6ª Feira

É sempre preciso ter em conta que não estamos a lidar com gente séria. Não é “populismo” ou “demagogia” denunciar a “elite” política, em particular a que governa de forma formal ou informal, por se ter tornado essencialmente desonesta. Hoje é dia de apresentar como uma espécie de dádiva o descongelamento de carreiras e as progressões que daí resultaram. O que o Tribunal Constitucional, embora de forma timorata, considerou ilegal e apenas admissível de forma temporária, parece ter sido interiorizado por alguma comunicação social como sendo algo “normal”. E a classe política cavalga isso para dar a entender que os professores terão progredido nos últimos anos graças à sua enorme generosidade.

Chegaram 6000 ao topo da carreira? Mas ganham menos, agora, em termos líquidos, no índice 370, do que há quinze no 340. E de acordo com as regras do ECD, legislado pela “reitora” que recusou fazer a sua add, muitos mais ficaram barrados de lá chegar. Progrediram 45.000? Acredito. Mas deveriam ter sido muito mais e, em vez de um ou dois escalões, deveriam ter progredido três ou quatro.

Ok… noticiam-se “factos”. Pena que se transmita a sensação de isto serem “benesses” ou mesmo “conquistas” quando não passa da tentativa de legitimar os danos causados e as graves perdas verificadas.

Pura e simples bullshit.

Turd

11 thoughts on “6ª Feira

  1. Já sabemos para onde vão as centenas excedentes: “Governo prepara injecção final de 1400 milhões no novo Banco”.

    Urge lançar uma campanha nacional para a recuperação patrimonial dos oligarcas desvalidos! O slogan poderia ser “Um rim para a Nação: doe a quem faz doer”. A Cristina punha um contador no programa da manhã e publicava fotos dos sorridentes dadores a mostrar a sua cicatriz à saída da clínica particular encarregada da recolha.

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  2. Outro frete na mesma edição do pasquim dos hipers:

    Contributo para a actualização dos conteúdos da disciplina de História ministrada aos incautos petizes da “beira-mar plantada”, no Ano da Graça de 2019 sob o reinado de António o Conciliador.

    Tema: Do bolso do pobre ao cofre do rico carregado por um mafarrico.
    Materiais necessários: uma boa dose de paciência.
    Duração: 10 minutos.
    Esta unidade integra-se no plano de promoção da interdisciplinaridade, relacionando as disciplinas de História com a de Geografia, Inglês e Economia. Haverá vantagem em inserir esta unidade logo após a abordagem do tema da escravatura no século XXI.

    History

    Lone Star was founded by John Grayken in 1995. Since the establishment of the first Fund in 1995, Lone Star has organized twenty funds with aggregate capital commitments totaling approximately $85 billion.

    Lone Star’s origins trace back to a joint venture between a third party investment group and the Federal Deposit Insurance Corporation in 1993, called Brazos Partners, L.P. (“Brazos Partners”), in which nearly 1,300 “bad bank” assets that were impaired as a result of the U.S. savings and loan crisis of the early 1990s were acquired and resolved. As Chairman and CEO of the general partner of Brazos Partners, Mr. Grayken led the operation. After the majority of the assets held by Brazos Partners had been liquidated, Mr. Grayken began organizing institutional capital to continue pursuing investment opportunities on a larger scale. Brazos Fund, L.P. (“Brazos Fund”) closed in 1995 with approximately $250 million of capital commitments and subsequently targeted investments primarily in debt and real estate in North America. Brazos Advisors, LLC was established in 1995 to carry out the day-to-day management and servicing of the assets acquired by Brazos Fund. Mr. Grayken next organized Lone Star Opportunity Fund, L.P. (“Lone Star Opportunity Fund”), which closed in November 1996 with $396 million of capital commitments. Brazos Advisors, LLC, the predecessor to Hudson Advisors L.P., provided asset management and other support services to Lone Star Opportunity Fund.

    During 1995 and 1996, certain of the Funds began actively investing in Canada, establishing themselves as large acquirers of debt in Canada. Based on the success of the migration outside of U.S. markets, the strategic decision was made by Mr. Grayken to implement a global platform in 1997. Since that time, certain of the Funds have invested broadly across the U.S., Western Europe and East Asia. From 1998 to 2004, certain of the Funds invested primarily in East Asia (Japan, Korea, Indonesia and Taiwan), following the collapse of the real estate bubble in Japan in the early 1990s and the broader financial crisis in East Asia in the late 1990s. In 2005, investment activity in Europe began to intensify after the introduction of the Eurozone, resulting in the consolidation and deleveraging of financial institutions. In 2007, Lone Star began to see significant investment opportunities re-surfacing in the U.S. as capital flows slowed dramatically and illiquidity became widespread.

