Phosga-se – Série “Já Não Sei Que Diga Disto”

Eu preferia não saber que já entrámos neste nível de “retórica bélica” na comunicação interna de um agrupamento do sul do país. A seguir ao relato da vídeo-reunião com o SE Costa, vem isto:

Posto isto, quais serão então as orientações que tenho para todos vocês, em geral:

1 – Em primeiro lugar será necessário que todos entendam que estamos em modo de “cadeia de comando do tipo militar”, enquanto estivermos a montar a nova organização do agrupamento.  Quer isto dizer que toda a gente tem um comando de proximidade e só dele e a ele, receberá ou dará informações. Doutra forma, corremos o risco de começar a ver circular informação e contrainformação que só provocará angústias, stress e desorientação. Todos, de uma forma geral, já devem ter  entendido quem é a vossa voz de comando, pois têm recebido instruções de realização de algumas tarefas e inquéritos na última semana. A Direção será sempre um elemento de comando, como é lógico. Fiquem descansados porque , para quem não sabe, fiz toda a minha formação escolar incluindo a superior, em estabelecimentos de ensino militar, pelo que não me é totalmente estranha esta forma de comando, mesmo que não seja a  que utilizo, normalmente, no meu dia a dia.

2 – Assim, a primeira ordem é que não devem utilizar o email do agrupamento para fazer chegar seja o que for a todos os professores do agrupamento. Essa função será minha ou de quem eu nomeei para o efeito. Reparem que os documentos que chegam como recomendações do ministério têm que ser adaptados à nossa realidade e não podem aparecer na mão de toda a gente sem orientação mais específica para o seu ciclo ou nível de ensino, sob pena de cada um estar a desperdiçar tempo e trabalho sem necessidade.

3 – Hoje seria o último dia de aulas do nosso calendário escolar, seguindo-se a interrupção das atividades letivas entre 30 de março e 13 de abril. E é neste sentido que devemos apenas enviar aos nossos alunos , algumas tarefas que possam realizar de forma autónoma, sem necessidade de grande  acompanhamento, por parte dos pais e dos professores. Tarefas que apelem à leitura, ao jogo, à criatividade e ao desenvolvimento da autonomia. Coisas muito simples, de modo a que  eles sintam que já estão na altura cronológica das férias escolares, mesmo que continuando em casa. Aos alunos do ensino secundário (regular e profissional) ,  para as disciplinas sujeitas a exame nacional e para algumas UFCD que possam estar mais em atraso, poder-se-á ajudar um pouco mais os alunos a cumprirem as aprendizagens necessárias à conclusão do seu ciclo de estudos.

Aguardem todos  por um mail da vossa cadeia de comando que vos será enviado muito brevemente, com indicações mais precisas.

4 – Procurem vocês professores, durante esta interrupção, organizar um pouco as vossas vidas familiares, pois todos sabemos que vai ser longa esta etapa da nossa vida. Tentem fazer alguma formação nestas áreas do ensino à distância e noutras tão importantes que há muito tempo ansiavam ter tempo para frequentar. Não faltam agora oportunidades de formações  online. Precisamos de vos ter de volta, preparadíssimos para os novos desafios que iremos enfrentar  em Portugal (eu diria mesmo, no mundo) no pós Coronavirus.

grito

25 thoughts on “Phosga-se – Série “Já Não Sei Que Diga Disto”

    1. Doutrina naxi do Sec XXI.
      Agora é que os tiranetes estão felizes, fim casa a (co)mandar. Nunca trabalharam, apenas tinham de ir à escola de vez em quando. Agora nem isso, já nem têm de olhar nos olhos os ex colegas.
      Ah! E em cada um há um candidato à secretário de estado! Todos à procura da melhor “fotografia”, qual SS…
      Como são pequeninos e têm vistas curtas não repararam que a fila é imensa!!!!!

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  1. Andaram a vilipendiar o Homem pela sua responsabilidade na extinção das espécies e na diminuição da diversidade biológica. Ameaçaram que isso acabaria por ser nocivo para própria Humanidade. Afinal, à primeira espécie de vírus novo com que se deparam. E agora assistimos a uma reacção em cadeia, surgindo diariamente novos tipos de bestas nocivas para a sociedade.

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  2. É mesmo muito mau o panorama dos diretores em Portugal. Uma vergonha mesmo. Haverá algumas exceções certamente. Mas o que mais me surpreende é como é que essas exceções não denunciam este tipo de coisas, como é que pactuam com isto, como é que se deixam fazer parte do mesmo lixo?

