O Pior Erro… (E Umas Sugestões)

… é não tomar ou atrasar medidas só porque não saíram em primeiro lugar das cabecinhas “certas”. Assim como também é errada a precipitação baseada na tentação de apresentar serviço o mais depressa possível, para demonstrar que se está a trabalhar e não a mandriar.

Vamos lá tentar olhar para as coisas com a objectividade possível e com parágrafos curtos, à moda do “leitor rápido” do século XXI. Desculpem se só meto bonecos no fim.

  • De acordo com os modelos mais credíveis e mesmo “oficiais”, os riscos de contágio pelo SARS-CoV-2 e de desenvolvimento da CoVid-19 serão muito elevados até final de Abril ou mesmo início de Maio.
  • Perante este cenário, este ano lectivo nunca poderá ser vagamente “normal” e terá de ser pensada a melhor forma de encarar o que deve ser feito nos próximos meses, reservando o essencial e deixando cair o acessório. Combinando as questões pedagógicas com as sanitárias.
  • Sendo um confesso adepto da existência de provas de avaliação externa, admito que parte delas é, neste momento, algo perfeitamente acessório, pelo que poderão ser adiadas ou pura e simplesmente eliminadas, até para não prolongar desnecessários fenómenos de ansiedade.
  • Considero muito mais importante que se mantenha algum contacto dos alunos com actividades que permitam continuar a desenvolver algumas aprendizagens do que estar obcecado com a sua avaliação. E, repito, eu nem sou adepto das teorias holísticas e coisas assim.
  • Desta forma, as provas de aferição calendarizadas para o início de Maio (Educação Artística, Educação Física para o 2º ano, entre 4 e 12 de Maio), deveriam ser eliminadas, o mesmo podendo acontecer à de Componente de produção e interação orais de Inglês para o 5º ano, entre 18 e 27 de Maio).
  • Em boa verdade, todas as provas de aferição do 2º ao 8º ano, por não terem qualquer reflexo no percurso escolar dos alunos, poderiam desaparecer sem especiais perdas seja para quem for.
  • As provas finais do Ensino Básico (9º ano) deveriam ser repensadas, pois ao nível dos conteúdos poderão não estar ajustadas ao novo contexto. O calendário da sua realização deveria ser reavaliado ou, em alternativa, considerar-se uma situação de excepcionalidade para a conclusão do 9º ano (o que até deveria ser do agrado dos críticos dos “exames”, entre os quais não me incluo).
  • Os exames nacionais do Secundário que se iniciam a 16 de Junho também deveriam ver o seu calendário reavaliado, com destaque para os de 11º ano que não se reflectem de forma imediata no acesso à Universidade em 2020-21. Adiá-los para Setembro não me parece nada chocante ou inviável. Afinal, nem sou eu quem afirma que não podemos “estar reféns dos exames”.
  • Quanto aos do 12º ano, é importante aferir até que ponto as provas que foram feitas estão adaptadas às circunstâncias em que vão decorrer (ou não) as actividades nos próximos meses. O recurso a ferramentas de ensino à distância não substitui o valor das aulas presenciais e muito menos fazer-nos acreditar que solucionam o problema existente em relação às aprendizagens. Num contexto de excepcionalidade, após avaliação da situação durante Abril, talvez fosse mesmo mais prudente adiar os exames para o início de Setembro, mesmo se isso acarreta adiar o acesso à Universidade.

Ideia

 

 

 

24 thoughts on “O Pior Erro… (E Umas Sugestões)

  1. Guinote… tudo vai ser mudado.
    Alias até suspeito que o ano letivo já acabou.

    Para o ano so se lecionam conteudos ESSENCIAIS.

    Universidade terá de ter novos inicios e novos tipos de exames.

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    1. Se tivessemos um ministro da educação digno desse nome, o que consta deste post teria letra de lei. E já que o titular da pasta da educação não é capaz de excogitar nada, bem poderia aproveitar o que aqui está escrito.

