4ª Feira – Dia 3 Em Alerta

A gata começa a revelar sinais de perturbação com a nova situação. Pela manhã, fica incomodada com os humanos deitados fora de horas e faz correrias a ver se alguém se levanta e acompanha. À tarde, habituada ao sossego e a uma sesta prolongada, fica sem saber o que fazer, se vai para o colo de alguém, se nos ignora, o que é difícil quando há barulho, música ou noticiários.

Quanto à situação doméstica nacional, seria bom que alguém comunicasse ao ministro Tiago e outras autoridades que os alunos entraram mesmo em férias e que, em especial no Básico, o seu entusiasmo e adesão ao ensino à distância está muito baixo. Podemos, do lado de cá, estar a construir palácios e castelos digitais lindos de morrer, só que os príncipes e princesas estão noutra onda. E, já agora, mandar uma dezena de mails a quem anda muito excitadinh@ com isto tudo, a explicar que o horário “não-presencial” não passou a ser de 24/24 horas, 7/7 dias.

Lá por fora, após um circuito matinal pelos canais noticiosos internacionais, percebe-se que americanos e ingleses estão a acordar para a realidade e a ficar em estado de choque, em especial nos EUA onde já há casos em todos os estados. Em Inglaterra, a inversão de marcha nas medidas tomadas revela que a primeira estratégia (o modelo da “imersão” para tentar desenvolver uma imunidade geral) para além de errada é politicamente insustentável. Um pouco por todo o lado, constata-se o erro imenso das políticas de erosão dos serviços públicos (agora é a Saúde, mas é apenas o mais visível) em favor de políticas orçamentais alegadamente virtuosas.

CArtoonCorona

The Times, 18 de Março de 2020

9 thoughts on “4ª Feira – Dia 3 Em Alerta

  1. Aquelas explicações sofisticadas sempre me pareceram muito estranhas, tipo banha da cobra.
    ” Build up society’s immunity” é o equivalente de ” Deixa arder…”.

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  2. O Rosmaninho está inusitadamente meditativo. Assusta-o o facto de a segunda vítima ser um banqueiro. A ideia de que o Estado não pode fazer um baillout nestes caso causa-lhe um incómodo sentimento de impotência. Não mais haverá entidades demasiado grandes para desaparecer? Restará alguma entidade acima do Estado a quem recorrer? A Comunidade Europeia, o Engenheiro Guterres, os Capacetes Brancos?
    Tentei sossegá-lo e até lhe deixei um rolo de papel na manjedoura. Vá-se lá saber porquê considera-o guloseima. Cheirou-o mas virou a cabeça para a porta do estábulo, ficando a olhar fixamente o horizonte onde solitária se mantém de atalaia a azinheira centenária. Finalmente lá lhe conseguir sacar um comentário.
    — Tu podes dizer-me com franqueza qual é o estatuto que me atribuis aqui na herdade?
    — Rosmaninho, tu é como se fosses da família! Não vês que até nos piores momentos partilhamos contigo o que temos? Até o papel higiénico!
    — Juras que, se a situação piorar, não te tentas livrar de mim ou me consideras carne para fogão?
    — Rosmaninho! Como podes tu sonhar com tal coisa! Não vês que és demasiado rijo para assar?
    Passei-lhe a mão pelo focinho e deixei-o a meditar sobre as vantagens na vida de se ser considerado demasiado grande para caber no forno.

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