E Agora, Para Algo “Normal”

Caros diretores de turma,

Mais uma vez peço a vossa colaboração, numa situação tão particular, para tornar possível a definição de estratégias de atuação que vão ao encontro do cumprimento nosso dever cívico e profissional.

Muitos dos nossos alunos estão assustados e preocupados com o impacto desta paragem letiva no seu desempenho escolar e no acesso ao ensino superior. Também os professores estão a pensar em formas de conseguir promover, a distância, estratégias de ensino-aprendizagem, de consolidação de matérias já lecionadas e de auxílio a alunos com mais dificuldades.

Perante tudo isto importa apostarmos numa melhor articulação/organização e nesse sentido peço-vos:

– procurem saber junto dos encarregados de educação ou alunos com ASE:

a) que alunos têm necessidade de almoçar no refeitório da escola;

b) que alunos não têm acesso à Internet em casa;

É provável que sejam poucos os alunos sem Internet em casa mas temos de saber quem são para pensarmos em formas alternativas de acederem às informações / materiais que os professores enviarem.

– através do contacto com os professores do conselho de turma, procurem criar uma forma de coordenar melhor os calendários de tarefas propostas pelos vários docentes. Neste momento, vários professores estão a enviar trabalhos e a marcar prazos de entrega sem qualquer articulação. Este ponto poderá ser melhorado com a vossa ajuda.

Se assim o entenderem, os conselhos de turma poderão utilizar a agenda do Inovar (para marcação/agendamento de trabalhos, por exemplo, tal como se faz com os testes). Poderá ser uma ferramenta de comunicação a utilizar  entre professores / alunos / encarregados de educação.

– divulguem aos alunos / encarregados de educação que será definido pelo MEC um procedimento para que os alunos não necessitem de se deslocar à escola para proceder à inscrição nos exames nacionais e de equivalência à frequência.

Assim que possível, a direção irá clarificar o modo de operacionalização dos conselhos de turma do segundo período. Receberão novas instruções, a esse respeito, durante a próxima semana.

Coragem e força para lidar com esta situação.

Ao vosso dispor

A direção

(…)

Thumbs

A Circular Pelas Redes Sociais (E Não Só) E Bastante Interessante

“Caros amigos,

Não somos entidades com nomes sonantes nem peritos em epidemiologia, somos apenas a arraia miúda, médicos que vivem diariamente num Sistema Nacional de Saúde (SNS) que no seu basal já trabalha no limite, e como tal, vemos com apreensão os dias que se avizinham.

Não estamos satisfeitos com o modo como a situação do COVID-19 tem sido conduzida pelas entidades competentes. Na tentativa atendível de não causar pânico, a verdadeira mensagem não está a passar e a nossa perceção é que pessoas fora da área da Saúde acham que o atual cenário “é um exagero”. Compreendemos em plenitude, não fossem tantas as vezes que a comunicação social nos anuncia a catástrofe iminente, que como ao proverbial rapaz os ignoramos quando há mesmo um lobo.

Assim, pretendemos deixar umas notas, que vindas de alguém que conhecem poderão ter o impacto que conferências de imprensa não têm conseguido.

Com base no cenário que vemos em Itália e que começamos a ver em Espanha (e na informação que vai sendo partilhada entre a comunidade médica) consideramos ser necessário dizer e reforçar o seguinte:

1- Mais de 80% das pessoas infetadas com o COVID-19 terão sintomas muito leves, semelhantes a uma simples constipação ou a um síndrome gripal ligeiro. Estes casos podem e devem evitar idas aos Serviços de Urgência. Não o dizemos por capricho! Não há qualquer tratamento a oferecer aos casos ligeiros, não há nada que se possa fazer num hospital que os impeça de agravar (e a vasta maioria não agravarão e passarão por si sós!). Breve, ir ao hospital não vos adiantará nada pessoalmente e pelo contrário porá em risco todos os outros utentes e profissionais.

