Phosga-se! – Série “E Quem Diz Que Não Há Quem Já Ande A Preparar O 3º Período?”

Era para publicar só amanhã, mas como quero ver se faço uma certa dieta digital, fica desde já aqui o ponto 12 de uma comunicação de um director às suas “tropas” ao fim do dia de ontem.

Complementando a informação já existente, relativa à planificação da atividade dos conselhos de turma no 3º período chama-se a atenção para a leitura da orientações enviadas por e-mail, produzidas pela administração – Plano de E @ A (ensino à distância)- adequado aos recursos disponíveis e ao público alvo. Mais se informa que até ao dia 2 de abril deverão os DT’s fazer chegar ao coordenador e ao diretor do agrupamento o plano elaborado na sua turma, registar as aulas presenciais no calendário TEAMS (bastará fazer uma semana, indicando a periodicidade com que se repete (semanal). Caso não se consiga concluir o referido plano, alerta-se para a marcação de reuniões de trabalho durante a pausa da Páscoa.

As Medalhas do General2

 

Não É O “Quem” Que Me Chateia, É O “Como”

Há quem desenvolva complexos de perseguição absolutamente incompreensíveis. E parece que estou de volta a mais de uma década para antanho. Calma, isto é um blogue e eu apenas escrevo, não vos quero tirar qualquer pão da boca ou honraria do peito (que isto no 10 de Junho do próximo ano vai ser um fartote de medalhas), apenas escrever o que penso. Não tenho nada de pessoal contra a larga maioria do pessoal que anda por aí a rondar pelas cortes costistas, apenas tenho contra a combinação de inépcia e calculismo político das “boas práticas”. Chateia-me como fazem as coisas, sejam da cor e formato que forem. Se fossem outros, achava o mesmo se as “recomendações” fossem despropositadas e mal pensadas ou se achassem que o “estado de emergência” justifica que ignoremos algumas regras básicas de legalidade e direitos de cidadania.

Vejam a coisa por este prisma… eu só vos posso chatear o neurónio, enquanto alguns de vocês têm e tiveram o poder para lixar a vida a muita gente e ainda têm a lata de se armarem em vítimas. Tenham decoro. Façam o vosso trabalho bem e acreditem que vos baterei palmas. Só que… até agora, parecem aqueles alunos que se acham o máximo e pensam escapar à crítica na base da cábula ou da espreitadela à mesa do lado. Por isso gostam tanto da “monitorização” e de “indicadores de qualidade”. Para os outros.

pepe

 

Vou Ali Fustigar-me Já E Em Força!

A entrada do exercício diarístico de hoje está levantar alguma celeuma longe do blogue, pelo fbook, por parte de quem acha que lá estou eu a levantar problemas e não a apresentar soluções nem sugestões construtivas, mesmo se já o fiz por diversas vezes.

Vamos lá a tentar perceber como isto funciona.

Um tipo apresenta sugestões ou ideias, ficam ao vento, porque quem sabe está a preparar coisas melhores, em grupos grandes de reflexão e está tudo em “equipa” a delinear estratégias. Ok, tudo bem, sou pouco gregário e muito menos estou com paciência para tempestades cerebrais de horas que depois dão umas páginas de excel com moradas e mails.

As estratégias ou recomendações aparecem, sem rumo estratégico aparente, mas meramente com o objectivo táctico de preencher um vazio crescente, e um tipo critica algumas opções e levanta dúvidas.

Então, diz-se que só se estão a fazer críticas, a levantar “problemas” e a não colaborar no esforço colectivo da “luta pela sobrevivência”.

Um tipo salienta que já apresentou propostas e sugestões (de sequência nos procedimentos, de alteração de calendários, de formas de contactar os alunos que não colidem com regras e leis em vigor) e respondem que, pois, até concordam com grande parte disso, mas voltam a criticar que se critique sem apresentar sugestões, sendo que acabaram de dizer que concordam com parte das sugestões que foram efectivamente feitas.

Ficaria baralhado, se já não conhecesse esta forma de estar há quase 15 anos.

Vamos ver se conseguimos entender-nos em matéria de “missões” nisto tudo: o ME tem (ou deveria ter) grande quantidade de informação nas suas mãos e gente muito certificada e competente a discutir as opções e a apresentar recomendações e sugestões. Algumas delas são válidas (por exemplo, a DGE a recomendar o low tech como primeira opção), outras nem por isso e parecem desligadas da realidade (mobilizar docentes reformados para levarem trabalhos aos alunos de casa em casa, esperar que muitos alunos desfavorecidos tenham meios para acompanhar o trabalho em condições vagamente equitativas). Depois, há quem tem o direito de chamar a atenção para essas questões, que podem ser encaradas como “problemas” mas não como matérias a ignorar.

Sei que se tentou que formássemos um coro angelical de colaboração com o ME nestas horas difíceis, mas alguém necessita de olhar de “fora” e apontar as falhas. E sim, apresentar sugestões ou mesmo alternativas, mas atendendo sempre que essa não é qualquer obrigação, mas um direito de cidadania.

Alguém precisa de fazer de coro grego, que comenta a acção e não se limita a dizer amén, sem que apareçam a desvirtuar e truncar o que foi escrito ao longo destas semanas.