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  2. Para os exames serem mudados para o mês de setembro, será necessário adiar não só o acesso à universidade, mas também o início do novo ano letivo, em mais de um mês, o que vai mexer com todo o próximo ano letivo.

    Há que pensar isto tudo muito bem pensadinho, porque mesmo as formulações enfermam de vários «covides».

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      1. Não, não seriam mais duas semanas. Seria bastante mais tempo: há três fases de exame, incluindo uma especial, períodos de correção que vão dos 11 aos 15 dias, além dos períodos de reapreciação. Não é por acaso que os professores que corrigem exames do ensino secundário só vão de férias no início de agosto e, ainda assim, são contactados, em pleno mês, para procederem a reapreciações.

        E isto partindo do pressuposto de que os exames começariam logo no dia 1 de setembro.

        É claro que se poderá criar uma situação de mais exceções, mas, sendo assim, daqui a pouco teríamos a exceção como a regra.

        Além disso, teríamos de encontrar forma de lidar com as desigualdades no que diz respeito à atividade letiva do terceiro período e à avaliação, sem dúvida a questão mais problemática de resolver.

        O problema é bem mais profundo, mas temo que, como na China, os deserdados pela sorte, economia e geografia, tenham, no final, uma «sorte» semelhante ao jovem chinês com atraso mental que morreu sozinho, em casa, à fome e à sede, porque os familiares foram forçados à quarentena.

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  3. Com as PGA…foi mudado para o ensino superior….o resto… é que depois da primeira fase do vírus…o ministro e os seus acólitos secretários devem ser demitidos…. Porque o que tem feito é o mesmo que abaixo de zero. E estou a insultar, sem culpa nenhuma o zero

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    1. Caro Dr. Contraditório,

      Não sei se, ao escrever, conseguiu aperceber-se que acabou a argumentar de uma forma circular.
      Ou seja, acha que a minha proposta tem problemas (e claro que tem), mas não consegue encontrar outra, a menos que esteja a dar a entender que deve tudo ficar como está e a 16 de Junho, milhares de alunos estarão em condições de fazer os exames.

      Acredito que começou a pensar nas falhas da minha argumentação e percebeu que, afinal, não há propriamente alternativas sem falhas equivalentes.

      Mas há um aspecto que eu gostava de lhe chamar a atenção… a situação é já de excepção, pelo que mais um mês ou menos um mês me parece pouco relevante. Aliás, pode começar-se a época de exames a 17 de Agosto e quem falar que é tempo de férias… ignora-se, exactamente porque assim se antecipariam as ditas (sem medo de o assumir). Nem vou apontar o facto de, na Educação, andarmos com excepções para tudo e mais alguma coisa e nem sempre com uma justificação destas (não fui eu que falei em “luta pela sobrevivência”).

      Declaração de interesses: tenho a minha filha no 11º ano, com 2 exames marcados, mas nunca analisei as coisas com base nos interesses dela (daí ela me ter perguntado porque era eu a favor das provas de 4º ano que ela teve de fazer). Há momentos em que temos de ir além das pequenas conveniências. Ou de tácticas políticas. Mesmo se desgosto de apelos à “unidade”. Prefiro que se tenha algum bom senso.

      Já agora… eu entrei na Faculdade em Novembro e sobrevivi.

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  4. Acima de tudo, não se pode aceitar que o que se está a fazer agora com os alunos venha a ser equiparado a trabalho letivo normal em sala de aula, permitindo-se assim que eles façam exames como se nada tivesse acontecido. Gostava que o Ministro já tivesse dito alguma coisa sobre isso para tranquilizar um pouco os alunos, mas, não tendo dito, que ao menos seja capaz de decidir de forma razoável quando tiver que o fazer (adiar, reconfigurar, eliminar, o que seja…)

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  5. … ” O recurso a ferramentas de ensino à distância não substitui o valor das aulas presenciais e muito menos fazer-nos acreditar que solucionam o problema existente em relação às aprendizagens. “…

    Tudo dito !!!

