Anotações Sensatas Que A Alguns Parecerão Apenas Preocupadas Com Um Ensino “Elitista” Ou “Selectivo”

A ler todo o texto do António Carlos Cortez. E admito que apesar de ser apenas no 2º ciclo e ter feito uma profissionalização com nota “jeitosa”, mesmo ao fim de quase 30 anos ainda sinto um certo desconforto por ser “obrigado” a leccionar Português. E não é por achar que não o consigo fazer com alguma qualidade. Apenas que acho que a minha praia é a História e é nela que me sinto a nadar com aquele gosto especial.

Além de, muito provavelmente, os colegas das línguas estrangeiras, na sua boa vontade, poderem vir a cair no experimentalismo pelo experimentalismo, substituindo os textos literários portugueses por outros textos que, apesar de escritos em português, estão mais de acordo com o modus operandi das disciplinas para que foram formados (lá iremos cair em testes sobre temas, consolidar-se-á a tendência para respostas curtas ou testes com cruzinhas, numa infantilização soez de alguns instrumentos de aferição de competências: veja-se a charada dos testes orais…), coloca-se uma questão de rigor científico. Noções de periodologia literária, de conceitos operatórios para compreender a génese e a evolução de dada obra (Os Maias, por exemplo, não podem ler-se sem o estudo aprofundado das noções de ‘biópsia’, segundo Cleonice Berardinelli, e sem o entendimento do que foi o ‘anti-britanismo’ para a Geração de 70, e mesmo para Cesário…), terão os colegas de línguas estrangeiras a “adequada formação científica”?

Por tudo isto é que me parece que, no horizonte, o que se pretende é transformar o Português numa disciplina onde vale tudo, sobretudo se esse tudo for feito por todos em nome de um imenso nada… Não sei como reagirão aqueles que, mais críticos e atentos, perceberem que o hábito pedagógico nas disciplinas estrangeiras não passa pela análise e comentário de texto… Pode suceder que um colega de francês ou de inglês pergunte “como dar” a crónica de Fernão Lopes, ou como motivar para o Frei Luís de Sousa… Se for culto pode lembrar-se de estabelecer alguns paralelos entre essas obras portuguesas e outras daquelas latitudes literárias (Garrett refere Shakespeare a propósito do seu drama…), mas é em termos de cultura literária que tudo periga…

Finger

E Subitamente…

… há uma enorme “coragem” em alguma comunicação nacional e em certos “analistas” na abordagem à questão Isabel dos Santos/Sonangol/Etc. Já repararam como, tipo cogumelos, agora toda a gente se mostra entre o surpreso e o indignado. Gente que escreveu livros sobre como se deveria governar Portugal ou a explicar como se devem fazer negócios de sucesso. Porque antes nunca deram por grande coisa, mesmo quando existiam denúncias claras. A outro nível, por exemplo, o imaculado Teixeira dos Santos não deu por nada, apesar da sua sapiência imensa e do seu cargo no Eurobic. Os nossos “reguladores” andaram a assobiar como se o que se divulgava na imprensa internacional fossem fantasias.

Mas, por outro lado, nota-se em algumas pessoas um enorme cuidado na forma como “descrevem” o que se está a passar, não se envolvendo em “acusações”. Pois… como em outros casos, se alguém abre a boca… lá desabam certos castelos de areia em matéria de “credibilidade”.

Monty-PythonQuotes

(mas se até o tipo que deu o honoris causa ao salgado já foi recuperado e aparece a explicar-nos como funciona a economia…)

Problemas No Paraíso?

Carlos Silva (aquele com bigode da ugt) não gostou da geringonça. Antõnio Costa (aquele que é PM sem bigode) não gostou de Carlos Silva. Carlos Silva amuou. Carlos César apareceu a dar a sua opinião sobre algo de que entende imenso, a saber, o sindicalismo nacional. Carlos Silva não gostou. Entretanto, Paulo Pedroso (aquele que…) também está triste de desapontado com o partido, não se percebe se do lado esquerdo, se do lado direito, se do lado de dentro, e vai-se embora. O mundo, perante tamanha agitação, estremece de tanta indiferença.

Rosas2

(podia colocar os links sobre tudo isto, mas seria muuuuito chato…)

4ª Feira

Reler boa parte daqueles livros (Michael Apple, Andy Hargreaves, Jenny Ozga,  Philippe Perrenoud, Carlos Alberto Torres) que fizeram a bibliografia básica da Sociologia da Educação da década de 90 do século XX, com alguns salpicos já para os anos 2000 (muito deles comprados depois em saldos que anunciavam a decadência do interesse pelas teses), é reencontrar os problemas que enfrentamos agora. A governança educativa do século XXI é claramente feita à moda das teses neocoiso das últimas décadas do século XX que recauchutavam o pensamento do capitalismo do século XIX. Parece que há quem ache que o currículo só é “oculto” e que a sua apropriação pela ideologia só acontece se o for pelos pelos outros. Os “maus”.

livros