  • Afinal… aquela 4ª feira à espera da decisão do Conselho tal e tal de Saúde Pública não foi tempo perdido?
  • A pressa em afirmar que os professores não estavam em “férias” não foi despropositada?
  • A ideia peregrina desta calamidade ser uma “oportunidade” para construir a verdadeira escola do século XXI não é uma atoarda?
  • Decidir que o 3º período é todo em ensino à distância em suporte digital, antes de inventariar com que meios se pode fazer isso?
  • O facto de se andar a querer definir indicadores disto e daquilo e cronogramas do trabalho com os alunos, antes mesmo de se saber em que moldes se projecta o 3º período quanto à avaliação externa, não é uma precipitação?
  • Etc…

Eu já não escrevi com o que concordava? Que primeiro se avaliassem os meios, se tomassem decisões claras sobre como vai ser, no mínimo, o mês de Maio, e depois se apresentassem as linhas-mestras do que deve ser feito em matéria de trabalho com os alunos? E que dificilmente há modo de enquadrar de forma equitativa todos (e nem falei nos NEE). Que devemos contactar primeiro os EE para saber o que autorizam ou não? Que devemos usar plataformas o mais leves e simples de usar que seja possível, em vez de cedermos a um certo novo-riquismo exibicionista?

É difícil tomar decisões em tempos de incerteza? Claro, mas é exactamente nestes momentos que se precisa de gente que tenha a cabeça no lugar, algumas âncoras e não apenas velas ao vento em termos de convicção e não só de conveniência. Do nível central ao local.

Se eu não posso criticar, publicamente, as opções que estão ser tomadas só posso citar alguém que, muito bem afirmou:

Excedi-me? Estão a brincar comigo?

brain

Dia 10 – A Privacidade Pelos Ecrãs Fora

(…)

Porque estaremos a entrar em casa dos alunos e, ao mesmo tempo, a expor-nos de modo muito pouco prudente, pois dificilmente saberemos se do outro lado está apenas o aluno e algum familiar a ajudá-lo em algumas tarefas.

Parece coisa menor? Nem por isso, sendo todo o ímpeto por sessões síncronas com os alunos de uma imprudência extrema, pois estamos perante um universo acima de um milhão de alunos menores, em suas casas, juntamente com dezenas de milhar de professores a “dar aulas” a partir do seu domicílio. O potencial para algo correr mal merece que se pense neste tipo de solução, antes de se tomar uma amostra pouco significativa por Juno.

diario

Coisas Óbvias

Ou Governo muda modelo do ensino à distância ou põe em causa a Constituição, alertam constitucionalistas

-Constitucionalistas frisam que o princípio da igualdade, no caso no que respeita ao acesso à educação, tem de ser preservado pela modalidade do ensino à distância. Ministério garante que está a adoptar medidas. Só no ensino básico poderão existir cerca de 50 mil alunos sem acesso à Internet em casa.

alerta

Phosga-se – Série “Já Não Sei Que Diga Disto”

Eu preferia não saber que já entrámos neste nível de “retórica bélica” na comunicação interna de um agrupamento do sul do país. A seguir ao relato da vídeo-reunião com o SE Costa, vem isto:

Posto isto, quais serão então as orientações que tenho para todos vocês, em geral:

1 – Em primeiro lugar será necessário que todos entendam que estamos em modo de “cadeia de comando do tipo militar”, enquanto estivermos a montar a nova organização do agrupamento.  Quer isto dizer que toda a gente tem um comando de proximidade e só dele e a ele, receberá ou dará informações. Doutra forma, corremos o risco de começar a ver circular informação e contrainformação que só provocará angústias, stress e desorientação. Todos, de uma forma geral, já devem ter  entendido quem é a vossa voz de comando, pois têm recebido instruções de realização de algumas tarefas e inquéritos na última semana. A Direção será sempre um elemento de comando, como é lógico. Fiquem descansados porque , para quem não sabe, fiz toda a minha formação escolar incluindo a superior, em estabelecimentos de ensino militar, pelo que não me é totalmente estranha esta forma de comando, mesmo que não seja a  que utilizo, normalmente, no meu dia a dia.

2 – Assim, a primeira ordem é que não devem utilizar o email do agrupamento para fazer chegar seja o que for a todos os professores do agrupamento. Essa função será minha ou de quem eu nomeei para o efeito. Reparem que os documentos que chegam como recomendações do ministério têm que ser adaptados à nossa realidade e não podem aparecer na mão de toda a gente sem orientação mais específica para o seu ciclo ou nível de ensino, sob pena de cada um estar a desperdiçar tempo e trabalho sem necessidade.

3 – Hoje seria o último dia de aulas do nosso calendário escolar, seguindo-se a interrupção das atividades letivas entre 30 de março e 13 de abril. E é neste sentido que devemos apenas enviar aos nossos alunos , algumas tarefas que possam realizar de forma autónoma, sem necessidade de grande  acompanhamento, por parte dos pais e dos professores. Tarefas que apelem à leitura, ao jogo, à criatividade e ao desenvolvimento da autonomia. Coisas muito simples, de modo a que  eles sintam que já estão na altura cronológica das férias escolares, mesmo que continuando em casa. Aos alunos do ensino secundário (regular e profissional) ,  para as disciplinas sujeitas a exame nacional e para algumas UFCD que possam estar mais em atraso, poder-se-á ajudar um pouco mais os alunos a cumprirem as aprendizagens necessárias à conclusão do seu ciclo de estudos.

Aguardem todos  por um mail da vossa cadeia de comando que vos será enviado muito brevemente, com indicações mais precisas.

4 – Procurem vocês professores, durante esta interrupção, organizar um pouco as vossas vidas familiares, pois todos sabemos que vai ser longa esta etapa da nossa vida. Tentem fazer alguma formação nestas áreas do ensino à distância e noutras tão importantes que há muito tempo ansiavam ter tempo para frequentar. Não faltam agora oportunidades de formações  online. Precisamos de vos ter de volta, preparadíssimos para os novos desafios que iremos enfrentar  em Portugal (eu diria mesmo, no mundo) no pós Coronavirus.

grito