Haverá Maior Demagogia…

… do que prometer o fim das retenções no Ensino Básico e garantir que isso pode levar a poupar centenas de milhões de euros, pois basta as escolas e os professores trabalharem mais e melhor, dando a entender que só há chumbos porque as escolas trabalham mal e os professores trabalham pouco?

Como demagogos, o António, o Tiago e o João (com bastantes “âncoras” por aí, do Bloco ao PSD, admito) não são muito sofisticados, mas têm uma “narrativa” populista razoavelmente eficaz.

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10 thoughts on “Haverá Maior Demagogia…

  1. Desta vez não estou de acordo, e surpreende-me a ligeireza da apreciação. Não é costume. Dar a entender que só há chumbos porque não se quer poupar dinheiro (e também que ninguém aprende a não ser com a ameaça da retenção) é tão demagógico como o contrário. Ainda espero que os profissionais, entenda-se sobretudo os professores e as escolas, consigam e queiram exigir melhores condições (materiais e imateriais, entenda-se, que nestas coisas a subjetividade é importante, e sem gente que se sinta motivada e considerada nada se faz) e alterações substantivas que permitam que todos aprendam, e a escolaridade básica definida por lei como obrigatória e gratuita – até aos 18 anos de idade – seja um serviço público e universal de qualidade. O que implica falar de muito mais que a possibilidade de reter ou não um aluno num “patamar” homogéneo – o mesmo ano “dos 12” com o mesmo curriculum. E ser capaz de explicar que é possível educar com qualidade cada cidadão, diferenciando respostas para diferentes problemas. O que não significa que seja fácil, mas significa que é uma meta comum e razoável, e, ainda por cima, essencial ao famoso “desenvolvimento sustentável” .Ou então assumir que isso não está nem nas possibilidades nem nos propósitos, posição que muito se vê e se viu no passado, em vários lugares e com resultados conhecidos. Saudações fraternas.

    1. Maria Jose Vitorino,
      Isto,este tipo de medida só irá beneficiar os alunos filhos de Pais ( com maior disponibilidade económica ). Ou seja, pegam nos seus filhos e podem metê-los em bons colégios e os restantes ( filhos de Pais com mais dificuldades monetárias ) lá ficam no público …passa tudo e siga para bingo !
      Depois ? Acabam por deixar de estudar …enquanto os alunos de bons colégios ,continuam e irão ter no futuro acesso ao Ens. Superior.
      Quer maior discriminação ?
      É cortar as pernas à maior parte dos jovens estudantes.
      O resto ? É blá,blá,blá…blá !

  2. Blá blá blá.Sempre o mesmo discurso e a realidade não existe.I have a dream one day todos terão um curso superior e doutoramento honoris causa.

  3. “Ainda espero que os profissionais, entende-se sobretudo os professores e as escolas…” Estamos portantos a falar de “escolas profissionais” e de sobretudos.
    Perdi-me.

  4. “Dar a entender que só há chumbos porque não se quer poupar dinheiro (e também que ninguém aprende a não ser com a ameaça da retenção) é tão demagógico como o contrário.”

    Por partes:

    1) Não dei a entender nada disso.
    2) Não disse nada disso.

    “Demagógico” é algo que se diz para agradar de forma simplista à maioria. Não se aplica ao que escrevi. Aplica-se ao discurso oficial da “não-retenção” que parece dar a entender que os professores não trabalham o suficiente.

  5. #Maria José
    Mas, considera que tudo aquilo que enuncia não é desde sempre solicitado por todos os profissionais da educação!? E o poder político tem cumprido com as suas obrigações? Claro que não e cada vez foge mais às mesmas, só degrada a escola pública!

  6. 1 – A retenção faz mal à bexiga e será sempre de evitar. As consequências inevitáveis e duradouras levam, no limite, ao reencaminhamento de certos fluidos para órgãos com funções claramente diferentes. Esses órgãos, nomeadamente o cérebro, eliminam por sua vez os fluidos injectados usando os meios de que dispõem. Deste modo se produzem com os líquidos retidos algumas ideias que se vêem a circular por aí. Numa actualização da perspectiva Nietschiana (do que retive dos estudos liceais), quando em presença de uma qualquer ideia educativa deveríamos questionar quais os níveis de ADH e aldosterona de quem a veicula (https://pt.wikipedia.org/wiki/Diurese).

    2 – Demorar mais tempo a aprender as coisas é normal — não se podendo definir como uma retenção, — até porque o as ferramentas pedagógicas e a sociedade em geral estão a evoluir a uma velocidade infinitamente inferior à que se verifica na evolução das ferramentas tecnológicas que os seres humanos precisam de aprender a usar. Penso que permitir que um aluno aprenda em dois anos o que outro aprende em um é até um caso extremo de flexibilização e não uma retenção. Aliás, se há coisa que qualquer Instagram pode comprovar é que cada vez menos os alunos se retêm e se flexibilizam sem precisar de qualquer estímulo externo para o fazer (https://www.youtube.com/watch?v=0mgcDeSoIwE).

    3 – Outro assunto é saber se todos deverão aprender o mesmo até a uma determinada idade. Diminuir demasiado a exigência neste capítulo tem sempre como consequência baixar o nível médio. E se é esse o novo conceito de flexibilização, então preparem-se para não ter quem saiba meter uma algália daqui por dez anos (https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/morte-deixa-familia-indignada).
    Haverá é certo a elite reinante formatada num colégio, mas ninguém terá sequer capacidade para cumprir as suas directivas (https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/multimilionario-e-produtor-de-diamantes-morre-durante-cirurgia-ao-penis).

    4 – Os investimentos prometidos para não deixar os mais desfavorecidos para trás são obviamente promessas de um banha-da-cobra que não tem nem os recursos humanos nem os financeiros para concretizar esse projecto. Desistirá na primeira curva a pretexto de uma cativação (retenção) orçamental qualquer ou de uma perturbação na finança internacional (por definição uma instituição incontinente).

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