quando há chuva de flores e palmadinhas nas costas (o secretário Costa) produzam algo de relevante sobe este tema. Quanto à nova secretária, não vale a pena esperançar seja o que for.

A culpa, penso ser evidente, será de uma qualquer falta de “formação” dos professores num raio de 50 km da ocorrência.

Tristesse

Literacia Digital

PREPARING FOR LIFE IN A DIGITAL WORLD
IEA International Computer and Information Literacy Study 2018 – International Report

Results of the International Computer and Information Literacy Study (ICILS) 2018 (Infographics)

Não parecemos estar tão mal quanto isso. O nosso maior problema não é a falta de jeito para dar aos dedos. Já aplicar isso ao preenchimento de uma declaração de IRS ou outro tipo de formulários da vida real é outro campeonato.

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Um Caso Notório De Não-Retenção Na Fonte

Tenho duas turmas de 8º ano (uma delas a minha DT) cujos alunos, na sua maioria, tenho desde o 5º, embora quase todos então em Português. Agora, voltámos a conteúdos (Expansão Europeia) que retoma temas de HGP do dito 5º ano. Não sei se foi falta de flexibilidade no trajecto ou se o que constatei não interessa nada numa perspectiva de competências para o século XXI, agora que há ápes (não confundir com macacos) para tudo, incluindo até para respirar ao ritmo certo. Mas é indesmentível que acabei por levar isto à conta de uma paródia ou então amanhã ia à procura de um barril de alcatrão e do contentor com os restos de uma linha de abate de galináceos.

Portanto, talvez seja muito “século XX” considerar que as seguintes “competências” não foram devidamente consolidadas ao ponto de ficarem retidas para posterior uso. E passo a identificar apenas uma meia dúzia que considerava ser “transversais” ou mesmo “essenciais”, garantindo eu que as voltei a abordar nas últimas semanas com uso profuso da imagética adequada projectada em tela do século XXI e com animações e tudo.

  • Identificar os pontos cardeais num mapa.
  • Diferenciar o equador de um qualquer meridiano.
  • Distinguir países de continentes (e estes entre si).
  • Compreender que um trajecto começa na sua origem e termina no destino.
  • Distinguir oceanos de mares ou rios.
  • Compreender que o termo “fluvial” não se aplica a qualquer técnica de navegação no Atlântico, mesmo no século XV.
  • Reconhecer a grafia “Brasil” como correspondente ao país de língua portuguesa no subcontinente da América do Sul.

E olhem que apenas escolhi aquilo que posso apresentar como erros “sistemáticos” em perto de 50 testes. E garanto que não quero fazer nenhuma nova edição de um livro com recolha de dislates históricos.

Claro que sei que com quizzes multicoloridos em que só se carrega em teclas estas coisas não deixam tanto rasto documental que fiquemos bons minutos abismados a olhar a prova provada de que se é um professor que não entende que com o uso do GPS a maior parte destas coisas são completamente irrelevantes e que o Colombo e o Vasco da Gama deviam limitar-se a ser nomes de Centros Comerciais.

E também é claro que se eu desenvolver apenas “projectos”, em que o acompanhamento do “processo” seja o que verdadeiramente interessa e a qualidade do “produto” um mero detalhe que só vetustos mestres-escolas apreciam, nada disto me deve ocupar a massa cinzenta por um nano segundo que seja.

Nutty

 

 

 

O Problema De Toda A Gente Querer Escrever Sobre Educação É Que Uma Larga Maioria Ignora Profundamente O Que Se Passa Nas Escolas E Depois Sai Parolice Da Boa Como Se Fosse Coisa Sofisticada E Muito Pensada

A Patrícia Reis (que eu conheci ainda sem idade para votar, mas muito evoluiu entretanto) descobriu a pólvora seca da promoção da leitura. Benzádeus que ninguém, até hoje, se lembrou de fazer tal coisa.

Então, o desafio que me colocaram foi este: o que farias tu para promover a leitura? E eu, porventura ingénua, aqui deixo uma possibilidade de política pública de promoção da leitura que, na verdade, é de uma simplicidade imensa. E de se trata? Trata-se de implementar clubes de leitura em todas as escolas de primeiro ciclo.

Eu acho que deveria ser já convidada para vogal do PNL, de um grupo de missão para estudar o assunto e dar formação aos professores do 1º ciclo para que aprendam a formar clubes de leitura, essa coisa estranha de que nunca se lembraram em anos e décadas de carreira.

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(a sério que a conheci em idos dos anos 80 e ainda me lembro dos discos de vinil que lhe emprestadei… pois nunca mais os vi)

No JL/Educação Deste Mês

“Tempo de antena” para contraponto à peça, a abrir o suplemento, de exaltação propagandística do programa do governo para a Educação de João Couvaneiro (que ganhou há uns anos um prémio apresentado como “uma espécie de Nobel da Educação”, mas agora está a tentar governar a câmara de Almada apesar da Inês de Medeiros).