A Coutada Dos Venturas

É a dos que, perante a situação que envolveu o Marega, vão buscar o Mantorras e idas às Antas e o comportamento dos Super Dragões em tantos episódios lamentáveis. Que, por o serem, não desculpam em nada o que se passou em Guimarães. Quando um problema destes é discutido seguindo trincheiras de Benfica/Porto, percebe-se que os “princípios” não valem nada e a coerência é uma bola de sabão.

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A grande vantagem do Marega em relação a todos os que no passado preferiram fingir ou aguentar é que não ouviu e calou. Não me interessa se é do Porto, se festejou muito o golo ou se isto ou aquilo. Fez bem em abandonar o campo e do modo que o fez.

Quanto àquele governante com cara de copinho de leite que aparece nestas alturas a prometer muita coisa e a dizer banalidades, não vale, em acções, o que custa ao erário público. Se é para poupar, poupe-se em redundâncias governamentais. Basta ver o gabinete… motoristas são três, com habilitações entre o 6º e o 12º ano de escolaridade, todos a ganhar mais do que um professor no 5º escalão.

(e para que conste, os gritos de “Alcochete Sempre” são próprios de um culto de violência e não de qualquer amor clubístico ou de prazer no desporto, para além de serem um escape para frustrações e malformações individuais que, no rebanho do grupo, podem parecer mais despercebidas)

Ainda Sobre O Insucesso

Contra algumas ideias feitas, há factos que acho difícil ignorar e ainda mais complicado adulterar de forma sistemática para a opinião pública. Mesmo não partilhando a crença da autora acerca do “contexto favorável” que se viverá (que interpreto de outra forma). gostaria de destacar algumas das evidências que recolheu.

Vejamos o que pensam os alunos que mais insucesso têm do que se passa com eles nas escolas:

Sobre a melhor forma de combater esta situação:

Os alunos que não aprendem necessitam de colo e atenção em casa. Necessitam de programas de sensibilização das famílias, porventura antes do início da escolaridade obrigatória. Necessitam de ir mais cedo para o jardim infantil. Necessitam de programas que reduzam a desvantagem dos agregados familiares. Necessitam que a comunidade esteja atenta ao bullying. Necessitam de modelos para se comportarem melhor. Necessitam de não ser segregados em escolas estigmatizadas. Necessitam de aprender a ler para poder criar o gosto pelas histórias e pela criatividade. Necessitam que não desistam deles.

Os professores tentam dar um contributo positivo para que estes alunos continuem. Sempre os professores como o melhor ativo do sistema de educação.

Já agora, matizando a teoria de que só os pobrezinhos é que são protagonistas do insucesso, típica daquele determinismo simplório pseudo-sociológico:

Embora o sucesso das aprendizagens esteja ligado ao estatuto socioeconómico e cultural das famílias (educação dos pais, qualidade do emprego, poder de compra, hábitos culturais), esta realidade pode atingir todas as classes sociais, incluindo 6% pertencente à classe social mais favorecida. Por outro lado, dentro da classe social mais desafortunada há 42% de alunos que atinge nível “3 “ou mais. Cada um destes alunos adquiriu competências para entrar no elevador social, tem capacidades que permitem manter as portas do futuro abertas.

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2ª Feira

Parece que as grandes causas de outros tempos estão em baixa: o cruzamento de um modelo de carreira com quotas com um modelo de avaliação do desempenho com aspectos anedóticos como ter malta que nunca leu um livro de Pedagogia ou Educação porque em seu tempo ou na sua formação isso era dispensável – e ainda se gabam disso – a avaliar quem teve de os ler porque a isso era obrigado na sua avaliação académica. O modelo de gestão único com uma total subordinação hierárquica desde a tutela central (ou municipal) até aos professores rasos, com a figura d@ director@ como pivot da cadeia domesticadora de qualquer pretensão de “autonomia”. A municipalização da Educação, que irá fragmentar o país educativo, não apenas ao nível da competição pelo maior sucesso (neste caso já não está errada a “competição”), mas igualmente no plano das causas de insatisfação e reivindicação, com cada cor, seu paladar na luta ou no seu controlo.

De forma algo “estranha”, parece ter-se virado a agulha dos incómodos e de uma parte do debate, nem sequer para as questões de proximidade e para as condutas menos adequadas no funcionamento corrente das escolas ou da crescente interferência municipal e demissão dos serviços centrais do ME de um papel técnico de imparcialidade na análise das questões que lhe são colocadas, mas para quem é que afinal tem mais reduções e faz mais isto ou aquilo na sala de professores. Incómodos estimáveis, mas que é injusto colocar na ventoínha e salpicar justo, pecadores e simples transeuntes. É perder muito a perspectiva de causas comuns como as da ILC e optar por uma vereda estreita, à medida das circunstâncias de cada um@.

O que vale é que muita gente nas escolas cada vez se interessa menos por estas nossas conversas em circuito fechado, exactamente porque há uma saturação que resulta de um sentimento de perda progressiva e irreversível e a percepção de que os “actores” nisto tudo acabam por aceitar representar diferentes papéis, como se de uma sucessão de novelos dentro de uma novela se tratasse. E assim fossemos ziguezagueando conforme os humores.

O problema é que “lá em cima”, há quem esteja com toda a atenção e, assim, pode considerar que tem mais âncoras entre a classe docente do que pensaria para nos terraplanar a carreira. Até porque, vejam lá, temos a maioria dos “jovens” do nosso lado e assim sempre se castigam os “velhos” do século XX que até resistem mais à “inovação” e têm mais dificuldades com “as novas tecnologias”.

Não sendo eu um modelo de consensualidade e bom feitio, acho desnecessário reabrir feridas mal saradas, quando há situações bem mais complicadas a pender sobre o nosso pescoço comum.

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