2- Pelo menos 10% dos casos serão graves o suficiente para causar falta de ar e obrigar a idas ao Hospital. Alguns destes serão graves o suficiente para precisarem de ventilação mecânica (“ficar ligado à máquina”). Apesar de estes casos graves serem maioritariamente pessoas idosas ou com doenças que os fragilizam, também acontecerão casos de pessoas jovens saudáveis (se 0.2% dos jovens afetados precisarem de ventilação, no caso de 10.000 afetados serão 20 jovens em Portugal em estado grave). Nos idosos e pessoas com problemas de saúde, essa percentagem pode chegar aos 15-20%, o que significa potencialmente uma enormidade de doentes graves que o SNS não terá capacidade de assistir da melhor forma, que é o que se vê acontecer em Itália, onde ventiladores estão a ser recusados logo à partida, sem qualquer contemplação, a pessoas com mais de 60 anos.

3- O que podemos fazer? Tentar que em vez de termos 10.000 casos até ao final de Março, tenhamos esses 10.000 casos espalhados no tempo ao longo de 6 meses. Faz muita diferença um hospital ter no mesmo dia 10 pessoas a precisar de ventilador ou ter 50 pessoas a precisar de ventilador. É simples, não vai haver para todos. Como podemos atrasar então o surgimento de novos casos? Isolarmo-nos o mais possível. E cada dia conta no atraso que vamos conseguir!

4- Se és dono de uma empresa ou de um escritório considera fechar portas e colocar os funcionários a trabalhar tanto quanto possível de casa. Pensa assim, vais ter que fechar portas em duas semanas de qualquer forma, com uma grande diferença: salvaste vidas!!

5- Se podes trabalhar de casa, deves absolutamente fazê-lo.

6- Não vás ao ginásio, vai dar uma corrida (não em grupo!) e faz umas flexões em casa. Não vás ao café. Não vás ao restaurante. Escusado será mencionar esse ambiente fresco e arejado que existe em discotecas e bares noturnos. Almoço de fim de semana em casa dos avós? Cancelem. Jantar de anos da Filipa? Não vai dar, a Filipa compreenderá, mais não seja em duas semanas quando perceber a dimensão do problema.

7- As crianças, ao contrário do que se viu escrito em alguns locais, parecem ser bastante contagiosas. Apresentam também muito poucos sintomas quando estão infetadas. Ou seja, devemos evitar o contacto entre as crianças da família e respetivos avós e outros membros mais frágeis. Pelo lado bom e para tranquilizar: tanto quanto sabemos (e já sabemos alguma coisa após tantos milhares de casos pelo Mundo) não há qualquer caso de doença grave em crianças menores de 10 anos. Os sacanitas são rijos, mas muito contagiosos.

8- A máscara só é útil para quem já está a tossir e espirrar – para pessoas sem sintomas ajuda pouco. Importante mesmo é lavar as mãos frequentemente e evitar tocar na cara/boca/olhos. E manter distância social: não há apertos de mão, não há beijinhos e falar de perto é também má ideia (vá, todos conhecemos aquela pessoa que manda muitos “perdigotos”).

9- Não é demais salientar que durante esta época as outras doenças, acidentes e infortúnios vários não vão tirar férias. Continuarão a existir AVCs, ataques cardíacos, outras infeções, acidentes de viação, exatamente na mesma quantidade de antes. Com uma diferença saliente: quando esses doentes graves precisarem de vaga nos cuidados intensivos (que mesmo num dia bom já são insuficientes e difíceis de gerir), podem bem não a ter. A mortalidade do COVID não é só a mortalidade do COVID – com um sistema a trabalhar para lá do limite, todas as outras doenças que já antes matavam, matarão mais.

10- Terminamos com uma nota importante: o pânico é contraproducente. Ninguém tem necessidade de açambarcar setecentos rolos de papel higiénico. A sociedade como a conhecemos não colapsará. Mas isto não é a gripe A, não é a vespa asiática, não é a crise dos combustíveis, não é nenhuma das mais recentes catástrofes sempre anunciadas e felizmente nunca cumpridas. Desta vez é a sério (palavra de escuteiro) e cabe a cada um de nós fazer a sua parte para que seja o menos sério possível.”

ASSOCIAÇÃO MÉDICOS E DENTISTAS CENTRO / SUL E VALE DO TEJO

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