    A seguir aos medíocres governantes que sistematicamente nos vão calhando de governo para governo, cujos pontos mais baixos foram nos 2 governos socialistas (o do “engenheiro” e o dos Costas), apesar de Crato ter sido a patetice que se sabe, o maior problema da educação no nosso país é este conjunto restrito de pessoas, sem ideias válidas sobre ensino e sobre aprendizagem, pessoas que detestam entrar numa sala de aula, porque não têm jeito, pessoas meramente colaboracionistas do poder político…

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    1. Sim lamentável o email enviado pelo diretor daquele agrupamento. Mas também lamentável as palavras escritas. É lamentável verificar um conjunto de cidadãos, altamente qualificados, sentados nos seus sofás, a ver os outros a trabalhar, a ajudar o seu próximo. Quantos dos que aqui criticam o próximo, sem o conhecer, se chegou á frente para fazer diferente? Quantos, na sua freguesia, no seu concelho, se candidatou para fazer diferente? Quantos sairam à rua, numa noite fria, distribuir refeições e aconchegos pelos que nada tem? Quantos sairam hoje para ajudar o vizinho? Só leio a critica fácil, daqueles que vivem debaixo do guarda chuva do estado. Mas deixo a garantia de que lutarei, como sempre fiz, para que possam utilizar esta plataforma para criticarem tudo e todos. Por favor, continuem em casa.

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      1. Meu caro, se alguém está sentado no seu sofá, a ver os outros a trabalhar, deve ser o seu vizinho, pois muitos dos que aqui comentam estiveram horas sentados em cadeiras, sofás, quiçá até no chão, a trabalhar com os seus alunos. Na passada quinta-feira, eram 5, 30 da manhã quando este inútil que vive ao abrigo do guarda-chuva estatal estava a falar, via correio eletrónico, com um aluno do 8.º ano. E por aí fora.

        A ignorância e a estupidez são, de facto, abençoadas.

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      2. José Oliveira,

        Não percebi exactamente o seguinte, pelo que peço humildemente que aclare o seu pensamento:

        1) Quem está a observar quem a trabalhar?
        2) Nós, ao sábado, podemos fazer uma pausa, ou mesmo nos dias úteis, não podemos usar um par de horas para desopilar ou termos de trabalhar 18 horas/dia?
        3) Está a sugerir que se saia de casa contra as recomendações da DGS?

        Obrigado.

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      3. José Oliveira, desculpe, mas não percebi: que «palavras escritas» considera o José como lamentáveis? As minhas ou as do sargento diretor?
        Quanto ao resto do seu comentário, confesso que nem sei que diga…

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      4. Não quero entrar numa de comportamento de matilha e, muito menos, estar a bater no “ceguinho”, mas as palavras de José Oliveira trouxeram-me isto à memória:

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      5. O senhor director em questão saiu “à rua, numa noite fria, para distribuir refeições e aconchegos pelos que nada têm”? Já que é tão íntimo do general-director, diga-lhe que este “cidadão altamente qualificado” julga vergonhoso que um xô-director escreva “todos vocês, em geral”.

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  3. Anedótico, se não fosse verdade!
    Mas, não deixa de ser curioso que neste quartel os professores, aparentemente até agora, pudessem mandar mails a todos os outros do Agrupamento. Era um regabofe, portanto, agora é que vão saber quem manda!
    Mas, quem é este parvo?!

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  4. É mais uma besta quadrada que deveria estar em isolamento….e sem acesso virtual ao mundo exterior. Ou então com pulseira eletrónica que de cinco em cinco minutos lhe daria uns choques elétricos…

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  5. Vou fazer de conta que isto não é a realidade, só pode ser uma cena do bom cinema italiano: Feios, porcos e maus. Este é daqueles que consegue comer batatas fritas, fumar e dar uma queca ao mesmo tempo. E o José Oliveira, o comentador ali de cima, mais conhecido por “o lutador”, a bater palminhas.

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  6. Arranjem alguma coisa para fazer a esses m@rd@s. Umas almoçaradas e jantaradas que é o “trabalho “ habitual deles. Nem que sejam virtuais eles já se ocupam. Estão mais insuportáveis que nunca.

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  7. Embora escrito em termos benévolos, não deixa de ser uma mensagem de alguém que, por formação e gosto, está com desejos de pôr em prática um sistema militarista. Com que intuito?

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