    Soluções ?
    O percurso sugerido pelo Colega Paulo Guinote , parece-me bem .
    Haverá alternativas ?

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  6. Concordo. É preciso sensatez e a serenidade possível. Num cenário absolutamente inédito e de tanta incerteza, é preciso pensar a curto e médio prazo e com alguma visão. Claro que é indispensável dirigentes à altura e não fantoches. No nosso caso, a demissão do ministro seria um ato de inteligência que não se prevê. A autonomia das escolas funciona de tal modo, que não é possível admitir que a resposta venha por aí (independentemente dos bons exemplos). Espero que alguém o leia(parece que sim…). Pessoalmente, está – me a ser muito difícil imaginar aulas à distância. A presença é absolutamente insubstituível. Mas claro, neste cenário está é a minha menor dificuldade.

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  7. «É claro que se poderá criar uma situação de mais exceções, mas, sendo assim, daqui a pouco teríamos a exceção como a regra.» Diz o Dr. Contraditório mais acima…

    Mas o que estamos a viver não deixou já perceber de forma evidente que aquilo que para nós todos eram exceções vai passar a ser regra? Que mais é preciso acontecer, caramba?

    Que governo de bananas incompetentes é este? Não são capazes de decidir nada?

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  8. Tenho muita dificuldade em perceber que as energias intelectuais e emocionais estejam a ser gastas em medidas imediatas de pôr os alunos a trabalhar nesta penúltima e última semanas de aulas, que como sabemos, numa situação normal, estavam já ocupadas pelas últimas avaliações formais e informais, pelo que pouca matéria se adiantava.
    Assim, e numa situação inédita, de grande agitação que nos deixa a todos preocupados com o que aí vem, parece me que não há condições de atenção nem de concentração para realizar aprendizagens e muito menos de avaliação.
    Muitos de nós vamos adoecer nos próximos dias, semanas, meses. Uns ligeiramente, outros gravemente, não esqueçamos que fazemos parte do grupo de risco. Por isso, tudo o que se projete para aulas e avaliações nos próximos tempos, dificilmente se poderá concretizar, pelas piores razões.
    Neste momento deveríamos concentrar nos em não sermos corrente de contacto, pensar a avaliação deste período com todo o cuidado, pois poderá ser a última deste ano e os alunos não deveriam ser prejudicados. Mais do que isto vai ser uma grande perda de tempo e de energia.
    Dedejo a todos a serenidade necessária para enfrentar os próximos tempos.

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  9. Tenho muita dificuldade em perceber que as energias intelectuais e emocionais estejam a ser gastas em medidas imediatas de pôr os alunos a trabalhar nesta penúltima e última semanas de aulas, que como sabemos, numa situação normal, estavam já ocupadas pelas últimas avaliações formais e informais, pelo que pouca matéria se adiantava.
    Assim, e numa situação inédita, de grande agitação que nos deixa a todos preocupados com o que aí vem, parece me que não há condições de atenção nem de concentração para realizar aprendizagens e muito menos de avaliação.
    Muitos de nós vamos adoecer nos próximos dias, semanas, meses. Uns ligeiramente, outros gravemente, não esqueçamos que fazemos parte do grupo de risco. Por isso, tudo o que se projete para aulas e avaliações nos próximos tempos, dificilmente se poderá concretizar, pelas piores razões.
    Neste momento deveríamos concentrar nos em não sermos corrente de contacto, pensar a avaliação deste período com todo o cuidado, pois poderá ser a última deste ano e os alunos não deveriam ser prejudicados. Mais do que isto vai ser uma grande perda de tempo e de energia.
    Desejo a todos a serenidade necessária para enfrentar os próximos tempos.