    Since its inception in 1995, Hudson has supported the Funds and the Funds’ investment activities globally, providing due diligence and analysis, asset management, and/or ancillary and other support services.

    Adenda: O Governo, via Fundo de Resolução (veículo gerido no quadro do Banco de Portugal), e o principal accionista do Novo Banco (o fundo norte-americano Lone Star), começaram a estudar a forma de acelerar o processo de saneamento completo do Novo Banco.

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  3. Por falar em topo da carreira (9º e 10º escalão) :
    Actualmente, este privilégio destina-se, em grande medida , aqueles que por volta dos 18/20 aninhos abandonaram a escola e os livros , indo “dar aulas” . Os outros, que com a mesma idade tiveram a “infeliz” ideia de prosseguir até à Universidade, foram “penalizados ” relativamente aos primeiros pois , naturalmente, possuem menos tempo de serviço. Agora, como soe dizer-se , “marcam passo”

    “Não estudasses , pá” !!!

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  4. O abjecto igualitarismo levado ao extremo no ECD :

    a) – antigo 5º ano (actual 9º), ou pouco mais = a licenciatura universitária ;

    b) – guardar crianças ou ensinar a fazer aviõeszinhos de papel = a ensinar matérias pré- universitárias que envolvem, naturalmente, grande conhecimento e responsabilidade.

    Não! Não é igual ! O ECD premeia os menos qualificados e com menores responsabilidades e esforço !
    Para quando a sua revisão?

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  5. Na AR debate-se a inducação. O mesmo que antes mas com mais irritação. Pensar-se-á que não passar por “legume” resolve-se falando mais depressa. Mas não. O que resolve é fazer mesmo e fazer certo. No entanto será dificil. Os 1400 milhões vão mudar de mãos e as cativações continuarão ao longo dos anos. Consequentemente as taxas de realização dos orçamentos continuará a ser insuficiente.

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  6. O pior, para mim, foi o título deste pasquim liberalóide para a notícia:

    ‘Seis mil professores chegaram ao topo da carreira num ano’.

    Pois, pá! Tudo às custas do povo!
    Curioso, o facto de se admitir que esta já é uma profissão impossível: ao que parece há umas luminárias que querem fazer do ensino uma carreira apetecível e de acordo com as exigências do século XXI.
    Não posso deixar de ficar curioso com o diplomazeco que esta rapaziada prepara…
    Na verdade, depois do 25A, uns pela esquerda, outros pela direita, uns pelo socialismo, outros pelo liberalismo (ou lá o que é…), outros por pura demagogia, de facto, todos têm contribuído para arrebentar com a Educação e com a Instrução pública.

    Lembro-me bem como esta malta teve o cuidado de achincalhar um ministro que tinha produzido o melhor documento legislativo sobre a Educação em Portugal:
    1- puseram o homem no pS,
    2- deram-lhe um cargo ministerial na Administração Interna,
    3- convenceram-no (coagiram-no?) a ser transparente com as secretas,
    4- o homem foi-o.
    5- No dia seguinte, com elevado interesse patriótico, a rapaziada do ‘Público’ e do querido Belmiro, o liberal, espetaram as caras dos nosssos espiões no jornal.
    6- O homem acabou demitido e desprezado publicamente.
    7- A corja que nos tem governado ficou com as mãos livres para arrebentar com o nosso sistema, por assim dizer, educativo.

    Já agora, para os mais interessados, aqui vai o documento em causa:

    Lei n.º 5/73, de 25 de Julho
    A Lei de bases do sistema educativo do ministro Veiga Simão que ‘aprova as bases a que deve obedecer a reforma do sistema educativo’
    https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/421823/details/maximized?perPage=50&sort=whenSearchable&sortOrder=ASC&q=educa%C3%A7%C3%A3o+f%C3%ADsica

    Os tempos e os passos para proceder a esta reforma eram calculados, medidos… Enfim, nada a ver com os orgasmos legislativos a que a rapaziada da p’litka pós 25A se tem dedicado. Um exemplo:
    Decreto-Lei n.º 520/72
    Introduz alterações na estrutura dos cursos professados no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina
    https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/685446/details/maximized

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