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  10. Acrescento ao meu comentário anterior que estou completamente de acordo com o Paulo Guinote no que diz respeito a exames e seus calendários.
    Tempos extraordinários, medidas estraordinarias.
    Vamos lá ver se nos e temos. Não estamos a pensar que depois das férias da Páscoa tudo vai voltar à normalidade, pois não?

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  11. Muito bem, Paulo! Concordo em absoluto com os argumentos e com as posições de princípios!

    Todavia, tempos de verdadeira e pesada excepcionalidade exigem medidas de excepção.

    Eu que nem sou nada adepta das INCLUSÕES e das FLEXIBILIDADES que o ME anda a IMPOR às escolas, acho verdadeiramente hipócrita a teimosa rigidez convencional das soluções! E, igualmente grave, o desconhecimento das muitas realidades sócio-económicas que existem nas escolas… e, neste caso, algumas propostas apenas farão com que a escola, que deveria combater a desigualdade “de berço”, apenas as irá incrementar!

    Considero verdadeiramente escandaloso, desde logo quando permitem que várias escolas “flexíveis”, algumas que reduziram quer a importância de disciplinas quer a exigência do Conhecimento, tenham apenas 2 momentos de avaliação quantitativa (que também não defendo)… e, insistam numa avaliação de um 2º período em que os miúdos ainda tinham oportunidade de trabalhar para melhorar aprendizagens e resultados mas que a gravíssima excepcionalidade da situação lhes roubou… Seria muito mais equilibrado, esperar pelo final do ano e face ao desenrolar dos acontecimentos, os alunos teriam a avaliação do 3º Período, que corresponde às avaliação final do ano, com a ponderação de todo o trabalho realizado.
    A legislação já prevê a possibilidade, em determinadas situações não imputáveis ao aluno, de se concluir o ano apenas com duas avaliações quantitativas… não se compreende, de todo, a teimosa rigidez de imposições tão convencionais…

    Mais acrescentaria, acerca de toda esta hipocrisia: tantos alunos que no decurso deste ano lectivo estiveram longos períodos sem professor em diversas disciplinas… nestes casos não os preocupou minimamente as aprendizagens que os jovens não tiveram oportunidade de realizar …

    Acrescento que numa escola ao lado da capital, tenho alunos que têm telemóvel mas só para receber chamadas pois não há dinheiro para carregamentos… tenho alunos cujas mães têm 2 ou 3 trabalhos para colocar comida na mesa e pagar contas básica – internet é um luxo…

    Mas é o próprio ministério que sabendo disto – fingindo e manipulando estas tristes realidades sempre que pode – abre escolas para servir a única refeição quente do dia…
    É este o ministério que gosta de viver “à grande e à francesa” iludindo os jovens, as famílias e a sociedade… É sempre daqui, do não reconhecimento efectivo das realidades e por tal da ausência de medidas fundamentais à REAL inclusão… que parte a primeira discriminação e não, ao contrário do que propagandeiam, a inclusão!

    Tenham vergonha… e percebam que todo o país, e todos os sectores, estão a ser afectados…e, medidas excepcionais têm que ser tomadas para minimizar os danos e salvaguardar as melhores, mais justas e exequíveis soluções!

    Já agora, não será a 1ª vez e por motivos bem menos graves que o actual, se adiou o acesso às universidades e nem a 1ª vez que estás iniciaram o ano lectivo em Janeiro…

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  12. Lembram – se ?

    Eu ainda me safei …mas por pouco.

    ” Aconteceu em 1977 – Nasce o propedêutico de acesso à Universidade
    Neste dia 20 de outubro de 1977, o DN noticiava a criação de um ano suplementar que fazia a ponte entre o liceu e a faculdade.”

    “O Conselho de Ministros instituiu, na sua reunião de ontem, o chamado ano propedêutico, que passará a ser obrigatório para o acesso ao ensino superior”, noticiava o Diário de Notícias.”

    Um ano para inglês ver …essa é que é a verdade.

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